Apesar de ter dois artigos para escrever Frost não se importou em ficar com as filhas naquela noite, os três sempre se divertiam muito juntos. Seja quando Mel lhe fazia um milhão de perguntas enquanto ele cozinhava o jantar ou com Hyacinth tentando chamar sua atenção e conseguir um ataque de cosquinhas vindas do pai. Tudo corria bem até a caçula comer um pequeno pedaço de abacaxi cristalizado, de alguma maneira o doce parecia ter lhe feito mal. As horas seguintes foram extremamente desesperadoras, além da febre e do vomito, Hyacinth tinha tido uma pequena convulsão que logo tinha sido controlada por um feitiço simples de cura. Ainda sim, Frost fez uma rápida poção de Wiggenweld. O aspecto verde e viscoso não era convidativo para uma criança mesmo assim e garotinha tomou tudo sem pestanejar, lembrando ele de si mesmo quando tinha aquela idade. Frost colocou as garotas para dormir e com uma historia - ou três - elas adormeceram, levou algumas horas para ele ficar convencido de que tudo estava bem e deixa-la sozinhas.
Tinha tomado um longo banho e ainda sim, demorou quase duas horas até Dafne chegar. Uma grande parte de si queria gritar mas a outra, bom, a outra não tinha certeza que aquilo valeria a pena. Deitado na cama ele podia sentir o odor do álcool, fazendo-o levantar imediatamente. ‘‘Claro, foi incrivel. Quer saber da minha parte favorita? Quando a Hyacinth teve uma convulsão e precisei executar um feitiço, claro, depois fazer uma poção só pra ter certeza de que ela não morreria enquanto dormia. Um dia incrível, como foi o seu, querida?’’ As palavras eram acidas e carregavam um grande peso junto ao tom de voz irritado de Frost, se sentia cansado e a experiencia daquele dia tinha sido pior do que desgastante. Ver sua filha daquele jeito o fez pensar que não conseguiria a ajudar, assim como não conseguiu ajudar a sua falecida família.
Conforme ele falava, o sorriso desapareceu dos lábios de Dafne e um enjoo, que não tinha nada a ver com o vinho que ingerira mais cedo, se instalou em seu estômago. Sua filha quase morrera enquanto ela estava fora, se divertindo. Tinha duas emoções conflitantes dentro de si no momento: de um lado a preocupação com a filha, que junto com a culpa por não estar lá quando a filha precisara; do outro, a frustração por não poder ter um diz sequer para si mesma que o universo inteiro parecia entrar em colapso, unida com a raiva que estava crescendo nela pelo tom de Frost. Ele estava a culpando? Era isso mesmo? Entenderia melhor o ponto dele se estivesse sóbria, mas por mais que o choque tivesse cortado um pouco o efeito do álcool em si, ainda não era o suficiente para que ela controlasse a raiva. Se virou para olha-lo, sentando com as pernas cruzadas na cama deles, e cerrou os punhos em seu colo. --”Você está me culpando por isso, Windfrost? É isso mesmo que estou ouvindo? Puta que pariu, eu não posso sair de casa que se acontece alguma coisa é culpa minha, aparentemente. Eu não posso ler mentes, Frost! Não mais, pelo menos. Eu não tinha como saber que minha filha ia quase morrer hoje, se eu soubesse eu teria ficado em casa e levado ela no hospital, ok?!”-- seu tom foi aumentando em quanto falava até estar, sem perceber, gritando com ele. Secou as lágrimas presas em seus olhos e respirou fundo antes de voltar a falar, em um tom bem mais baixo, quase sussurrado. --”Ela está melhor? Você conseguiu descobrir o que ela tem?”--