As poucas certezas que tenho brotaram daquela terra, acessíveis (às mãos que cavam como quem reza ou como quem ama), sustentadas (pelo cristal do meu coração).
— Pry Arankié para Poésie Moi

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As poucas certezas que tenho brotaram daquela terra, acessíveis (às mãos que cavam como quem reza ou como quem ama), sustentadas (pelo cristal do meu coração).
— Pry Arankié para Poésie Moi
Sem muita cerimônia, precisei me redescobrir.
Na minha cabeça, havia duas de mim:
Uma, intocada.
A outra... tentando não se quebrar.
Primeiro de tudo, senti a crueza da culpa - intensa, esmagadora, tão pesada que, por vezes, achei mesmo que ela seria capaz de colocar meu peito em chamas.
Senti culpa por não ter conseguido ser incisiva o bastante e pedir ajuda mais cedo. Senti culpa por não ter tido informações mais cedo. Senti culpa até por coisas que eu jamais poderia ter sabido de antemão. A culpa, no final das contas, não é necessariamente lógica ou fundamentada... Exatamente por isso, é uma armadilha tão perigosa.
Logo depois, uma nova tarefa: surgiu nítida a necessidade de (re)conexão com minha essência humana. Pouco a pouco, com dolorosa (muito dolorosa) persistência, eu me movimentei para superar a crença da "falha biológica", aquela que me levou a me ver como um erro, um glitch, um problema, uma forma de existência que seria eliminada pela seleção natural.
(Respiro...)
Hoje, por fim, às vezes rápida, às vezes lentamente, eu semeio a construção da confiança. O perdão de mim mesma, claro, e a construção da confiança (e da esperança).
Minha batalha não é melhor ou pior, mais válida ou importante do que a de ninguém - mas é minha, e, portanto, eu sinto orgulho dela.
Quando me lembro das dificuldades que supero a cada manhã, coisas que não estão no radar da maioria das pessoas, obstáculos nos quais elas jamais tiveram que pensar, eu consigo (racional e emocionalmente) reconhecer o valor desta vida - esta aqui, que rego, nutro e protejo para que possa florescer. Em meio a tanto ódio, intolerância e indiferença ricocheteando pelo mundo, se essa ação diária vale algo, acho que ela é merecedora do amor que houver disponível.
Quando ninguém mais puder ou conseguir enxergar, dentro de mim eu confirmarei o valor de uma pequena luz.
Caderninhos - capa nº2: Nápoles — Pry Arankié para Poésie Moi
Caderninhos - capa nº 1: Cerejeira — Pry Arankié para Poésie Moi
Não deixe o vazio como desculpa pra que desconheçam que tua saliva queima, tua língua absolve, teu passo abre crateras na terra seca, divide montanhas ao meio.
Vamos, então, chamar este tabuleiro de: “Não prive o mundo de conhecer o teu nome”.
— Pry Arankié para Poésie Moi
"Unusual Totem or The Flying Hope"; Pry Arankié para Poésie Moi
Material: cinzas de árvores da Mata Atlântica - um ato pela preservação
Ano: 2022
Naquele corredor rarefeito e tumultuado, naquele dia de cortinas sobre o céu, naquele assento em que a única luz capaz de me iluminar teria de vir de dentro de mim, naquele abismo onde a vida não nasce e o perdão é tão precioso quanto uma fonte de água, contei cada instante pela pausa entre uma decisão e um juramento, e minha respiração os selou.
— Pry Arankié para Poésie Moi
Aquilo que grito a plenos pulmões - e mesmo que eu não queira - continua sendo minha mais profunda forma de segredo.
— Poésie Moi
São só alguns passos.
Daqui até a escada da piscina - passos.
Daqui até o topo do meu monte favorito - passos.
Daqui até a beira do prédio, a beira da loucura ou a beira do seu lado do sofá naquela noite - passos, passos, passos.
O barulho das sandálias, tênis e scarpins me mostrou a medida da plenitude. 15, 40, 3. Estive exatamente onde queria estar.
— Pry Arankié para Poésie Moi
Meia-noite: Joy Division ou The Smiths?
Nascer do Sol: Troquemos por três margaridas.
Meia-noite: Você me promete, então, que vou me lembrar do beijo dele pela manhã?
Nascer do Sol: Eu prometo que ele vai estar pensando no seu beijo quando me sentir.
E, sim, você ainda vai se lembrar dele quando eu lhe tocar.
— Poésie Moi
Te sinto num canto guardado
Sem intenção
Que reconheço
Dentro de mim
Como latência
Inconsequente
E revolta
Porque pura.
Te sinto uma lembrança doce.
Te sinto uma lembrança dura.
E escrevo pra que não me parta, pra que não me rasgue, que não me destrua
Saber que, apesar de tudo,
Eu me sinto sentindo-me tua.
— Pry Arankié para Poésie Moi
Se suas palavras fossem minhas, elas teriam um gosto diferente?
— Pry Arankié para Poésie Moi
Quando ela estava com a Máquina 0 na mão: “Vou passar. Você está pronta? Você tem medo? Quer uma música?” “Eu tenho medo de 3 coisas; essa não é uma delas. Vai.”
Pedacinho do meu primeiro livro.
— Pry Arankié para Poésie Moi
Transparência
Vive em mim um diamante
Com muitas faces,
Divisões sábias que me arrepiam.
Eu o chamaria “luz e som” pelos estímulos a que responde.
Mas
Também o chamaria universo derretido em chamas.
Ou sopro da minha respiração.
Eu o encontro na textura da minha pele, na temperatura do meu corpo, na frequência sonora que sai dos meus lábios.
A nota do meu riso, a nota da minha plenitude.
Cada curva da minha impressão digital tem pó de diamante.
— Pry Arankié para Poésie Moi
Inside
Eu tenho essa coisa pulsando dentro de mim. Ela sabe que é real, verdadeira. Ela existe e quer existir. Os meus dedos ralam as teclas pretas e brancas para dar alguma forma ao que, de completo e por premissa, nem caberia ser expresso.
Eu vislumbro tudo; todo o desejo, todo o impulso, e quase posso tocá-los. Um fino tecido nevado recobre o que brilha e a coisa grita!
Ela se contorce e me avisa que é fera cutucada. Eu acaricio meu pequeno tigre e ele toma consciência de si. De que É.
— Pry Arankié para Poésie Moi