“ —— Gostaria que as coisas fossem simples assim. Cantar ou esperar pelo final. Infelizmente, em ambas situações, as pessoas também passam por um bocado até que o final feliz chegue. Só que no nosso caso, infelizmente, eu não consigo ser positiva o suficiente para achar que vamos ter um final feliz. Mas acho que tentar ser realista é o que vai me manter viva no final, sabe? — deu de ombros, voltando o seu olhar para a garota. Gostaria de poder sorrir como ela lhe fazia agora e até forçou um fraco sorriso para ela, só que não conseguia ser tão fingida daquela forma. Não que Alice achava que a garota estivesse sendo fingida, pelo contrário, sorrisos eram raros e genuínos naquele ponto em que estavam e era uma pena que eles não eram uma dádiva da qual a garota de cabelos curtos pudesse partilhar. Se sentiu mal por ter sido a pessoa a tirar o sorriso da garota, mas se o irmã dela não havia sido mordido, havia alguma esperança de que talvez ele só estivesse no lugar errado e que logo mandariam ele de volta para casa. —— Ei ei, se ele não foi mordido isso é bom. É bom, ok? Eles podem ter se confundido. Talvez tenham mandado ele para os militares, quem sabe? Para que ele voltasse e ficasse junto das pessoas que estão lá, sendo protegidas. Esses erros acontecem, não é nada demais. Pode não ser nada de mais, tá bem? — tentou acalmar a garota e devolver à ela a sua esperança afinal não era como os seus avós, ele estava bem, tinha sido levado por engano. Ninguém faria mal à ele. —— É, eu tenho de vez em quando. Acontece quando as coisas estão agitadas demais ou acabo numa situação extrema demais. Eu viro uma completa inútil. Começo a sentir falta de ar, não consigo pensar direito nem fazer nada e não queremos isso. Então eu sai e vim respirar um pouco. ”
Anne sabia que nem todos tinham a mesma forma de pensar como ela. Talvez fosse apenas uma pequena porcentagem que ainda mantinha sua esperança intacta, conquanto, a morena já havia se pegado pensando muitas vezes se realmente havia motivos para ter esperanças porque, mesmo que não parecesse, Anne tinha receio de criar muitas expectativas e no final descobrir que fora tudo em vão. Mesmo não conhecendo a outra, passou a admirá-la em segredo pois ela parecia ser tão forte e da maneira como falava parecia que já estava preparada para qualquer desventura que pudessem passar, já Anne não tinha esse pensamento e uma dúvida passou a sua mente naquele instante: e se a situação piorasse e, por conta de sua esperança cega, Anne acabasse morrendo? “Ser realista nos tempos de hoje me parece ser uma ideia inteligente....” Ela murmurou, mais para si do que para a outra, então assentiu e desviou seu olhar querendo, na verdade, desviar as dúvidas que tinha. Parecia realmente muito simples, afinal era só cair na realidade e perceber que o mundo não era mais como antes e havia uma probabilidade tão pequena de uma cura que não poderia nem ser contada, mas para Anne que viera de um lar religioso era algo quase como que impossível talvez até mesmo uma meta inalcansável. Era tolo de sua parte alimentar a expectativa, porém, ao pensar no irmão, um sentimento muito bom e positivo tomava conta de seu corpo então será que ela realmente estava agindo errado ao pensar que, talvez, houvesse alguma chance para a humanidade? Conforme as palavras alheias iam lhe acalmando, Anne mordeu o lábio inferior e afastou as lágrimas que se acumulavam nos cantos dos próprios olhos dando-lhe um sorriso fraco mas sincero. “Eu sinto muito, mesmo. Não sei como é a sensação de ficar sem ar ou ficar dessa maneira mas imagino que deve ser muito ruim.” Anne franziu o cenho, pensando por alguns segundos para por fim retomar a fala. “Eu acho que todos nós precisamos respirar um pouco... Está tudo uma loucura.. Quero dizer, o mundo não devia ser dessa forma, deveríamos estar em casa comendo uma pizza e aproveitando a vida.. Mas, veja só, estamos tentando sobreviver e tentando fazer cada respiro valer a pena. Isso não é vida.”