Existe uma casa no meu peito, uma pequena porta onde leva para pequenos degraus. Logo do lado uma lareira, que em bons momentos me mantem aquecido. Naquele aconchego em um momento especial que aquece o corpo. E logo perto, existe uma poltrona e uma estante, onde carregam tantos pensamentos, carregam memórias, histórias que contam sobre dias chuvosos que afloram sorrisos, e dias ensolarados que regaram o solo. Mas existe uma parede com uma rachadura. Um machucado que cresce ao decorrer dos anos. O carpinteiro já veio. Já tentei esconder com quadros bonitos, mas a rachadura sempre aparece. Em certos dias, as pessoas conseguem vê-la, enxergam a parte que estraga a casa, veem o machucado, a cicatriz que nunca some, mas em outros eu consigo esconder a bagunça. Enfeito com pinturas, com cortinas ou afloro sentimentos, coloco arranjos, espalho confetes como um dia de carnaval.
Existe uma pequena casa no meu peito, com uma lareira, uma poltrona e um quarto bagunçado e lençóis jogados na cama.
Mas também existe uma rachadura que não consigo concerta-la.
Piano Velho









