
❣ Chile in a Photography ❣

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⁂
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@poesialmando
eu vou levar o por do sol pra assistir você.
@szramchy edit
hoje eu lembro de ter me sentido um pouco louca por causa do dia em que eu te falei sobre ter medo de ir embora e você me lembra um monte de coisa por isso eu me acho tão fora do controle tão longe de mim e tão, mas tão desesperada por qualquer coisa que segure meus medos. desculpa depositar tanta coisa em você, mas é que eu tenho excessos que são esculpidos pela lâmina de algo intangível e esse algo tem nome mas eu não te contaria nem em segredo.
teve um dia que você me falou sobre achar que eu te superestimava e eu sabia que isso era verdade porque afinal eu era apaixonada não sei se ainda sou e provavelmente eu seja por muito tempo porque ninguém nunca foi como você e eu não sei o que faltou mas eu já finjo que nem ligo enquanto me dilacera e eu me pergunto quão louca ou quão obsessiva ou quão covarde eu sou nesse momento porque depois de dias eu ainda me pergunto o que tá acontecendo e eu vejo que não sei.
hoje eu tinha prometido à mim mesma que deixaria um grande silêncio romper a tarde porque eu não queria parecer que tava sendo chata ou que tava sendo demais ou que tava enchendo a paciência ou que tava sendo sempre o desaguamento ridículo de avalanche de coisas que eu sou. você deveria ter se afastado antes. você deveria ter ido embora quando pode porque eu sou sempre essa bagunça e esse caos que vira um tormento e ninguém precisa lidar comigo e com minha bagunça e com minha ansiedade e com os dias que to anestesiada e com os dias que não consigo fazer nada
desculpa por te falar tanta coisa sobre mim mas eu já perdi o medo e isso é perigoso eu preciso falar menos mas tem dias que eu não consigo e tudo o que eu faço é te agradecer continuadamente por ser simplesmente você, mas eu sei que você não vê em si as coisas que eu vejo e pensa que eu te coloquei em um pedestal e talvez eu tenha mas eu já percebi o tamanho da queda e eu juro como vou parar com isso e vou deixar toda minha admiração escrita só aqui quando tiver vontade de te dizer as coisas que não posso
eu juro como vou falar menos pra não te deixar sentir como eu ainda sinto muito e pra você não pensar que eu carrego os fantasmas da rejeição. eu carrego mas você não vai mais ver isso. eu poderia tentar ser fria chata distante mas eu sei que não consigo e você sabe que eu não faria isso e eu vou continuar assim com esse meu jeito de quem não desiste de quem vacila mil vezes e continua no mesmo lugar mesmo que de joelhos esperando até que a carne vire pele arranhando no chão: você dói mas também eu sei que às vezes me salva de desacreditar de tudo e eu te escrevi mensagens ontem chorando porque doeu muito em mim alguma coisa que eu não sei. eu te escrevi chorando como já fiz outra vez no dia que você tinha dito que me amava e eu não sabia o que fazer. eu não sei o que fazer com esse amor atravessado até hoje.
eu sei que tem coisa diferente demais na gente e eu não quero que nada disso dê certo porque eu sei que não vai dar certo nunca mas ao mesmo tempo é exatamente como eu te disse que aconteceria: a gente se encontrou no meio dos escombros. desculpa mas é como se fosse toda uma ruína colidindo no meio do mundo e ainda assim eu consigo ver uma pequena coisinha que me diz pra continuar e eu não sei se isso é você, e espero que não seja. se eu pudesse te pedir uma coisa seria para nunca, nunca mais, desejar que algo tivesse dado certo.
a gente foi feito pra dar errado e isso é a coisa mais certa que eu já consegui enxergar. dar errado também é caminho e eu sei que é o nosso.
- facebook: e. alagados
toda vez que escrevo sobre alguém
dá errado.
não vou pronunciar teu nome, então.
s u b m a r i n e
me fode cara
eu não aguento mais esse teu chove-não-molha, não fode mas não sai de cima. me fode cara, me deixa molhadinha, me tira do eixo, do chão, me faz perder os sentidos. me pega de quatro, de lado, de costas, de frente. me faz sentir, gozar, gemer. me faz tua mulher. me ama. no quarto, na sala, na cozinha, no banheiro. me pega de jeito. do jeito que só você sabe. do jeito que só você sabe fazer. me domina por inteiro. só não fica assim como você está. eu quero foder, foder até amanhecer, eu só quero foder com você. só com você.
eu estava falando pro Jorge que um dos motivos que me fez colar a boca na dele foi o profundo desrespeito que ele tinha pela poesia em si eu gosto dos rebeldes dos desgarrados de quem faz arte só pra provar que é o mesmo que ir ao banheiro e não fazer sequer força tá tão na porta e é tão natural que você não só pode como deveria tentar: eles só não querem que você faça a gente ria, sabe? dos desesperados porque deveria ser fácil, deveria ser bom, mas era tão ardiloso o jogo de quem é melhor que você ou não existiam os que a gente gostava e os que a gente não gostava. nenhum critério, só identificação depois a gente bebia e combinava de tirar sarro a gente ia ao museu e ficava entre risinhos. esse era o nosso código: a total falta de consideração em casa, expostos, ele chorava porque o jornalismo era sua vida e eu o olhava com um certo cuidado porque eu tinha meus códigos, dizia. e vocês sabem, não existe nada menos acolhedor que números. ainda assim, só eles me traziam conforto.
(e eu não era uma artista. seria um desgosto pra família. ele me olhava e dizia: o mais bonito em você é sua razão além de tudo. é raro um homem que diz que temos razão. não é mesmo, meninas?)
é claro. ele seria um filho da puta um tempo depois. e trataria de me destruir completamente. mas enquanto estávamos discretos nas nossas sombras, ah! era absurdamente maravilhoso o ritual de se desfazer de tudo, de contestar tudo, de discutir tudo. eu me sentia tão viva, tão eu mesma. mas sabe, eu só era jovem e como tudo que é jovem
eu era burra. burra mesmo. bem burra.
hoje eu sou menos burra que naquela época. e o Jorge é menos filho da puta e a gente ainda vai a museus e sai entre risos. porque dentre todas as coisas que a gente aprendeu, existe sempre a rebeldia. a certeza de que a poesia não deveria estar num altar, mas no chão. suja como todo o resto da vida. só que pra muita gente ela está e agora nós não fingimos que somos os únicos a saber disso. de qualquer forma, há sempre o desacato
precisa haver o desafio ou então nada muda.
eu disse isso a ele: a gente precisa tacar fogo nas coisas e então construir coisas novas. ele perguntou “donnie darko?” eu disse “coletes amarelos” (ele riu) a poesia é de quem não presta, sabe de quem não tem onde cair morto
é por isso que eu sempre amei os desajustados. eles me lembravam mais dela do que qualquer biblioteca silenciosa demais pra beleza gritante das coisas todas
eu vejo as pessoas com seus medos e com suas coisas miúdas e nessa noite eu já assisti um monte de filme que fala simplesmente sobre tudo aquilo que o amor não é, sobre o que poderia ser e sobre todas as coisas que eu não toquei. hoje eu percebi como sentia falta de deixar um espaço nos móveis porque no fim dói ver minhas coisas todas empilhadas durante tanto, tanto tempo.
eu não sei o que é amor mas eu só juro como do fundo da minha alma carente que não sabe o que o amor move e que só queria um abraço e um cuidado e um carinho no fim da tarde porque eu juro como sei esperar por algo ou alguém que não vai chegar
eu escolheria amar uma pessoa e não somente uma relação se tivesse chegado perto da última vez que pude de tocar um coração e segurar uma mão perto de mim. bem nesse sofá onde eu to sentada agora escrevendo isso foi onde eu sentei com ele e acreditei que aquilo era amor e não era. nesse sofá eu acreditei que poderia amar alguém e nesse mesmo sofá eu vejo que não amei e me pergunto se eu seria assim, amável
pequenas lágrimas saem do meu olho direito e eu não sei o que significa: se é alegria ou felicidade.
hoje eu to pensando no amor e em quantas pessoas eu deixei de conhecer. eu pensei em como as pessoas me veem e me perguntei insistentemente se as pessoas me viam como algo que não seria tão amável e objetável assim.
eu vi um vídeo que dizia que o amor é tudo. e que o que não é amor é um pedido de amor. se for assim eu clamo e peço amor todos os dias nas coisas que eu existo nos lugares que chego nos textos que escrevo. eu sou um grito em uma tentativa desesperada de ser amada de ser aceita de ser ouvida de ser cuidado e eu aceito tudo e qualquer coisa sem pensar duas vezes porque eu me acostumei a aceitar migalhas porque ficar sozinha já não é uma independência ou orgulho mas uma dor amargurada de suportar. eu suportei e já cortei meus pés varias vezes em outras relações.
isto é um pedido de amor e ninguém precisa pedir por isso e desculpa escrever assim mas eu não queria sentir minhas lágrimas assim tão perto mas é porque eu sinto que tenho uma capacidade de regeneração e que as coisas estão sendo sentidas e eu vou me desdobrar quantas vezes forem possíveis pra ver os abismos
eu sei que vou ser sempre a mesma pessoa que não desiste e que tá sempre ali e que se empolga demais e mostra mil coisas e que se mostra demais e desculpa mas eu nunca, nunca te trataria como os outros porque você não é. hoje eu senti sua falta e eu sinto sempre porque eu sei que você não tá bem e desculpa não ser a pessoa pra quem você pode vir na minha casa e passar a tarde comigo sem fazer nada porque eu só queria uma mínima chance de te fazer acreditar no mundo de novo e eu não sei o que precisa pra isso acontecer mas quando eu penso sobre amor eu penso sobre você que me ensinou sobre cuidar das pessoas e sobre segurar crises mesmo que seu mundo tenha caído por dentro. você me fez querer ser uma pessoa melhor, sabe?
eu vejo as pessoas com suas fotos irretocáveis e com suas vidas que se lustram por aí nas fotos e nos vídeos que jogam na internet como se fosse algo importante demais. eu sou uma bagunça machucada que se esquiva dos tigres que tentam romper as cercas: você criou coragem pra atravessar algumas coisas mas acontece que já passaram pessoas na minha vida que pularam os muros e deixaram os escombros no chão. pra você eu abri a porta.
eu abriria varias vezes porque eu me dei conta que amor talvez seja deixar algumas coisas entreabertas
- e. alagados
você seria uma parte de mim? eu perguntaria, porque aquele dia eu não pude esquecer
o mundo brinca pouco a pouco com você e eu não sei como dizer que não consigo pensar mas só porque domingo é meu pior dia da semana e eu não pude esquecer da forma como você se vestia e da forma como me tocava e da forma como dedilhava os caminhos que eu tinha e da forma como me olhava e era tudo tão inexplicável que eu não tentar escrever aqui
já tem tanto tempo desde que as coisas aconteceram mas tudo o que se passa aqui é o fato de que eu não tinha opção e quando se trata de você eu não tenho saídas
fico me perguntando se toda essa minha carência virou dependência relativa e absoluta ou se virou sede de imaginar que um dia você iria me recobrir de toda expectativa mas sendo que agora eu já me despi e contrai e já deixei de lado qualquer coisa que te envolva (e eu to acreditando nisso hoje)
desculpa mas eu preciso me desculpar por ser desse jeito contigo
fico me perguntando desde que dia eu deixei de imaginar que você seria um vício para meu coração ardido e cheio de lembranças mortas e tragédias e coisas incertas e traumas e agonias e soluços e crises até que eu descobri que ninguém precisa lidar com isso além de mim e que nada da gente não ter chegado perto de nem um quase não ter sido culpa sua e eu nem me arrisco a dizer de quem seria
você seria uma parte de mim se eu sorrisse baixinho e te pedisse no dia que a gente foi naquele show e cantaram alguma música sobre conhecer alguém
mas essa pessoa era você e agora não é mais
- e. alagados
sou o tipo de pessoa que manda fotos do fim de tarde aleatoriamente e tenho preferência por mandá-las tremidas porque eu gosto do caos da bagunça e das coisas que não são percebidas:
tudo em mim parece um espasmo de ser notada de ser amada de ter atenção de aliviar minhas carências e de ser alguma coisa: acontece que de tanto esperar por algo eu tentei dar demais de mim e isso não se recobre porque eu sei, juro como só eu sei sobre como não se dá pra preencher feridas emocionais com outras
não tente me impedir de achar que tudo perto da gente beira à loucura ou à normalidade porque eu me nego a achar que estou entre dois extremos de alguma coisa que não tenha três lados
mas hoje eu não quero escrever de você porque eu preciso parar com essa mania ridícula de pensar que ainda sinto coisas por pessoas ou por coisas que eu já tentei dessentir e desacreditar de tudo o que tentaram me dizer na noite passada
não me deixa aqui sangrando as coisas que eu não disse e lendo e relendo e existindo sem ecoar em nada e recriando minhas palavras no fundo das tragédias que eu me salvei na minha cabeça
eu sou o tipo de pessoa que pode te escrever mil e um textos se eu sentir que tua sensibilidade tocou a minha de alguma forma e isso é quase que instantâneo: quando me toca eu me abro quando não me toca eu me fecho
- e. alagados
pedro, faz muito tempo que eu não desabafo aqui. nos últimos dias eu falhei. me entreguei a vícios e maus hábitos. voltei com quem eu disse que não queria ver nunca mais, eu falhei. mas isso não tem me corroído como de costume. eu fui nadar, hoje e ontem, e estava frio demais, mas mesmo assim eu fiquei na piscina. também tomei coragem de começar a academia. agora eu vejo futebol. eu fumo. eu bebo. não me importo de sair sozinha, tenho sido suficiente pra mim. fiz um bolo de pote e a janta. montei o prato de uma criança e tive o cuidado de cortar mini tomates ao meio. eu to mudando, pedro. as coisas estão clareando. vou começar a faculdade, mas não sei o que esperar. eu não me dedico mais tanto assim à minha arte. eu parei de escrever e de sentir tanto. percebi que no final, sentir muito não me leva a lugar nenhum. eu me despedi de velhos apegos. guardei meus livros num quartinho, ele fica do lado de fora do meu apartamento. eu fui até outra cidade pra beber catuaba em cima de um morro, perto de uma estátua. agora eu como wasabi com qualquer peixe cru, ou qualquer coisa fresca. eu deixei conversas serem só conversas. terminei aquela série, amei o final. mas aquele livro continua fechado na metade. eu ainda não comi pizza doce. ainda não fui atrás daquele guri. ainda não me dei certas chances. mas vou indo. como num suspiro longo.