Hoje, desisti de vivenciar uma experiência incrível. Está acontecendo um evento para pessoas que querem ser instrutores de dança. De fato, não sei se é isso que quero para mim. Tenho minha profissão — sou pedagoga. Mas, desde que me entendo por gente, amo dançar.
Lembro-me de quando criança, minha mãe me buscava na rua porque eu estava lá dançando e dizia que estava fazendo um show. Na quinta série, minha mãe foi chamada à escola porque eu estava dançando em cima da mesa. Em outra escola, participei de um show de talentos, e o grupo dançou a música "O É o Tchan". Naquela época, eu não me sentia insegura, nem tinha medo — ou pelo menos achava que não.
Não me lembro exatamente, mas, do sétimo ano em diante, começaram os grupinhos de dança na escola. Fiz um teste, e minha irmã dançou comigo. Na hora, errei toda a coreografia. Sentia-me pressionada diante dos outros me avaliando. Mesmo assim, passei. Mas fiquei insatisfeita, pensando que tinha ido horrivelmente mal. Nos ensaios, que frequentei umas duas ou três vezes na casa de uma das meninas, eu sentia tanta vergonha que não conseguia me soltar e dar o máximo de mim. Então, desisti.
Anos depois, no ensino médio, dançava na casa de uma amiga. Queríamos montar um grupo, mas não foi para frente. No segundo ano, conheci pessoas que tinham grupos de dança e se apresentavam em casas de shows. No terceiro, entrei para um grupo que se chamava Aero Mania. Fui feliz lá, mas confesso que isso também gerou traumas.
O espaço que deveria ser para errar — os ensaios — me causava medo. O grupo tinha uma parte masculina e outra feminina, com ensaios separados. Eu me sentia julgada e avaliada o tempo todo, então não dava o máximo de mim. Não me permitia errar e recomeçar. Nos shows, eu não era escalada porque não conseguia participar bem dos ensaios e aprender as coreografias.
Quando estávamos na pista dançando, eles riam do meu jeito de dançar. Sei, no fundo, que estava retraída. Até onde deveria haver diversão, eu me sentia avaliada. Uma vez, me escalaram, e fiquei uma manhã inteira ensaiando com uma amiga. Quando chegou o show, errei a coreografia inteira. Fiquei remoendo isso por meses, até desistir de ser dançarina.
Em 2016, comecei a frequentar batalhas de rima com uma amiga do Espírito Santo. Foi quando conheci um amigo que dançava breaking. Fiquei maravilhada vendo ele dançar, mas acabei entrando no mundo da rima. Participei de algumas batalhas, mas sempre com insegurança, sentindo-me pressionada e avaliada. Eu me comparava aos outros. Como havia poucas mulheres, sentia-me oprimida também por isso. Mais uma vez, desisti.
Em 2017, comecei a faculdade e me afastei das batalhas. Mas me reaproximei da dança indo a rolês de hip-hop. Esse mesmo amigo do breaking me levou para meu primeiro rolê de hip-hop em uma casa de show. Fiquei fascinada vendo todos dançando juntos. Tive vergonha porque "não sabia nada".
Em 2018, entrei oficialmente para o Vertentes Urbanas, um grupo de dança que, inicialmente, oferecia oficinas para quem não podia pagar. Foi uma jornada e tanto. No final, apresentamos um pequeno espetáculo, se não me engano, em 2019. Lembro-me de que, na primeira coreografia, algo mágico aconteceu: pela primeira vez, senti-me tranquila. Senti a música, cada passo. A coreografia era no estilo tutting, que eu achava que não seria capaz de dançar. Já na segunda coreografia, errei tudo por nervosismo.
Depois que o grupo acabou, continuei dançando com uma amiga que foi minha professora de tutting. Com ela, senti que estava evoluindo. Ela me mostrava que eu era capaz, e me sentia incrível. Mas a pandemia chegou e interrompeu tudo.
Nesse período, engravidei e tive depressão e ansiedade crônicas. Retornei à faculdade no segundo semestre de 2021 e só consegui um emprego como professora em 2023. Passei por muitos desafios — familiares, psicológicos, dores físicas. Comecei a fazer terapia e, com isso, pensei nas possibilidades para 2024. Minha meta era praticar exercícios físicos e voltar a dançar.
Este ano, em maio, entrei para a academia. Lá, têm aulas coletivas, incluindo dança. Foi quando retomei contato com minhas raízes: o funk. Não que o hip-hop não seja parte delas, mas meu primeiro estilo de dança foi o funk.
Lembro-me de chegar acanhada, cheia de vergonha, ficando sempre no fundo da sala. Hoje, fico na primeira fileira, sendo uma das mais animadas. Porém, basta sugerirem que eu passe uma coreografia, e já começo a tremer. Penso que não consigo, que sou descoordenada, que não sei ensinar. Então, digo que "não sei" e "não consigo".
Mas me divirto muito. Saio de lá feliz, sorrindo, sentindo-me bem.
Este texto tem uma segunda parte, que faz parte do dia de hoje, 8 de dezembro de 2024. Acordei me sentindo triste e, após uma tentativa de tomar o café da manhã, comecei a chorar demasiadamente. Meus dedos estão dormentes de tanto digitar, mas eu precisava contextualizar minha história com a dança. Ainda acho que deixei muitas coisas de fora.
Aguardem a segunda parte, onde falarei sobre o motivo deste choro tão intenso.