Ela soube logo que elas saíram os tipos de brechas que suas palavras tinham deixado. sabia também sabia que James Potter não era o tipo de pessoa que costumava deixá-las passarem despercebidas, especialmente se elas pudessem ser usadas na missão de atiçá-la, por isso, sentiu-se preparada quando a cutucada, por óbvio, veio “Of course” começou “Allow me to help your mental state Potter” deixou que uma das suas sobrancelhas se arqueassem “By coming back to the ordinary event of me calling you absolutely infuriating then, before you start hallucinating any other unexistence meaning behind my words” Potter being Potter e ela bem… sendo ela. era no que costumava resumir todas aquelas discussões, o que, dadas as circunstâncias atuais na qual Lily se encontrava, era uma normalidade até que bem recebida “which, before you start Pottering, is a favor i’m doing for Madam Pomfrey… i couldn’t imagine her humor facing the potential risk of treating your mental health in addition to your physical one” e abriu um pequeno sorriso somente porque, diferente do que tinha acabado de dizer, conseguia imaginar sim. seus pensamentos, entretanto, dissolveram-se com as próximas palavras dele e o ato de rendição feito com suas mãos, Lily precisou, novamente, se impedir de sorrir simplesmente porque tinha um fascínio (as vezes nada saudável) de estar sempre certa e ganhar discussões, especialmente quando essas discussões eram com o dito cujo a sua frente, não conseguiu evitar entretanto inclinar a cabeça para o lado e semicerrar os olhos levemente “Ok… let’s see how long this one is going to last”.
E era enquanto pensava em algum outros pontos condizentes com o trabalho que desenvolviam naquele momento que sua linha de raciocínio foi cortada com a pergunta dele “And of course it lasts less than a secon-” se interrompeu novamente porque percebeu que o motivo pelo desvio de assunto dele era sua caneta. franziu o cenho imediatamente “It is actually- wait - you know how to recognize a muggle pen?” não conseguiu esconder a surpresa revestida de curiosidade na qual sua pergunta saiu banhada “I mean- i suppose Remus would tell you things about this but still… i don’t think i could guess you’d be able to recognize it” na realidade Lily não conseguiria listar nem dez bruxos puro sangue que se interessariam o suficiente em cultura trouxa para conseguir reconhecer uma caneta, ainda mais uma como a dela que já tinha alguns anos de uso por seu próprio pai (em sua ânsia por juntar a maior quantidade de canetas possíveis Lily acabou deixando o critério totalmente de lado) “It’s absolutely better than a quill but it presents itself as a real bummer when the ink runs out and I need to change the filter. With no surprise whatsoever the total of zero establishments in Hogsmead have this sort of filter and then i just need to try and fill it out with magic which defeats the purpo-” percebeu, com uma leve dose de horror, que estava tagarelando na presença de James Potter, o que era uma novidade, e Lily não tinha nenhuma facilidade em lidar com novidades “Anyways, the points” por isso tentou, tentou, trazer a conversa e o rumo para o propósito daquela noite mas James Potter pelo visto não tinha os mesmos planos, porque não satisfeito em surpreendê-la uma vez, surpreendeu duas e na segunda ela precisou parar bruscamente de andar para recuperar o fôlego que pelo visto tinha perdido em algum lugar do caminho alguns segundos atrás “Did you just-?” ok, agora ela já estava começando a se irritar com suas falhas em concluir seu próprio raciocínio “Potter did i just hear you saying you play The Beatles? You must mean another band because you can’t possibly know the Beatles…” ou era possível que ele soubesse sim? piscou algumas vezes para tentar espantar um pouco da expressão em choque que ela sabia que carregava no rosto. quando Lily pisou para fora do dormitório naquele dia ela sabia que precisava se preparar, se preparar para aturar James Potter como companheiro de ronda, se preparar para aturar sua ladainha constante, suas piadinhas e tiradas e para longas horas de discussões, mas ela nunca, nem em seus momentos mais elucidativos, poderia imaginar se preparar para ter uma conversa sobre música trouxa com ele. acabou soltando, por fim, uma risada em descrença “Do i? They’re my favorite band! I suppose you’re just waiting to tell me you know Queen as well?” o mesmo tom de descrença de sua risada em suas próprias palavras.
James não pôde deixar de sorrir com a reação incrédula de Lily, a descrença dela apenas alimentando sua diversão. Tendo conhecido um ao outro pela maior parte da última década, a lógica sugeria que não haviam muitas coisas a respeito dos dois que pudesse causar genuína surpresa ao outro. Porém, quando se tratava de Potter e Evans, também era verdade quase absoluta que a convivência deles durante a maior parte desse período fora, além de pouco pacífica, majoritariamente superficial; fixos na mesma órbita, mas quase nunca se encontrando de muito perto. Por isso, James valorizava com apreço esses pequenos momentos, suspensos em uma realidade em que ele conseguia surpreender Lily positivamente com alguma coisa sobre ele. Para alguém cuja mente era tão brilhante quanto ele sabia a dela era, não considerava um feito pequeno ou simples de se alcançar. Mas algo melhor do que a sensação de deixar Lily Evans, uma pessoa naturalmente com o dom de ser bem articulada, sem palavras? Fazê-la tagarelar. Dez vezes melhor, conforme sugeria o calor agradável que preenchia o peito de James – ele não podia ver o próprio rosto, mas apostaria dez galeões que tinha um sorriso um tanto bobo marcado em sua expressão naquele exato insante – enquanto observava o entusiasmo da outra. “I’ve seen people using pens before, guess I got curious and asked around a bit.” Elevou os ombros, como se o fato de conseguir reconhecer o objeto não fosse nada demais. Na verdade não deveria ser, mas tinha consciência de que na realidade em que viviam, uma pessoa provinda de uma família inteiramente bruxa raramente demonstrava interesse em qualquer aspecto da cultura trouxa e essa era a regra geral; o caso ali uma tremenda exceção.
“Does it defeat the purpose, though? It seems more practical overall, so it wouldn't be a bad idea to explore magically refilling it. I’m fairly decent at charms and transfiguration, maybe we could look into it together as a little side project sometime. There’s only so much to be done at night on patrol duty.” Por mais que gostasse da sensação geral de ser bom em algo, nenhuma matéria por is só era capaz de fazer com que James se esforçasse mais do que tópicos específicos que captavam seu interesse peculiar. Dizer que era decente configurava certa modéstia da parte dele, considerando o trabalho extenso e avançado que tivera com os amigos para criar o Mapa do Maroto; a animagia, então, estava muito além da simplicidade que sugeria. Lily, no entanto, não tinha conhecimento de nenhuma daquelas coisas, então não era como se James pudesse demonstrar sua expertise com aqueles exemplos. “Well, I can play a few songs, yeah. But finding proper music sheets for muggle songs is incredibly hard, so it's mostly trial and error for me. I listen, attempt to replicate the sounds on my guitar, and often fall short until I manage to achieve something that vaguely resembles the right tune." James passou os dedos de uma mão pelo cabelo já naturalmente desarrumado, um gesto terrivelmente comum para ele mas que dessa vez escondia um quê de nervosismo, sem saber exatamente o porquê daquilo. Talvez estivesse ansioso em finalmente ter algo em comum com Lily que fosse óbvio e simples, em meio a um mar de infinitas características que pareciam diferir entre os dois na superfície. “I don’t think I know a whole lot about Queen, though, not off the top of my head at least. The Stones are my favorite. I’m convinced they’re incapable of putting out a bad song.” Ainda se lembrava da primeira vez que tivera contato com música trouxa e como, a partir dali, viu seu interesse pela cultura no geral genuinamente amplificado. “I dragged Sirius to this muggle shop in the summer and got tons of different records and a record player. We probably came this close to violating the statute of secrecy ‘cause I somehow managed to overlook the fact that muggles don’t use the same currency as us.” Pinçou o dedo indicador e polegar um contra o outro em frente da outra para demonstrar a dimensão da proximidade, embora fosse um claro exagero. O máximo que havia acontecido na ocasião real foi uma leve confusão da atendente que os auxiliou na registradora da pequena loja, mas James tinha um talento para a dramaticidade. “The record player doesn’t always work at the house and the sound quality is kinda quirky, but my mum’s now a big fan of this band called ABBA. Pretty bloody adorable to come into the living room and catch her mumbling the words to ‘Dancing Queen’. Worth every galleon, or british pound, if you must correct me.” Se antes já desconfiava expressar um sorriso bobalhão, agora temia que os limites de seu rosto não seriam suficientes para comportar o curvar largo dos lábios. “What’s your favorite song, by the way? From the Beatles or just in general. Perhaps it’s one I actually know how to play.” Ajeitou os óculos que haviam deslizados pela ponte do nariz para que pudesse focar melhor a imagem da jovem ao seu lado. Não podia falar por ela, mas Potter caminhava apenas no automático àquele ponto e suspeitava que, mesmo se o troll montanhês se jogasse no caminho deles no fim do corredor, James não conseguiria tirar os olhos dela, momentaneamente capturado pelo delírio de finalmente, maravilhosamente ter a atenção positiva de Lily sobre si. James Potter sempre foi acostumado com atenção, florescia sobre a pressão de um holofote, mas nada nem ninguém o fazia sentir tão singular quanto simplesmente ser visto por Lily Evans.