Three Goblin Art
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@phxtaedong
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phxseonho:
Não conseguia acreditar no que estava acontecendo. O Park deveria estar mesmo achando que era algum tipo de burro para cair em sua conversinha, mas que merda, o que custava assumir a verdade pelo menos? Poderiam até se resolver sobre o assunto caso ele admitisse o que estava acontecendo e explicasse tudo por conta própria, as coisas apenas iriam piorar se ficasse a negar como se nada tivesse acontecido e fosse tudo um delírio seu. Encarou a mão do outro tocando em sua testa sem achar a menor graça da situação, realmente esperava o pior de muitas pessoas por ali, porém o melhor amigo definitivamente não era uma delas. Se sua amizade era baseada em poderem confiar um no outro, como Taedong conseguia fazer algo assim sem nem pensar duas vezes? Ainda bancando o desentendido quando questionado? Se questionava o que tinha feito de tão ruim para não merecer nem sequer o mínimo de confiança de quem acreditava ser como sua própria família. “Você tem coragem mesmo pra ser tão cara de pau assim. Sério que vai ficar dando uma de sonso? Achou mesmo que ia funcionar?” Levou a mão até a alheia, retirando de sua testa sem mais delongas. “Claramente quem não tá bem aqui é você, pra ficar agindo dessa forma como se eu fosse burro. Eu te conheço melhor do que ninguém aqui, Taedong, acha que não sei reconhecer a sua cara quando tá nervoso?” Sua fala foi acompanhada pelo arquear de suas sobrancelhas, como se questionasse o amigo. Um dos maiores benefícios de serem amigos desde a infância era conhecer o outro bem o suficiente para saber quando estava agindo diferente do normal. “Ao menos era o que eu achava, claramente não te conheço tão bem assim. É melhor você parar de mentir e inventar desculpas agora mesmo, porque eu não estou achando a menor graça.”
Pânico era seu único estado de espirito naquele momento. Sentia como se estivesse sendo acusado dos maiores pecados da humanidade, como se o próprio Deus o olhasse lá de cima e apontasse o dedo em sua cara para dizer o quão idiota havia sido a sua ideia quando toda aquela bagunça começou, como uma bola de neve poderia rapidamente se tornar um avalanche. Ele deveria ter esperado por aquilo, não deveria? Não era possível que ele conseguisse esconder para sempre o fato de ter um filho, mas não esperava que o melhor amigo descobrisse tão rápido, ele o contaria quando fosse seguro. As palavras do melhor amigo pareciam facadas, reflexo de uma amizade que havia durado anos sem muitas brigas - não era acostumado com aquilo, não gostava quando discutiam e a culpa batia cada vez com mais força quando na realidade, ele realmente estava errado. O sorriso não se desfazia no rosto, apenas encontrando formatos cada vez mais esquisitos para lhe entregar completamente como um mentiroso, a mão que fora recusada pelo mais velho foi até os próprios cabelos, coçando ali enquanto procurava uma desculpa ou uma forma de fugir de tudo aquilo. "Hyung... Não é assim, eu não te chamei de burro... É só que isso parece loucura, não? Qual foi a última vez que eu me envolvi com alguém pra ter algum filho, sabe? Já considerou que isso parece meio... Improvável? Que pode ter se enganado?" Taedong desviou o olhar para o chão, desistindo do sorriso anterior na intenção de parecer um pouco menos nervoso. Aquele era o momento em que não sabia se pensava unicamente sobre a segurança de seu filho ou se deveria considerar os longos anos que passou ao lado do mais velho. Não queria de forma alguma que o melhor amigo achasse que não confiava nele, não queria o magoar, não o queria longe quando em todos os momentos de estresse, era ele o qual mais conseguia lhe arrancar um bom sorriso. Suspirou, só então voltando a olhar para o amigo. "Onde você ouviu isso, hm? De onde tirou essa ideia, pelo amor de Deus?" Perguntou mais uma vez, voltando a encarar Seonho. Antes de tomar uma decisão, queria entender, e depois de entender, queria ao menos considerar se alguém mais sabia ou se aquela era só realmente uma brincadeira idiota dele.
Who’s going to save me now?
Sentiu o coração pesar como se houvessem amarrado diversos pedaços de concreto nele quando percebeu a garota novamente desabando, daquela vez sem vergonha aparente, sem disfarce, sem hesitação. Aquela situação o machucava sem sequer saber do que se tratava, e mal podia se explicar o porque sentia-se daquele jeito. Instinto, talvez? Sabia que o fato de imaginar seu filho no lugar dela tinha um grande papel em suas mais recentes atitudes com ela, mas ainda assim, não conseguia descrever ou explicar a preocupação que sentia naquele cômodo por conta de uma garota desconhecida. Por um momento viu sua mente dar um completo branco, sem saber como agir ou o que fazer com a garota chorando daquele jeito em sua frente. Normalmente era bom com aquilo, era bom em dar um ombro amigo quando queria, mas aquela era de longe outra história, já que ninguém que ajudou tinha cortes ou coisa do tipo.
A voz e sinceridade da garota o tiraram do transe, finalmente voltando a fazer sua cabeça funcionar da forma correta. Não entendia exatamente do que ela estava falando sobre o tal irmão, mas mesmo assim mostrou um pequeno sorriso, como se tentasse conforta-la daquele jeito. Sem falar nada ele apressou os passos até o banheiro da suíte, buscando dentro do armário o kit de primeiro socorros que sempre mantinha ali. Como alguém que frequentemente se machucava com o próprio trabalho, precisava sempre estar bastante prevenido, o que havia caído bem naquela situação em que se encontravam. Ele não demorou mais que alguns segundos para voltar e se aproximar da garota, se abaixando para sentar na sua frente e só entrar oferecer a própria mão. "Deixa eu ver isso." Finalmente pronunciou algo, não esperando uma resposta para que com cuidado a mão da garota do braço que estava machucado, hesitando um pouco antes de com a mão livre levantar a manga dela, encarando de vez machucados que eram comuns para ele, mesmo em um local e principalmente uma motivação bem diferente. Quando se cortava, era cozinhando, ela com certeza não tinha a mesma razão.
"Qual o seu departamento, então? Você parece ser inteligente." A pergunta saiu um minuto depois, quando ele voltou a atenção para o kit, pegando um pouco de algodão e o molhando em álcool, antes de voltar a segurar o braço dela. Não podia só força-la a falar sobre os seus motivos, precisava antes de tudo conhece-la e acalma-la. "Isso pode doer um pouquinho, hm?" Avisou assim que começou a limpar o corte da garota, com todo o cuidado que podia.
"Isso com certeza é obra do meu pai." aquela frase fora o suficiente para roubar completamente a atenção de Taedong. A fala alterada e as palavras revoltadas que não deixavam de sair de sua boca foram cortadas no mesmo momento para que se sua visão encontrasse aquela figura conhecida. Podia até não bater papo com todos os que viviam em Pohang, mas sua memória era boa o bastante para decorar alguns rostos, principalmente quando estes tinham algum impacto em sua vida. "Pai? Seu pai? Seu pai é Ahn Taeho?" Perguntou, afim de apenas confirmar tanto as palavras dele quanto sua própria memória. Claro, o cara não estaria mentido, certo? E por seu rosto ser tão familiar então, ele não poderia estar enganado. O italiano mostrou um sorriso amarelo, não sabendo exatamente se aquela era a melhor oportunidade ou mais um motivo de revolta para o dia, afinal, e se o garoto concordasse com todas as atrocidades que o progenitor fazia? Ele era um Ahn no fim das contas.
O movimento do rapaz no entanto o fez agir antes de realmente pensar em todas as consequências e no perigo de tudo aquilo, pegando os documentos novamente para se aproximar dele, parando ao seu lado e tocando superficialmente o ombro dele, apenas para que o parasse. "Você disse que eu deveria ter paciência com o seu colega porque seu pai é um cara difícil de lidar, pra mim isso se chama covardia. Você não me parece covarde." Não tentava ser educado, muito menos parecer um completo desesperado, por mais que seus olhos falassem o contrário. Tentava a todo custo mostrar confiança, determinação. Queria ser direto. "Você reconheceu o contrato, você deve conhecer bem o que seu pai faz. Eu realmente não sei a sua relação com o senhor Ahn ou coisa do tipo, não me importo também se vai se sentir ofendido, mas você pode ao menos ver e me falar o que fazer?" Perguntou, suspirando logo depois para se acalmar e baixar o tom de voz. "Por favor?"
A ligação havia acabado exatamente do jeito em que havia planejado. Sucesso. Uma mãozinha a mais sempre era bem vinda quando sua imaginação não estava lhe ajudando e felizmente nunca foi o tipo de homem orgulhoso demais para pedir por ela. A maioria dos chefs ganancioso não o fazia, sabia bem disso, alguns até brigavam se alguém, por alguma razão, lhes oferecesse ajuda ou dirigisse uma crítica sobre seus pratos. Só lhe restava esperar, e decidiu que não precisava ficar batendo a cabeça enquanto o mais novo não chegava, afinal, isso só o faria se estressar ainda mais e consequentemente, perde todo o seu tato naquela noite. Sentado em um dos bancos na cozinha, descia e subia a tela do celular, lendo algumas notícias que pareciam interessantes - ou apenas algum conteúdo idiota como testes para descobrir que tipo de batata ele era. Taedong foi obrigado a se tornar um homem adulto mais cedo do que o esperado, mas ainda era um completo bobalhão quando estava sozinho.
Ouvir o barulho do carro do lado de fora o despertou de suas brincadeiras infantis, levantando o rosto para confirmar se era ali mesmo, por mais que não pudesse ver. Levantou-se, saindo da cozinha para encontrar um Haejoon saindo do carro no pequeno estacionamento do local. Um sorriso amigável delineou os lábios quando foi até a porta do lugar, destrancando-a para cumprimentar o amigo. "Chegou o herói da minha vida? Você não tem ideia da dor de cabeça que eu to passando nessa cozinha."
phxseohwa:
“aish, aposto que o dono se sentiria feliz por uma mulher como eu ter escolhido a roupa dele para ir embora.” agora era seohwa quem estava irritada e já havia parado de andar para conversar com aquele homem que sequer conhecia e que parecia muito mal educado. a jovem não tinha intenção de roubar aquele moletom, ela devolveria no dia seguinte com mil pedidos de desculpas e até um presentinho de agradecimento, então não entendia o motivo de toda aquela reação.
bom, até o momento em que ele se revelou o dono da roupa. e seohwa virou um pimentão, mas só não devolveu porque ela tinha um orgulho para zelar. “ya, eu não roubei seu casaco, eu só peguei emprestado e você está aí querendo que eu devolva já? como vou sair nessa chuva assim? você não tem um pingo de consideração? aish. vocês homens são todos egoístas.” e então ela ajeitou a sua bolsa no ombro, cruzando os braços em um sinal de teimosia. “não vou devolver, não enquanto não chegar em casa.”
"Huh? Você consegue se ouvir falando?" Taedong a questionou, incrédulo com o que ouvia da garota. Qualquer pessoa normal teria se desculpado e devolvido no mesmo momento, mas a menor realmente parecia provar ter um parafuso solto, no minimo. O italiano não queria brigar, não queria estragar seu humor e muito menos ser grosso, algo que não era de seu feitio, contudo, era exatamente o que estava acontecendo, e não era sua culpa. "Pegar emprestado é quando se pede a uma pessoa e ela aceita. Se você pegou isso emprestado e o dono, que sou eu, não autorizou, é roubo. E como é? Egoísta? Yah! Onde foram seus modos? Eu claramente sou o mais velho aqui." Não acreditava em absolutamente nada do que estava ouvindo. Deveria estar louco, certo? Infelizmente, a insistência da garota só provava que não, não era uma alucinação, muito menos um simples pesadelo, era só má educação.
Levou o indicador e o polegar a um dos ombros do casaco, segurando sem uma força real, apenas como um aviso de que com toda certeza, ela não sairia com ele. "Se você tivesse sido educada, eu emprestaria, mas agora você só sai daqui com o cabelo na chuva ou dentro de uma viatura de policia, me entendeu?" O tom baixou, tentando ser o mais calmo que podia. Logo teve uma ideia, e esperava que funcionasse. "Você sequer sabe onde eu já usei esse moletom? Com quem eu já usei? Com o que eu já manchei esse moletom? "
phxhanac:
A mudança de países era de fato um tanto complicado, não apenas para a americana, que em meio de toda a mudança, ainda estava tendo que lidar silenciosamente, com o fato que havia acabado de descobrir que, o marido que tanto amava e admirava, estava não só traindo a relação de ambos, mas principalmente, a ela. Precisava distrair-se, estar dentro daquela casa, rodeado pelas coisas pelo homem provavelmente levariam-a loucura. Talvez conhecer o que seria a nova vida ajudasse, certo?
Mesmo não acostumava com os fortes invernos da Coréia, não era tão torturante tais baixas temperaturas, algo que, fez a morena decidir que iria aproveitar tais temperaturas abaixo de zero. Ainda pequeno, sabia que, o filho gostaria de poder ver toda aquela paisagem em tons brancos, talvez ele até gostaria de tentar brincar na neve, não é? Com o pequeno ao carrinho, coberto por varias camadas de roupa e cobertores, a mesma o empurrava com cuidado, podendo escutar as tentativas de comunicação do mais novo, não podendo evitar em sorrir satisfeita. “Está gostando, peixinho?” A mãe perguntou parando o carrinho, para que pudesse curvar-se para capturar as reações do filho. Então com cuidado, essa levou os miúdos braços para envolverem o corpo da criança, levando-a seu colo para que ambos pudessem explorar com mais tranquilidade.
Logo então avistou o alto homem com um pequeno menino em sua companhia, não podendo evitar em mais um sorriso a nascer, ambos pareciam estar se divertindo, sempre sendo bom observar que na vizinhança existiam pais e crianças jovens. Essa então decidiu-se aproximar, e com seu sorriso simpático, essa acenou para a criança que parecia ter seis anos, antes de virar para o homem que julgava o pai. “Ele é uma graça, crescem rápido, não é? Quantos anos ele tem?”
"Meu Deus, que susto!" O italiano não pôde disfarçar o susto que teve quando ouviu aquela voz feminina, levando a mão ao peitoral como se aquilo pudesse realmente o acalma-lo. A reação não durou muito tempo no entanto, já que, quando parou para analisar, aquela voz feminina não era familiar; Se fosse uma de suas irmãs ou sua mãe era uma coisa, mas não, não era a voz de nenhuma delas e lembrava-se claramente do filho se referir a ele como seu pai a pouco tempo. Ela havia ouvido? Muito provavelmente. A pergunta da mulher normalmente era direcionado aos pais, certo? Primos ou tios nunca ouviam aquilo, não. Taedong de repente sentiu o coração quase pular da boca, arregalando os olhos como uma reação natural do seu nervosismo. "Ah-ah, é..." Tentava procurar a resposta daquilo sem se entregar completamente, mas se ela houvesse realmente ouvido, do que adiantaria fingir? Havia travado ali mesmo, sem saber o que falar e sem sequer se levantar devidamente.
A voz do filho quebrou o silêncio esquisito do italiano. "Seis anos, moça!", o ouviu responder, pronto para salva-lo de uma situação mais awkward que aquela, mas claro, não duraria muito, visto que ele provavelmente estava tão animado que uma hora ou outra, ia acabar soltando algo inapropriado. O homem assentiu, confirmando a resposta de Junhee antes de poder falar algo. "É... Parece que foi ontem que eu conseguia colocar ele no braço sem parecer que vou morrer." Respondeu, rindo das próprias palavras. "É isso que as pessoas normalmente respondem, certo? Certo." Murmurou para si mesmo, antes de mostrar um sorriso simpático - mesmo que nervoso. "Ele é seu?" Perguntou, apontando para o bebê que estava nos braços da mulher. Esperava não estar parecendo um louco, afinal, o segredo de tudo era agir naturalmente.
phxsehee:
Para o choque de Sehee, Taedong havia topado com mais facilidade do que imaginava, em primeiro instante imaginou o quão desesperado e necessitado ele deveria estar… Perguntava-se se era assim que se sentiam todos os crentes que se reprimiam por conta da sexualidade, agora aliviado por não fazer parte disso e poder aproveitar sua vida da forma que preferisse. Com a partida no carro, Sehee segurou o olhar para o rapaz que ainda parecia ter algo a dizer, notou as batidas nervosas no volante.
A revelação de que não estava ali com a intenção que Sehee imaginara fora um tanto chocante para si, não poderia imaginar que tipo de ajuda poderia oferecer a Taedong neste momento… Com o recente ocorrido das mensagens anônimas, começara a ficar inseguro e pensou que Taedong era a pessoa por trás daquilo tudo. “Como assim?” Perguntou assustado. “Que tipo de informação você está esperando de mim? Se não vamos dormir juntos pare o carro agora, eu quero descer.” Ameaçou com a mão na maçaneta e a voz instável.
A reação de Sehee de longe não era a que estava esperando, ainda mais dentro de um carro em movimento. Não tinham idades tão diferentes assim, mas não pôde deixar de pensar que aquela parecia uma atitude um tanto... Imatura, o que o fez, com muita calma, respirar fundo. Era preciso ter sexo na agenda do garoto para ter uma noite segura? Aquele tipo de pensamento parecia no minimo preocupante e com certeza contraditório. Não era na cama em que as piores coisas poderiam acontecer? Vai saber o que o acompanhante dele iria querer.
"Yah, é melhor se acalmar, eu não quero acabar batendo esse carro e matando nós dois, eu ainda tenho muito o que viver." O tom de voz soou mais autoritário do que era normal para o jovem, mas ainda assim, precisava que o mais novo mante-se a calma naquele momento. "Que tipo de pessoa quer fugir do carro de outra só porque não vão transar?" Taedong resmungava, realmente incrédulo com tudo aquilo. "Eu lá tenho cara de ser perigoso? De verdade? Não precisa entrar em desespero, deveria era ficar agradecido pelo fato de provavelmente eu ser o único cara com quem você deve ter saindo ultimamente que não está te vendo como um pedaço de carne." Comentou. Era verdade, certo? Não o via como pedaço de carne, talvez só como um banco de informações. O hotel se aproximava cada vez mais, então resolveu finalmente tentar acalma-lo de verdade. "Quando chegarmos, tente não fugir e chamar atenção de Deus e o mundo, certo? Eu não quero informações suas, não se preocupe."
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@phxtaedong.
Tinha mandado uma mensagem para o melhor amigo como quem não queria nada, pedindo para que se encontrassem no parque próximo ao lago naquela tarde de sábado sem dar muita explicação, imaginando que o mais novo concluiria que apenas queria se encontrar para passarem o tempo e aproveitarem um a companhia do outro. Em qualquer outra situação este seria o caso, mas esta não era uma situação normal e o Moon não estava nem um pouco afim de só sentar e ficar de conversa fiada. Simplesmente não entrava em sua cabeça como o outro havia achado que seria uma brilhante ideia guardar um segredo como aquele de si, quer dizer, não era para serem melhores amigos? Confiarem um no outro para essas coisas? Era até mesmo revoltante como Taedong parecia não ver nada de errado em esconder que tinha um filho, como se fosse a mesma coisa que esconder que, sei lá, tinha medo do escuro. Claramente toda a confiança que depositava no outro não estava nem perto de ser recíproca. E isso o enchia de raiva. Checou o celular uma última vez para ver se o Park não tinha enviado nada avisando se estava chegando ou não, mas em seguida bloqueando o celular e voltando a se sentar no banco, respirando fundo enquanto botava os pensamentos em ordem. Ou tentava. Era justamente por coisas assim que não conseguia confiar plenamente em, bom, praticamente ninguém fora de sua família. Nem nesta eram todos, pois apenas em Ahryung e Woojin era capaz de confiar cegamente. Escutou passos se aproximando e se virou para ver se era o outro que estava chegando, abrindo um sorriso amarelo ao se certificar que sim. “E aí?” Falou com um resquício de simpatia que não duraria muito mais. “Não tem nenhuma novidade pra me contar, Taedong? Nenhuma? Sabe, sobre seu bistrô, sua família, o que vai fazer no fim de semana…” Estava com uma bela cara de poucos amigos, cruzando os braços sobre o peito ao que encarava o outro. “Sobre um filho, quem sabe. Será que devo te dar os parabéns? Ele já existe tem tanto tempo que não sei se seria indelicado ou não.”
As mãos brincavam com uma das almofadas do sofá de casa como se tivesse voltado aos seus dias de ouro. Jogava-a para cima diversas vezes, apenas para depois a pegar e repetir a ação. Aquela era a imagem perfeita para resumir um Taedong completamente entediando e desocupado, mesmo que não fosse algo comum. Poderia estar trabalhando, poderia estar estudando, poderia estar fazendo qualquer besteira que um homem em sua idade gostava de fazer, mas a preguiça falava mais alto naquele dia, até ao ponto de ser maior que uma brincadeira tão tediosa como aquela. Repetia o ato pela quinquagésima vez quando sentiu o celular vibrar em seu peito, assustando-se por um primeiro momento antes de checar do que se tratava e graças a Deus, esperava uma mensagem como aquela. Sim, sentia-se preguiçoso e sonolento demais, contudo conversar com o melhor amigo era de longe o melhor remédio para dias como aquele - teria até oferecido um rolê com ele mais cedo se não fosse seu corpo se recusando a digitar primeiro. Depois de fechar os olhos por alguns segundos para receber o restinho de forças que tinha, o respondeu avisando que já estava a caminho. Era normal, nos tantos anos em que se conheciam, sair para conversar em horários aleatórios era provavelmente o plano mais frequente deles. O italiano se forçou a levantar e mesmo praticamente se arrastando pela casa, procurou trocar ao menos os chinelos por um tênis para finalmente seguir seu caminho até o local marcado. Acostumado a andar, nem percebeu quanto tempo demorou para chegar ali, delineando um sorriso nos lábios quando avistou o melhor amigo. Alerta vermelho. Aquela não era exatamente a recepção que esperava, não era o sorriso que normalmente recebia dele e com certeza não era a postura que o mais velho tinha quando estava consigo. "Do que você tá falando? Você sabe que eu não faço nada no..." Não conseguiu sequer questionar o que estava acontecendo apropriadamente quando entendeu do que aquilo se tratava. Petrificou completamente, como se sua alma tivesse deixado o corpo por alguns bons segundos, quase minutos, na realidade. Como ele havia descoberto? Se lembrava de deixar esse segredo bem guardado desde sempre. Deveria contar a verdade? Se fazer de idiota? A segunda opção parecia a mais apropriada devido as consequências. "Filho? Hen, que loucura ‘cê tá falando? Desde quando eu tenho um filho? Você tá bem? Bebeu muito antes de vir pra cá? Eu acho que talvez tenha ficado doente." Chegou a levar as costas de uma das mãos a testa do melhor amigo, fingindo que estava checando a sua temperatura. A risada era claramente forçada, indicio claro que não era um bom mentiroso quando se tratava de Seonho. Não queria mentir, nunca quis, mas sabia o quão era perigoso para ele e o próprio filho que alguém descobrisse, mesmo que esse fosse a pessoa que mais confiava.
phxseohwa:
seohwa mexia no celular quando seu corpo se chocou sem querer com o de outra pessoa. confusa com a situação repentina, ela ergueu os olhos para encarar o homem à sua frente e acabou por esconder as mãos nos bolsos do moletom que usava, dando um passo para trás para ganhar alguma distância. “esse aqui?” começou, olhando para baixo, despreocupada. “encontrei em um armário que estava aberto. esqueci de trazer o meu e como está chovendo lá fora, peguei para poder ir embora.” sorriu, dando de ombros. “eu teria deixado um recado para o dono, mas não trouxe nada para escrever também.”
com um sorriso, maneou a cabeça em concordância, ajeitando sua bolsa no ombro para poder passar pelo rapaz. “eu não sei onde a pessoa comprou, talvez você possa descobrir quando eu devolver. até mais.” ao se despedir, colocava um ponto final no assunto, disposta a apenas seguir seu caminho e chegar em casa o mais rápido possível.
"Ah-ah! Não tão rápido assim, meliante." Taedong respondeu no mesmo segundo em que a garota resolveu se despedir. Ela pensava mesmo que conseguiria sair dali sem mais nem menos com as coisas do outros? A resposta que ela havia o dado fez com que o homem soltasse uma risada sem humor real, apontando para a mancha que estava acostumado a ver em casa. "Você já pensou que o dono desse casaco também pode acabar saindo na chuva e que precisa disso pra se proteger? Não tem vergonha na cara?" Se fosse qualquer outra resposta, mesmo que fosse uma mentira esfarrapada, provavelmente o italiano não estaria tão irritado quanto estava naquele momento.
Aquilo parecia surreal em sua mente. Conhecia pessoas mimadas, conhecia até um projeto de ladrãozinho, mas nunca havia conhecido alguém com aquela coragem de simplesmente admitir um roupa como se fosse certo. "O dono desse casaco não te autorizou a pegar e nesse caso, pode-se considerar um roubo e adivinha quem é o dono?" Apontou para si mesmo, mostrando um sorriso amarelo para a jovem. "É melhor devolver enquanto estou sendo educado, hm? Meu armário não é um brechó ou coisa do tipo."
phxsehee:
Notou rapidamente que o rapaz mais alto claramente evitava qualquer troca de olhares enquanto se falavam, resolveu brincar mantendo seu olhar fixado na figura daquele a seu lado, queria desconcertá-lo e fazê-lo se soltar, nem que fosse só por uma noite… Não era novidade nenhuma para Sehee ter que lidar com rapazes inseguros com sua sexualidade daquela forma, acabava sendo sempre divertido vê-los se soltando ao longo do encontro, e por aquele se tratar de ninguém mais ninguém menos que um Park, daria seu máximo para fazê-lo se sentir o mais pecador possível essa noite. “Deus é uma pessoa que você vai querer esquecer essa noite, confia em mim.” Soltou junto de uma risada, afim de quebrar aquela faceta contida do rapaz. “Brincadeira, mas veio para a pessoa certa, posso te ajudar com o que quiser.”
O nervosismo daquele se tornara ainda mais nítido, fazendo Sehee revirar os olhos de leve junto de uma risada baixa. Quando ouviu o que o outro proferia, pensou em diversos lugares que poderiam ir, mas provavelmente em todos esse seria reconhecido por pelo menos uma pessoa que seja. “Eu não me importo de ser reconhecido, as pessoas já sabem que eu saio com homens, mas se é o caso de proteger a sua identidade, bem… Melhor irmos direto para o hotel e reservar um quarto só para nós dois.” Sugeriu na brincadeira, mas esperando que o outro topasse, para Sehee seria menos tempo perdido se as coisas acontecessem logo e pudesse se ver livre daquela situação awkward.
Taedong precisou respirar o mais fundo possível antes dos olhos rolarem pelo que ouvia vindo do mais novo. Ele não era aquele tipo de pessoa, ele não precisava de todo aquele cuidado por um noite com alguém e muito menos se sentia confortável com a falta de vergonha nas palavras do outro - O italiano podia não concordar com tudo que já ouviu na igreja, mas ainda era religioso o bastante para se incomodar quando usavam o nome Dele em frases tão... Erradas. Ok, de fato, provavelmente parecia um daqueles caras com a sexualidade frágil que pela primeira vez procurava algo as escondidas, mas só ele sabia que não era aquilo no fim das contas, então tentou relaxar. Precisava relaxar. Ele demorou um pouco pensando sobre a ideia de Sehee, batendo o indicador diversas vezes no cabo do volante, aquela mania ridícula que nunca conseguia controlar. Apesar da ideia de ficar em um quarto junto com alguém como Sehee não parecer a mais adequada, era provavelmente a melhor para que o reconhecessem. Muitas pessoas usavam aquele método para guardar segredos, certo?
"Ok." Falou por fim, dando partida. Não era exatamente um frequentador de hotéis, não conhecia muitos, mas sabia que os poucos que conhecia não vazariam qualquer informação se recebessem um pouco a mais. O caminho não era tão longo assim de carro, mas o homem não conseguia parar de pensar o quanto aquilo podia dar uma má impressão, então decidiu começar a explicar sobre o que queria. Em um carro em movimento, ninguém ouviria o que estavam conversando. "Isso não é um encontro de verdade, você sabe, não é? Não vamos dormir juntos ou coisa do tipo, esse não é o meu interesse." Começava a se explicar, sem tirar os olhos da rua. “Então não precisa agir assim.”
⇢ oops — flashback. w.: @phxhanac
As manhãs e tardes de inverno não eram as mais populares para passeios na Coreia e nem um lugar super preparado como Pohang podia driblar a natureza. Pais e irmãos levavam as crianças mais novas para brincar de patinação ou fliperamas, lugares mais fechados e quentinhos para que a saúde delas não fosse prejudicada - até porque ninguém queria uma criança caindo de cara na neve -, mas Taedong via naquilo uma oportunidade. Era difícil ter um tempo ao ar livre onde pudesse conversar livremente com o filho como o fazia em casa sem estranhos, então preferia aproveitar o quanto pudesse, mesmo que ele depois acabasse um pouco gripado. Crianças não se importavam de verdade com aquilo, elas só queriam se divertir no fim das contas.
O passeio pelo residencial começou cedo, com direito a um chocolate quente e um delicioso café da manhã para o menininho, depois passaram a aproveitar a vista do lugar enquanto andavam até o parque, esperançosos de que não existiria uma alma viva lá para estragar seus planos. E felizmente, não tinha mesmo. O sorriso sapeca tomou conta do rosto dos dois, e depois de brincarem um pouco com a neve e o menino perder o equilíbrio, Taedong se aproximou aos risos para arrumar sua roupa e tirar a neve que havia grudado ali. Talvez fosse por aparentemente não verem ninguém ao redor ou só por estarem tendo um bom momento juntos, mas não demorou muito para Junhee perguntasse alguma besteira para o italiano, deixando escapar a palavra que não deveria sair da sua boca por ali. "Pai" era uma palavra realmente perigosa, mas o homem não se deu o trabalho de reclamar, afinal, ninguém estava por ali, ao menos era o que pensava.
⇢ i vigliacchi della legge. w.: @phxsunghae
Depois de muito ralar para receber um pingo de liberdade real de seus pais, Taedong se via na melhor condição para dar início ao seu plano. Foram diversas conversas com a mãe de seu filho e com os poucos amigos os quais confiava o segredo para finalmente dar um primeiro passo, passo este que sempre teve medo de dar, afinal, envolvia a pessoa que mais importava para o mundo do italiano. Sentia-se no fundo assustado, apavorado na verdade, com o receio do pai descobrir o que estava fazendo e acabar perdendo tudo de vez, mas precisava tentar, havia se prometido isso e nunca quebrava uma promessa, nem as para ele mesmo.
Evitando procurar pela família responsável por arquitetar toda aquela palhaçada dos seus pais, o jovem procurou seguir a recomendação de um de seus amigos ao procurar consultória em uma boa faculdade por ali perto, onde não precisaria deixar realmente seus rastros para conhecidos de seus pais. Respirou fundo antes de entrar no prédio do setor responsável. Sentia-se nervoso, por mais que tentasse ao máximo não demonstrar. Sabia que não podia demorar muito, seu pai não passaria o dia inteiro fora e com certeza lhe pediria satisfações de onde havia ido - e não era lá muito bom em mentir, infelizmente. Ocultar? Talvez. Mentir? Meh.
Pensava que tudo seria simples e rápido, mas não, claro que não, nada na vida de Park Giovanni Taedong era fácil, nunca havia sido. Com as cópias dos documentos em mãos e um advogado teimoso demais para aceitar atende-lo, o italiano precisava se controlar ao máximo para não acabar brigando com alguém ali mesmo, completamente confuso. Não eram famílias fáceis de brigar, mas ora essa, ele tinha dinheiro e um nome também, certo? Não era o suficiente? Frustrado, o deixou os documentos em cima da mesa enquanto procurava uma solução com uma das recepcionistas. "Como assim ele não quer me ver? Ele tem alguma ética por acaso? Mandem esse incompetente aparecer, eu não vim aqui pra nada, alguém tem que resolver o meu problema!" O tom de voz não era o habitual calmo do homem, mas não conseguia se controlar em uma situação como aquelas.
⇢ une recette de crème au beurre? w.: @phxhaejoon
A culinária é como uma arte, isso não é novidade nenhuma para qualquer gastrônomo de plantão. É necessário paciência, paixão e acima do que todos poderiam imaginar, criatividade. Um chef sem paciência não tinha paixão, mas um chef sem criatividade não tinha nada; Afinal, sem saber o que misturar por ali, como diabos poderia sair um bom prato? Quando tais crises de criatividade batiam na porta de Taedong, o italiano sempre entrava em pane. As mãos habilidosas paravam de funcionar, seu tato mudava, a única coisa que conseguia pensar era em fazer o simples macarrão com molho de tomate, no entanto, apesar de ser apetitoso, não era o que os seus clientes esperavam dele, ainda mais quando o que planejava era criar mais uma dica de pratos para o seu "cardápio".
Frustrado em frente ao fogão do bistrô fechado, o italiano jogava fora mais um dos seus molhos mal sucedidos. Não aguentava mais tentar criar algo novo que não saia da forma que esperava, não era... Único. O sous-chef estava de folga e não pretendia o incomoda-lo para o ajudar, sua cabeça com certeza não criaria algo bom só. Lhe restavam poucas opções e procurando a melhor delas no momento, buscou o celular para procurar o contato do amigo, lhe enviando uma mensagem assim que sentou em um dos banquinhos na cozinha.
"Haejoonie, está ocupado? Pode vir ao bistrô?"
Who’s going to save me now?
Por instinto Sora se encolheu, e em consequência à sua baixa estatura sentiu-se ainda menor ao ter o mais alto lhe cobrindo quase que por ‘inteiro’ ao ter os ombros rodeados por seu braço. Os olhos baixaram aos pés, assim como a cabeça, deixando que os fios caíssem sobre o rosto até tê-lo parcialmente coberto pelos fios escuros; não prestava atenção no caminho, não sabia para onde estavam indo afinal, e não tinha também nenhum lugar para onde quisesse ir agora. Só sabia que não queria estar ali. Não queria que nada daquilo estivesse acontecendo.
Sendo assim, quando questionada, Sora apenas meneou a cabeça em uma concordância. Não tinha muito mais o que fazer além de concordar com o rapaz. Já estava ali, não era como se fosse ficar pior do que já estava. Ou será que podia? Mais do que qualquer um naquele condomínio, a Kwon aprendera a nunca duvidar desse tipo de coisa.
Nada nunca estava tão ruim que não pudesse piorar.
– Podemos ir pra sua casa, sim. – Ela murmurou em resposta, sem levantar o olhar para ter certeza de aonde estavam indo. Apenas seguia o rapaz, sem qualquer vontade de opinar sobre aquilo. – Até prefiro, sendo sincera. – Ela já havia se machucado o suficiente para saber que não tinha dor maior do que as que já sentira até então. E não queria ter que encarar a própria mãe, ou o irmão; seja lá quem quer que estivesse em casa àquela hora do dia, de qualquer forma. – Está tudo bem, eu… – Ela? Não sabia o que dizer quanto àquilo. Estava bem mesmo? Ou só estava repetindo o mesmo discurso de novo, e de novo, e de novo desde a morte do pai? A cabeça manteve-se abaixada, focando ainda mais os próprios pés, numa tentativa de fugir de tudo aquilo que aconteceu, e acontecia, e aconteceria. – Eu só não quero voltar pra casa mesmo.
"Ok..." Respondeu em tom baixo a garota, entendendo logo de cara que provavelmente o problema podia vir de lá mesmo. Essa era a resposta mais óbvia, certo? Era comum que problemas acontecessem em casa, e se o problema não fosse aquilo, seriam em escolas no mínimo, mas não parecia o caso da menina. "Minha casa não fica longe daqui, logo logo chegamos lá, hm?" Informou a garota, não esperando realmente alguma resposta concreta dela. Ela não deveria estar confortável no final das contas, não importasse o quanto ele fosse tentar, sabia daquilo.
Não foram mais que dez minutos de caminhada em silencio ao lado da garota até chegarem ao portão de sua residência, e apenas para evitar questionamentos dos pais, se é que estavam em casa, a guiou até a porta dos fundos, soltando-a para que pudesse colocar a senha. Esperava que mesmo soltando-a por pouco tempo a menina não tentasse desesperadamente fugir dali, mas mesmo assim o fez com calma para que ela não se assustasse mais ainda e quando a porta destravou, voltou a guia-la para dentro. Ouviu a voz da mãe perguntando quem havia chegado e para evitar que a mulher visse a outra, deu uma desculpa esfarrapada de que estava cansado e iria ficar sozinho por um tempo. Sempre funcionava, a parte boa de ser o mais velho da família. Levou o indicador aos lábios para indicar para a mais nova que fizesse silêncio e a levou até onde ficava seu quarto, assim deixando que pudessem ter alguma privacidade. Taedong trancou a porta, mas não demorou a voltar olhar para a garota. “Eu não vou te matar, te tocar ou coisa do tipo, ok? Só não quero que minha mãe acabe entrando aqui sem permissão.” A tranquilizou, logo depois respirando fundo. "Seja sincera, isso não é tinta, não é?" Perguntou, apontando para o braço da garota. "Posso ver?"
( @phxtaedong ) ━ para manter aquele corpo, seohwa precisava dedicar algumas horas de sua semana aos treinos na academia do condomínio. como uma frequentadora assídua do local, ela já tinha suas manias e seus costumes, sobretudo em relação a roupas e ao armário onde guardava seus pertences. naquele final de tarde, tudo parecia normal, tirando o fato de uma chuvinha chata ter começado a cair logo quando ela terminava o seu treino.
normalmente, seohwa apenas pegaria uma blusa para se proteger do frio e um guarda-chuva e iria embora, mas foi pega de surpresa pela ausência do moletom naquele dia. “estranho, sinto que eu coloquei ele aqui antes de vir…” falou, fuçando sua bolsa novamente, mas não precisava de muito para concluir que sua blusa não estava ali e ela sequer sabia se tinha perdido ou deixado em casa.
com o corpo quente do banho, não poderia sair daquela forma, então os olhos escuros vasculharam rapidamente o local e caíram em um armário aberto, com um moletom dentro. seohwa sabia que era errado pegar sem permissão, mas ela considerou que só estava pegando a roupa emprestada. estava chovendo do lado de fora! vestiu-o sem peso na consciência, voltando para pegar suas coisas e só esperava que ninguém reconhecesse aquele blusão enquanto ela estivesse andando por aí.
Taedong era um fiel frequentador da academia no período da noite, sempre depois que sua clienta-la deixava o bistrô e tinha um tempo livre. Naquele dia em especial, experimentava seu treino diário em um horário completamente diferente do seu habitual - apesar de ser seu próprio chefe, a insistências de seus funcionários para que ele tirasse um dia de folga foi o bastante para que ele apenas aceitasse. Não estava acostumado com aqueles rostos, muito menos com a quantidade de pessoas muito superior as que frequentavam a academia tarde da noite. Não era como se fosse insuportável ter que dividir o espaço com muita gente, mas mesmo desconfortável, o homem apenas continuou em seu próprio trabalho, determinado a terminar o seu treino cedo e poder ao menos uma vez aproveitar a noite descansando.
Após terminar em uma das maquinas do local, o italiano foi até o banco próximo onde havia deixado sua garrafinha de água, e enquanto se hidratava, não imaginou ver uma peça de roupa tão familiar quanto a que aquela garota usava. Parecia tanto com seu moletom, mas oras, deveria ser apenas coincidência, certo? Era um moletom comum, no final das contas. Ou não. Com certeza não. Reconhecia de longe suas coisas, ainda mais as manchas que elas levavam das suas peripécias na cozinha de casa, e com certeza aquela era uma mancha do sugo de uva de algumas semanas atrás, que se recusava a sair de uma das mangas da peça.
O homem se levantou as pressas para dar uma checada pela porta do vestiário, seu armário ficava bem a vista e ao perceber que o havia deixado aberto, confirmou consigo mesmo que com certeza aquele casaco não pertencia aquela garota. Correu em direção a ela antes que deixasse o local, se apressando para passar dela e parar em sua frente, bloqueando a passagem. "Oi, com licença. Onde você conseguiu esse moletom? Desculpa te interromper assim, é só que eu achei ele realmente bonito e tudo mais." Perguntou, curioso com qual seria a resposta da garota, já que sabia que não pertencia a ela.
phxsehee:
Aprontou-se ao fim da confirmação do encontro, vestiu uma roupa casual por não saber exatamente para onde iriam já que aquele por trás das mensagens fazia mistério. Ainda sentia-se inseguro com tudo aquilo, tinha medo de se tratar de uma emboscada ou algo do tipo… Entretanto, a quadra de tênis ficava perto da casa de Sehee, caso fosse necessário correr do sequestrador seria rápido alcançar um local de segurança. Enquanto borrifava mais um pouco do seu perfume favorito, J’adore Dior, o celular em seu bolso vibrou notificando uma nova mensagem sobre seu encontro às cegas. O remetente em questão já se encontrava no local combinado, espiou pela janela para confirmar avistando o carro estacionado com o pisca-alerta ligado. Caminhou até a entrada da quadra despretensiosamente enquanto sentia a brisa da noite, sorriu para a silhueta através do vidro fumê ao se aproximar do carro, ouvindo o som da tranca destravando.
“Boa noite.” Proferiu com um sorriso assim que o rapaz no interior do carro abriu a porta para si. “Muito obrigado, como você está?” Sentando-se na poltrona de passageiro, apalmou o tecido da calça e ajeitou o cabelo soprado anteriormente pelo vento exterior. “Então, do que se trata todo esse mistério? Aposto que tem uma reputação a ser zelada.” Aquele ao seu lado não se tratava de um desconhecido, Park Taedong e Choi Sehee de fato haviam se encontrado diversas vezes em festas do condomínio, mas pela falta de afinidade entre suas famílias não haviam tido a chance de se comunicar propriamente. Sehee pessoalmente não apoiava os falsos valores pregados pela família Park, todo aquele teatro de bons moços caridosos lhe dava nos nervos, e estar agora secretamente junto do filho mais velho da família um tanto cômico para si.
Taedong havia perdido a conta de quantos vezes suspirou dentro daquele carro enquanto esperava a figura masculina aparecer. Sentia-se angustiado de uma forma que sequer conseguia explicar, os dedos batucando na direção como se aquilo de alguma forma fosse o acalmar. Não estava fazendo de errado, certo? Ele não estava realmente indo para um encontro com um garoto que mal conhecia, não. Ele estava atrás de informações e apenas aquilo, mas ainda assim, era estranho e no mínimo estressante. Não era de seu feitio, afinal.
Conseguiu ver a silhueta do garoto se aproximando do carro, destravando as portas e abrindo por dentro mesmo a porta para ele. Não queria que o vissem, por mais que não houvesse realmente alguma atividade por ali por perto. O italiano não conseguia sorrir de verdade, mas tentou mostrar ao menos um projeto de simpatia para o mais jovem quando ele se confortou no banco do passageiro. "Boa noite." O respondeu, evitando qualquer contato visual ao concentrar-se apenas a sua frente. Respirou fundo, voltando a trancar as portas do carro antes de voltar a falar alguma coisa. "Eu preciso de ajuda com algumas coisas e pelo amor de Deus, não pense nenhuma besteira, eu explico quando estivermos longe daqui." Tentou ser o mais direto possível, desligando o alerta logo depois para que pudesse finalmente ligar o carro. "Agradeço se colocar o cinto." Pediu, só então passando a olhar o garoto, para confirmar que ele o faria.
O italiano não sabia como agir, falar, sequer sabia para onde ir. Ele conhecia bons restaurantes, conhecia realmente bons lugares onde poderiam conversar sobre negócios e apreciar uma boa comida, mas não conseguia lembrar de nenhum que fosse de fato bem reservado. Sempre conhecia os chefs ou no minimo alguns funcionários que de longe estranhariam sua companhia. Limpou a garganta. "Você conhece algum lugar onde ninguém reconheceria a gente? Eu não consegui pensar nisso."