“É que eu sou fraco, frágil e estúpido pra falar de amor.”
— Jão.

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@poetiza-lo
“É que eu sou fraco, frágil e estúpido pra falar de amor.”
— Jão.
mas é que eu realmente gosto de te devorar com os olhos antes de tocar tua pele.
eu não tenho pressa em te amar.
“Abra os olhos. Há encantos escondidos por toda parte.”
— Padre Fábio de Melo.
“Não sei como alguém consegue fechar a janela sem observar os tons do céu. Eu adoro quando é fim de tarde e as nuvens ficam meio rosadas, acho lindo. Me dá uma paz grande, daquelas que chegam metendo o pé na porta do coração, sem bater nem nada. A paz chega e se instala como se fosse de casa há tempos. É aí que eu vejo claramente: tem gente que desaprendeu a enxergar.”
— Clarissa Correa.
o cigarro posto em contato com a sua boca lhe confere uma sensação-juvenil-transgressora — inocente. caminhando, parece que revela ao mundo as suas fragilidades disfarçadas de transgressão.
tragando e pensando, sob a ilusão de ótica faz escorrer entre as nuvens a fumaça baforada que morosamente lhe amarga o tato da língua. recorda uma canção de Elis, embora Cradle Of Filth lhe apraz mais, e assobia baixinho o desalento de uma comunhão mal atada.
canto melodioso…
atesta que quer mesmo prosseguir o seu passear por estas vias urbanas, abarcadas por estes conjuntos habitacionais malacabados, revestidos de um tempo preciso através do qual fumar ainda era um luxo.
a possibilidade do retorno é um perigo para quem sabe que a vida é corrente — penso.
e eu o escuto por dentro: "é no agora onde o meu corpo mora. mas é de outra luz que eu sinto falta.”
Nietzsche Cywisnki
Pintei seu rosto no quadro da minha memória. Você é a minha obra de arte preferida. Nessa Cross
O mundo é cruel. Você não tem que ser.
te peço desculpas pelo transtorno mas saiba que eu também sou vítima de mim
“Nem tudo que é bonito vai te fazer bem quando te tocar.”
— Coco Chanel
ser excesso
quando tudo em sua
volta parecer vazio.
“Não sou interessante pra todos, e nem almejo ser. Me contento com o desprezo de muitos e o amor de alguns.”
— Sean Wilhelm.
“A eternidade se faz no instante, a ausência se declara no momento, o desamor rompe o apego e a morte se dá pela vida. Tudo que existe parte do pressuposto contrário, pelo seu mais tênue desígnio paradoxal. A luz só preenche algo anteriormente escuro, assim como o vazio te corrói após algo destruir teu conteúdo. E é assim que a vida caminha: a saudade abraça a amargura, a tristeza beija o desapego, o desamor conquista a mentira, o adeus desata o carinho e com isso eu deixo você. Te deixo porque na eternidade eu senti a saudade, na tua ausência senti a tristeza, no desamor senti a angústia e em minha vida te digo adeus, pois você é o meu desígnio paradoxal, meu mais doce objetivo inalcançado, uma vez que tudo que entra na minha vida tem a possibilidade de deixá-la também.”
— Gabriel Malaquias.
O que me resta
Assim que ele se foi lembrei-me dos meus amores antigos. Visitei na memória cada um que partiu, reli os textos de alguns, revi as fotos de outros. Ainda havia guardado lembranças materiais de boa parte deles. Um pingente, uma camisa, um livro. Todos deixaram algo para trás, comigo. Mas este último, foi o que mais coisas me sobrou. Uma flor murcha entre as folhas de um livro que não sei mais se terminarei, pois o cheiro da rosa já impregnou em todas as páginas... Ah claro! Outra coisa que deixou foi seu cheiro na minha mente, sua blusa de frio no meu guarda-roupa, seu amor dentro de mim. Me deixou beijos, momentos e sonhos. Me deixou esperanças perdidas e uma possibilidade de futuro frustrada.
Eu sempre soube que uma hora iria acabar. Mas quando essa hora chega, nunca nos conformamos, não é mesmo? Sempre parece cedo demais, rápido demais, doloroso demais. Apesar de que a não surpresa me trouxe um ar de alívio do tipo “ufa! O pior já passou”.
Não é bom, nem fácil, por isso desaconselhável, iniciar uma relação já com a pretensão de um dia acabar. Cada dia dessa relação é dolorosa e agoniante, sempre à espera do fim, sem saber que horas irá chegar, sem saber se o melhor é temer ou ter prazer sem a preocupação da dor futura.
Ele me deixou belas histórias, um beijo da chuva, flores no chão, um poema escrito na parede. Mas de tudo o que ele me deixou, o que mais me restou foi saudade.
Sabíamos viver de verdade.
Aproveitando cada minuto intensamente sem pensar em consequências futuras. O perigo tornava tudo mais gostoso, mais inesquecível. E quando quase perdemos nossa liberdade, você me olha sorrindo, puta que te pariu que sorriso, me deu a mão e disse ‘é a hora’. Hora de fugir de novo, de recomeçar. Pinta o cabelo, faz a barba, usa a blusa vermelha que odiava, mas continuamos iguais, roubando prazeres da vida e ultrapassando limites que nunca existiram pra nós.
Éramos como bonnie e clyde.
Estou impaciente como se eu não pertencesse a esse corpo. Cada parte de mim está agoniada, coçando, tremendo para não estar ali.