ATHENE IDRIL OSTBERG | VINTE E TRÊS ANOS | FC: MARIE AVGEROPOULOS
Ela é um pouco diferente, parece ser tão fria quanto gelo. No entanto, seu interior ostenta um grande espetáculo de sentimentos.
Athene era para ser como qualquer outra mulher. Nasceu em solo norueguês, mas sua mãe mudou-se para os Estados Unidos logo após a morte de seu pai. Fixaram-se em Nova York e foi lá que sua mãe conheceu o vício as drogas, e isso a levou a ruína. Sua dívida ultrapassava os cinco mil dólares, e agora, estava jurada de morte caso não pagasse. E ela, de fato, não pagou. Quando Athene possuía seus cinco anos, sua mãe foi assassinada pelos conhecidos Goretti, uma gangue que começava a ganhar espaço na cidade. O chefe, Iacopo, ao ver Athene sozinha, a tomou para si. Foi o pior que poderia ter acontecido a ela.
Athene foi treinada durante o restante de sua infância e parte de sua adolescência. A jovem cresceu sem quaisquer demonstrações de afeto e suporte, tal qual toda criança precisa ter. Aos dezesseis anos, Athene tornara-se uma espécie de Matadora de Aluguel particular dos Goretti. Como se tal horror não bastasse, Iacopo, sabendo que o corpo da jovem era uma máquina sangrenta de matança, viajava pelo país competindo nas mais variadas competições de luta clandestina. Seus oponentes o temiam, pois Athene não o fez perder uma luta sequer.
Quando a jovem completou seus vinte e três anos, Iacopo Goretti não tardou a ir para a lista de procurados da Interpol. Devido à ligação, o nome e rosto de Athene dividiram espaço com o de Goretti na lista, fazendo com que ambos fossem criminosos amplamente procurados. Lembro-me de ouvir os demais funcionários de Goretti falar sobre ela, o quão estranha e calada era. De fato, em todo esse tempo como conselheiro de Iacopo, nunca ouvira sequer a garota falar uma só palavra. Contudo, ela não precisava. Sua boca jazia em silêncio, mas seus olhos gritavam por socorro.
Comecei a analisar a jovem quando vi que ela olhava as pessoas da rua de forma diferente. Lembro-me que, ao pararmos num posto de gasolina para abastecer o Rolls de Iacopo, Athene observava uma mãe com seu filho de forma não apenas curiosa, como também como se o quisesse. Era um campo completamente desconhecido a ela, e foi aí que eu comecei a sentir pena. Todos os dias, ao fitar o rosto de Athene, tudo o que eu conseguia me perguntar era: Como eu poderia livrá-la daquele tormento?
Quando a infecção se alastrou por Nova York, vi que seria a oportunidade perfeita para ajudá-la. Assim, escrevi esta carta e pedi para que ela o guardasse no bolso. Quando o galpão de Iacopo foi invadido pelas feras e ele ordenou que ela matasse a horda, mesmo sabendo que ela estava sendo lançada aos braços da morte, mandei que ela saísse dali o mais rápido possível e que, caso ela encontrasse alguém, pedi para que ela lhe entregasse esta carta. Espero, de todo o meu coração, que ela tenha conseguido fugir e que esteja viva.
Se a encontrou, por favor, cuide dela. Mas tome cuidado: Athene é violenta quando se sente ameaçada. É apenas instinto protetor. Você entende, não é?