❛ o atendente se sente um pouco mal por chamar o mais velho de senhor, mas sempre fora muito educado e mesmo que a pessoa pareça jovem o suficiente para não ser chamada de tal forma, ele sabe que deve tratar todos com as palavras mais respeitosas possível. obviamente a manha não passa despercebida pelo coreano, que pondera o quão manhosa a persona a sua frente deve ser quando se trata das pessoas próximas a ela. isso faz com que um sorriso doce apareça nos lábios de forma discreta porém bem visível. antes que pudesse responder de forma educada que prometeria se cuidar melhor o homem termina com uma certa fala que o deixa assustado. deokhwan não tinha alguém que cuidasse dele e talvez jamais viesse a ter. pelo menos se dependesse apenas dele. não gostava de se deixar levar pelos sentimentos, não gostava da ideia de compartilhar seus segredos mais obscuros, não gostava de toques e intimidades além do limite que ele mesmo impusera, este que por vezes era absurdo no entanto o deixava confortável —— obviamente que haviam suas exceções, mas eram raríssimas. de fato, ele odiava o pensamento de alguém entrar em sua vida com grandes chances de repentinamente sair, largando-o em pedaços assim como acontecera não apenas uma vez. não iria mais permitir, não podia. com as bochechas levemente rosadas pela timidez (culpa da profundidade da pergunta), o rapaz balança a cabeça negativamente. ❛ não senhor, eu acho que sou suficiente para me cuidar. ❜ é de forma branda que responde, voltando a chamar o mais velho de senhor por não saber como chamá-lo já que não tinha conhecimento de seu nome. deokhwan prefere não aprofundar naquele assunto e logo passa o cartão, o entregando a máquina no aguardo do alheio inserir a senha.
assim que a voz suave toma posse do ambiente novamente o yoo não segura o olhar curioso. ele era faladeiro assim mesmo ou tentava puxar papo com sua pessoa ? a pergunta roda sua mente e o cenho se franze sutilmente, de forma praticamente imperceptível. ele parece preocupado de alguma forma ? porque alguém estaria preocupado com os maus hábitos de deokhwan ? era natural, como um instinto de médico ? o mais novo estava curioso, mas assim que nota o próprio olhar fixo na face alheia por mais tempo que o necessário ele desvia, voltando a fitar o balcão vazio. daniel lee. era um nome bonito para um rapaz bonito. e exatamente por ser bonito ele não entende o porquê da simpatia excessiva. deokhwan é muito detalhista e inteligente, ele sabe muito bem que não se deve sair dando atestado daquela forma e aquilo o deixa incrivelmente mais intrigado. contudo mantém-se calado e substitui a expressão curiosa por uma gentil. ❛ muito obrigado daniel-ssi. é muito gentil da sua parte. ❜ responde docemente, assentindo como uma promessa silenciosa de que faria se precissasse, o que era uma completa mentira, ele não faria.
Quando finalmente conseguiu arrancar um sorrisinho do outro rapaz, Daniel deu-se por satisfeito - por aquela noite. A faísca de interesse continuava piscando diante de seus olhos, e tinha certeza que daria um jeito para voltar a vê-lo; não sabia ao certo como ainda. Apenas que precisava fazer isso. A demora pela resposta - e a maneira com que ela veio - lhe deixou um tanto curioso, porém... Tinha falado aquilo apenas como uma brincadeira (uma com motivos claros para si, é óbvio, mas ainda assim) e ele parecia ter refletido antes de rebater. Qual seria o motivo? Deixou o questionamento rondar sua cabeça, inclinando-a para um dos lados. “Bem, então é um motivo a mais pra ser atencioso.” Concluiu, com um sorriso gentil no rosto; parte de si se preocupava mesmo com pessoas que se esforçavam ao ponto de não respeitar direito os limites de seus corpos. Principalmente no caso de rapazes bonitos que certamente ficariam ainda mais caso não estivessem visivelmente cansados por culpa de uma rotina pesada.
Depois de digitar a senha do cartão no aparelho e esperar que o objeto lhe fosse devolvido, guardou-o de volta na carteira, pronto para sair dali; já não tinha mais pretexto a recorrer para estender a estadia, a essa altura. Mas já tinha sido um encontro deveras interessante. “Eu é que agradeço. Boa noite.” A resposta veio acompanhada de mais um sorriso largo, dos que dava quando queria causar uma impressão em alguém, também - e sabia bem dos efeitos que conseguia ter sobre as pessoas. E enfim, recolheu suas sacolas para sair dali de uma vez, embora pretendesse retornar em outras ocasiões, talvez.
❛ o ruivo pensa que o elogio vem apenas porque daniel é gentil, mas não nega que também acha o ambiente confortável. e bom, se o mais velho dizia, por quê não decidir acreditar ? não era tão difícil confiar na palavra das pessoas assim, e daniel trazia um sentimento de confiança para o mais novo. isso era bom, certo ? ele acreditava fielmente que sim. não demora muito para que aponte os objetos que o moreno pede, o foco principal sendo a comida que já se põe a preparar de forma ágil uma vez que o tempo é curto. ❛ eu ainda estou surpreso de você ter adivinhado o único vinho que eu tomo… ❜ o coreano o olha divertidamente, os dedos enlaçando a taça que lhe fora oferecida e um quase inaudível ‘obrigado’ deixando os lábios. na realidade, era muita sorte do médico escolher até a marca favorita do yoo. ❛ não não, eu dou conta. ❜ antes de buscar outra coisa para dizer sente uma pressão no ombro direito, os olhos arregalando-se involuntariamente por culpa do susto. dy não espera tal ato vindo do mais alto, e mesmo que o tempo de duração tenha sido meros segundos, suas bochechas não deixam de adquirir o tão famoso aquecimento. os dedos projetando um pouco mais de pressão ao redor da taça fina sem ao menos perceber. quando o ruivo se dá conta, já não sente mais o calor quase enlaçando seu corpo. estranho é o sentimento que vem em seguida, como se algo ali estivesse faltando. o mais novo dá um gole breve antes de apoiar o vidro sobre o balcão da pia, querendo fugir daquele sentimento. ❛ na verdade tem algo que eu gostaria que você fizesse para mim… está na hora do nano comer, tem uma latinha de comida de gato na última porta desse armário, você pode colocar na vasilha preta fazendo o favor ? ❜ indica os lugares ao que fala, dando um assobio delicado em seguida, chamando o bichano para a cozinha.
Estava mesmo sendo sincero naquele elogio; espaços pequenos sempre pareciam ser mais fáceis de ser preenchidos com memórias agradáveis, até nos cantinhos mais complicados de se chegar. Sua casa, pelo contrário, tinha tantos cômodos que vários deles eram completamente estranhos para si, mesmo depois de quase um ano inteiro morando lá. O apartamento do mais novo era, em definitivo, mais acolhedor. “Eu tenho uma boa intuição... Mas deve ser algo com a cor. Rose suits you. Eu te olho e me dá vontade de te dar algo rose gold pra usar.” Tentou explicar seu raciocínio, com um riso breve ao final e mais um gole em sua própria taça; inclusive, fez uma anotação mental de realmente comprar algo daquela cor para dar à Deokhwan quando tivesse a oportunidade. Rosa combinava com ele - tanto metafórica quanto fisicamente, colorindo as bochechas dele com o tom adorável. “Tudo bem, então.” Manteve o sorriso discreto ao notar que tinha causado aquilo de novo com sua aproximação, mas não comentou mais nada, se resignando em apenas assisti-lo em silêncio antes daquele pedido vir. Assentiu uma vez, deixando a taça sobre o balcão e indo pegar a comida de gato onde o menor havia indicado. Abrindo-a sem muita dificuldade, despejou o conteúdo na vasilha, chamando o felino pra perto e se abaixando para lhe deixar um carinho entre as orelhas. “Seu gato é uma gracinha. Você o tem faz muito tempo, dongsaeng?” Questionou, curioso, o olhar alternando entre o gato e o outro rapaz. “Eu adoro gatos, mas é complicado ter na minha casa com todos os cães. E minha mãe é alérgica também... Ela já quase não para em casa, não quero que ela morra espirrando o tempo todo quando está lá.” Não era muito incomum que Daniel acabasse falando um pouco demais quando perto de Deokhwan; era como se estivesse o tempo todo querendo preencher o ar entre eles com algum contato, ainda que fosse só das vozes. À essa altura, o outro já devia ter acostumado.
Era um tanto infantil, provavelmente um dos pouquíssimos, raros, aspectos infantis em Kino, que fora forçado a crescer fora do tempo. Não conseguia se impedir nesse caso, pois era inconsciente. Daniel era o gatilho e Kino não saberia ser muito preciso quanto à razão, portanto, não saberia responder a pergunta que seguiu aquela que só o irritou.
O médico ter começado uma conversa consigo, fez Kino abrir mais os olhos só para rola-los, como se a voz alheia se dirigindo à si o irritasse de forma descomunal - esta era a parte infantil da coisa. Kino somente apertou os lábios um contra o outro e sorriu de forma que deixava óbvia que não era sincero. “ Boa tarde, hyung.” Só respondeu, ainda que somente em partes, por causa do olhar de sua vó. Ela que sabia da implicância de Kino com Daniel. O assentir satisfeito da velha foi a única coisa que Kino olhou antes de voltar com o cenho franzido e assistir abismado à presença alheia fazendo-se próximo à si. Podia ter seguido sua vó, não podia? Mas era óbvio (para Kino e suas paranóias) que o mais velho preferia ficar ali, pois aí ele poderia questiona-lo ou simplesmente irrita-lo mais.
“Você sequer tem algo com ela?” o garoto retrucou sem muito esperar; de supetão. Era uma pergunta retórica, porém - ou assim estava contando que fosse, ao menos. Não estaria preparado para uma resposta diferente do não. “Então sabemos que não é por ciúmes.” ele deitou as costas no encosto do sofá, escorregando a bunda um pouco mais para frente e afastando as pernas um pouco mais uma da outra. Inconscientemente, ponde-se numa pose qual o fazia sentir-se mais no domínio. “ Fará alguma diferença você saber?”
Não é que se sentisse muito incomodado com o jeito que o moreno lhe tratava; num geral, talvez fosse sim o tipo de pessoa que não lidava muito bem com rejeição ou o desgosto de outros por si. Era só em específico no caso de Kino que achava meio engraçado, porque simplesmente não havia razão - não que ele soubesse, ao menos. Isso fazia o médico classificar o mais novo como um tanto infantil, é verdade, e por isso a ideia de perturbá-lo um pouco lhe era tão atrativa. “Eu não tenho mais, você sabe.” Respondeu, curto; por mais que respeitasse muito a ex namorada (nem sequer teria começado um relacionamento com alguém que pensava não valer a pena, afinal) e não tivesse sido uma experiência de todo ruim, jamais teria algo com ela de novo.
“Nunca se sabe, a implicância pode ter começado naqueles tempos e permanecido até hoje.” Justificou-se, encolhendo os ombros; uma de suas sobrancelhas se levantou ao observar a mudança de posição dele. Kino parecia se esforçar pra passar a imagem de despojado e despreocupado demais pra conseguir convencer Daniel, que só manteve aquele sorrisinho provavelmente irritante no rosto, cruzando as pernas e apoiando as mãos com dedos entrelaçados sobre um dos joelhos; acentuando de propósito o contraste entre a postura do mais novo e a sua. “Não muita, provavelmente vou continuar achando isso engraçado... Mas eu não gosto de rejeição, então sempre fico curioso pra conhecer o motivo dela quando acontece.” As palavras foram escolhidas por si por um motivo; testes. Era sempre questão de testes e observação de reações para que descobrisse as coisas que queria saber sobre alguém.
A proximidade das festas de fim de ano sempre acabavam por ser uma faca de dois gumes para Jongin. Por um lado, o clima caloroso e amigável entre as pessoas lhe agradava, aquecendo seu peito outrora carente pelo mesmo tipo de afeto. Por outro, começava a pensar em excesso sobre coisas que apenas o direcionavam para um abismo deveras infeliz (em especial, pensava sobre sua família, e sobre as diversas vezes em que eles haviam acabado por falhar consigo). Talvez por isso o convite para sair tenha lhe parecido tão abençoado: era uma das poucas formas que conseguia parar de pensar, ato que até mesmo vinha fazendo com que perdesse o sono nas últimas semanas. As preocupações acumulavam-se de forma visível em seu corpo, apesar do esforço tamanho que o jovem fazia para escondê-las. A maquiagem não era o suficiente para apagar as olheiras que começavam a surgir, e até mesmo seu sorriso parecia deveras cansado. Ainda assim, tentou arrumar-se com o melhor que tinha (o que com certeza não era muito) para encontrar-se com Daniel, querendo evitar preocupar o outro, que com certeza já carregava demais sobre sua própria cabeça. Assim que o viu, optou por um abraço, permanecendo neste por mais tempo do que o necessário (de novo, a carência que o fim de ano lhe provocava), sorrindo ao afastar-se. — O que vamos aprontar hoje, Zuko? — ergueu uma de suas sobrancelhas ao pronunciar o tolo apelido, um riso curto escapando de si.
Finais de ano costumavam ser um pouco caóticos em sua agenda; sempre apareciam ainda mais eventos do que de costume e, como não gostava de ir sozinho (sempre morria de tédio quando o fazia), Daniel precisava encontrar mais pessoas para lhe acompanhar naquelas coisas. Sua ideia naquele dia, porém, talvez fosse um pouco... Ousada demais. Mas ainda valia tentar. Depois de ligar para Jongin e marcar um horário para saírem - felizmente estava de folga durante aquela tarde - foi tomar banho e vestir algo confortável. Decidindo sair no carro de sua mãe - era um sedã obviamente caro, oposto ao carro mais discreto de Daniel - apenas pela diversão, chegou para buscar o mais novo alguns bons minutos antes do combinado. Esperando-o distraidamente escorado no veículo, logo tinha um sorriso tranquilo no rosto por vê-lo se aproximar, correspondendo ao abraço e deixando um beijinho entre os cabelos escuros do outro. “Quero que você vá em um evento comigo, mas precisamos ir às compras pra isso... A não ser que você tenha um vestido formal muito bonito no seu armário e eu não saiba.” Respondeu, com um sorrisinho esperto agora, abrindo a porta do passageiro para que ele entrasse. “Você pode negar o convite, mas mesmo assim vamos no shopping, porque eu estou com vontade de te mimar hoje. E preciso de algumas roupas novas também.”
♒ Ainda que os primeiros anos da vida de Daniel tivessem sido extremamente difíceis, sua mãe tinha feito um ótimo serviço em transformá-lo em um menino mimado depois de lhe adotar e lhe dar de tudo do bom e do melhor. Por isso o médico nunca tinha se preocupado em aprender a cozinhar ou qualquer outra coisa relacionada à serviços domésticos, porque… Bem, ele nunca precisou, tinha quem fizesse isso para ele em casa, pra quê se dar ao trabalho? Não que se orgulhasse disso, também, mas não chegava a incomodar… Até conhecer Deokhwan. Por algum motivo, os encontros um na casa do outro para fazer alguma refeição se tornaram comuns entre os dois e… Se sentia um inútil assistindo ao mais novo fazer tudo sozinho. Era um sentimento novo também, mas quando se tratava dele, o que é que não era? Com um bufar, tentou desfazer o bico emburrado quase permanente que tinha no rosto desde quando o ruivo tinha mandado-o ficar longe das facas. “Ah não, cansei.” Resmungou, puxando as mangas do moletom que usava até os cotovelos antes de ir lavar as mãos; depois de secá-las em um pano de prato, se aproximou dele novamente, dando um leve esbarrão proposital na lateral do corpo dele, só pra implicar. “Sua missão agora é me ensinar a fazer isso. Eu ajudei a operar uma criança ontem, pelo amor de Deus, não pode ser tão difícil assim.” Disse, muito decidido, mesmo que soubesse que os protestos viriam; e quando vieram, fez o que qualquer adulto maduro, bem resolvido e que não aceitava ordens de terceiros faria: “Por favor, dongsaeng. Eu não gosto de ficar te olhando sem fazer nada.” Adicionou, num tom bem mais brando, uma das mãos indo ao queixo de Deokhwan para puxá-lo suavemente, obrigando-o a lhe fitar enquanto fazia um biquinho e sua melhor cara de cachorro que caiu do caminhão de mudanças. Esta foi substituída por um sorriso largo quando a resposta positiva finalmente veio, e não resistiu em roubar um selinho rápido dos lábios alheios. “Prometo que vou prestar atenção nas suas palavras e não na sua boca dessa vez.” Adicionou, num sussurro, piscando um dos olhos.
✿ “Just… Close your eyes.” Lá estava; o tom melódico e suave mas, ainda assim, incapaz de esconder a ansiedade e o leve tremular entre os sussurros da própria voz. Tempos atrás, deixaria-se rir de qualquer um que lhe dissesse que ficaria nervoso com a ideia de fazer sexo pela primeira vez com alguém, ou que esperaria um bom tempo trocando apenas carinhos não tão íntimos assim antes de, por fim, consumar o ato por completo. Ele nunca tinha esperado por alguém; mas ao contrário do que pensou de início, aquela não foi uma espera que o deixou impaciente: muito pelo contrário. Sentia que precisava de mais tempo. Que todos os beijos do mundo e todas as carícias que já tinha devotado a ele e espalhado pelo corpo que, hoje, conhecia em todos os mínimos detalhes, não eram suficientes para exprimir de maneira fiel e correspondente tudo que queimava dentro de seu peito a cada vez que o tocava, em momentos íntimos como aquele ou não. Ainda não era leviano o suficiente para achar que merecia ou devia fazê-lo; provável era que se condenasse um pouco mais ao inferno a cada vez que teimava em encostar naquele que era o ser mais puro que já tinha passado por sua vida com mãos que carregavam tanta culpa e tanto pecado quanto as suas. Mas não era como se estivesse lá muito preocupado com a perspectiva de uma eternidade de sofrimento; nem sequer por um dia achou que sua alma teria um destino diferente. Talvez o certo fosse ter se afastado do mais novo quando ainda tinha a chance, para livrá-lo daquilo também; só que não mentia ao dizer que jamais tivera aquela capacidade. Do dia que o tinha conhecido até os atuais, por mais que tivesse falhado em reconhecer e, posteriormente, tentado negar, estava fadado a dedicar à Deokhwan cada partícula boa que existia em seu ser. Sabia que a escuridão lhe espreitava e lhe tomava partes que não poderia mais reaver, mas esperava que seu auto-sacrifício fosse suficiente para salvá-lo. Se seu Deus era um deus justo, veria que tudo o que existia em si quando se tratava do ruivo podia ser avassalador e potencialmente destrutivo, mas tinha um nome bem comum. “Let me love you.”
Deixou que aquela confissão escapasse de si um momento antes que os beijos se tornassem bagunçados e sôfregos o suficiente para atrapalhar a fala; do mesmo jeito não muito autorizado (mas desesperadamente desejado) que o sentimento tinha crescido em seu coração, uma carícia delicada sendo deixava no rosto do outro em meio à respiração pesada que era uma só com a dele. De qualquer maneira, era sempre incapaz de formular frases inteligíveis quando sua atenção se dobrava inteiramente ao toque febril dos dígitos alheios em sua epiderme; as peças de roupa se tornavam obstáculos indesejáveis - quase ofensivos - quando isso acontecia, não demorando a dar um jeito de se livrar delas para que pudesse deixar os lábios distribuírem, livremente, carinhos e marcas por toda a tez imaculada diante de seus olhos. Jamais se cansaria de admirar as linhas e curvas que o compunham no que era, para Daniel, a mais bela das obras de arte trazidas à vida; e deixava todo esse fascínio e a paixão por ele explícitas nos elogios que tomavam caminho por sua voz sem que sequer precisasse pensar muito nisso. Sempre se flagrava sorrindo ao lembrar de quando descobriu o quanto aquilo funcionava como estímulo para ambos; e quando os protestos melódicos começavam a fugir do ruivo, por culpa de suas mãos - e seus lábios - estarem trilhando um caminho por seu baixo ventre e mais ao sul, para a ereção formada que não demorou para tomar em sua boca. A pressa era sempre sua inimiga quando se dedicava apenas ao prazer alheio, à prepará-lo para si, os dígitos úmidos pela boca dele pouco antes sendo usados para isso. E a visão que tinha enquanto o fazia… Luxúria seria pouco para descrever o que se refletia em seus olhos escuros cada vez que o corpo do menor se contorcia em reflexo e necessidade. No fim, suas vestes sempre ficavam por último; a intimidade atrelada à nudez sempre lhe fora algo incômodo ao lidar com outras pessoas, mas já tinha descoberto em ocasiões anteriores que até isso lhe fluía com naturalidade junto de Deokhwan. Fosse pelos corpos se encaixarem tão bem quanto se tivessem sido feitos para isso, ou pela conexão inegável que existia entre os dois. A pele dele contra a sua sem nenhum empecilho era um deleite por si só, o roçar dos corpos tornando impossível que conseguisse impedir os próprios gemidos roucos de se fazerem presentes. E quando deixou que as testas se unissem e o fitou tão de perto, a realização do que aconteceria fazendo seus batimentos subitamente mais fortes, respirou fundo para achar sua voz novamente, a destra segurando o queixo do rapaz com um cuidado que só dispensava à ele, ao que tinha de mais precioso. “Babe… Look at me.” Mesmo que tivesse dito exatamente o contrário não muito antes, apenas… Queria aquela troca de olhares quando, enfim, o fizesse seu - e se fizesse dele. Invocar todos os clichês ou todas as poesias sobre isso não seria suficiente para explicar o sentimento que tomou conta de si naquele instante - era algo esmagador, irresistível, completo; principalmente depois de capturar os lábios dele em mais um beijo, tão lento e apaixonado quanto poderia ser. Ah, sim, a palavra combinava bem, mesmo que se sentisse piegas demais ao pensar nisso mais tarde. Um arfar foi abafado contra a boca de Deokhwan conforme se mexia de novo, apertando o corpo menor carinhosamente entre os braços enquanto retirava-se quase por completo de seu interior só para voltar a unir os quadris, em um ritmo cuidadoso, que só aumentou - aos poucos - quando percebeu a mudança de tom nos gemidos alheios, os próprios também se tornando mais presentes conforme os corpos aprendiam a se mover na sintonia necessária para aumentar o prazer de ambos. Perdeu-se no tempo, nas sensações que atordoavam seus sentidos e nos sentimentos que pulsavam como sangue em suas veias; deu-se por si quando já tinha os fios claros do cabelo grudando em sua testa por causa do suor, a maneira com que as unhas do ruivo se cravaram impiedosamente em suas costas num dado momento sendo sinal suficiente para Daniel entender que tinha encontrado o ângulo certo para levá-lo ao clímax. Apoiando uma das mãos no colchão para manter-se onde estava, levou a outra ao íntimo do amante, envolvendo ali os dígitos em um estímulo constante que seguia o ritmo crescente de seus quadris. E nem toda a experiência sexual que podia já ter tido na vida iria se comparar ao que foi chegar ao ápice junto de alguém que, sabia com certeza agora, amava com cada átomo que lhe compunha. Era eufemismo até dizer que passou a entender o motivo que as pessoas chamavam isso de fazer amor; o que tinha acabado de acontecer ali era divino. Os momentos de êxtase provocados pelo orgasmo lhe fizeram perceber que aquilo era o mais próximo do paraíso que chegaria um dia. Não. Aquele era o seu paraíso. Escolheria a condenação eterna todos os dias em troca de tudo o que tinha sentido naquela noite sem nem pensar duas vezes ou olhar para trás. Precisou de algum tempo para que seus olhos focassem em algo novamente, e a respiração diminuísse de um arfar pesado para suspiros cansados - exaustos, na verdade. Era estranho se sentir tão emocional e fisicamente esgotado quando não se estava acostumado com a sensação mas, por fim, tinha um sorriso estúpido de tão satisfeito decorando seu rosto, um tanto corado a essa altura. Se retirando lentamente do mais novo, rolou sobre a cama para se deitar em suas costas e puxá-lo para se aninhar junto de si, pouco se importando se o que deveriam fazer era tomar um banho: isso podia esperar. Antes, precisava puxar Deokhwan para tão perto quanto as leis da física permitiam, os dígitos de uma das mãos contornando devagar as feições que estavam tão permanentemente marcadas em seus pensamentos. Precisava olhá-lo nos olhos e recitar sua nova poesia favorita mais uma vez. “I love you, Hwanie. I really do.”
[ 20181216, 02:45 ] Espero que tenha falado sério sobre querer assistir HSM comigo porque se for indiretamente o que os jovens chamam de netflix & chill hoje em dia eu vou ficar chateado. Não se brinca comigo quando se trata de filmes adolescentes idiotas.
Era esse tipo de coisa que lhe perturbava em, de certa forma, levar uma vida dupla (por mais que estivesse, há um certo tempo, com suas ‘segundas atividades’ paradas); os segredos, às vezes, lhe assombravam com a menção de coisas corriqueiras no meio de conversas que nada tinham a ver com isso. Yeoreum não sabia, não tinha como saber de nada, era mais do que óbvio. Mas as palavras pularam pra fora de sua boca mais rápido que ele pudesse controlar. “Eles não vão.” Respondeu, um tanto sério demais. Também era esse o problema de se estar com alguém que o deixava confortável ao ponto de fazê-lo não pensar tanto assim antes de falar - coisa que era regra quando lidava com qualquer um, salvo raras exceções. Com os pensamentos inundando sua mente rápido demais num curto período de tempo, ele até se perdeu na conversa boba que tinham sobre seu trabalho. “Ninguém se preocupa tanto assim em verificar mesmo se todos os atestados que eu dou são mesmo necessários… E meu supervisor confia em mim. Às vezes as pessoas só precisam mesmo de um dia de folga, o vício em trabalho é o mal de metade dos jovens de hoje em dia. O vício em álcool é o problema da outra metade.” Adicionou, ao fim, com um riso breve; que só convenceria porque ele era um bom ator. Tinha que ser. Ainda assim, talvez ela o conhecesse o suficiente para notar que algo em sua pose tinha falhado ali, mesmo que só por um instante.
A ligação de sua mãe mais cedo tinha deixado Daniel tão estressado que ele chegou a cancelar todos seus compromissos pelo resto do dia, indo se trancar em seu próprio quarto pra evitar fazer qualquer tipo de coisa impensada da qual pudesse se arrepender depois. O plano era também sumir das redes sociais, mas acabou deixando escapar por sms para Jongin sobre estar mal; e devia ter previsto que o mais novo iria acabar aparecendo em sua porta. Não tinha coragem de fechá-la na porta dele - e nem de ninguém - então acabou cedendo, deixando-o entrar, deixando-se desabafar… Só um pouquinho. Porque, no fim das contas, não podia contar seus problemas pra ninguém, podia? As coisas não eram tão simples assim para ele. Depois de algumas respostas evasivas e da fala do rapaz, precisou respirar fundo, toda aquela conversa não exatamente amenizando seu estado de nervos; mas jamais descontaria isso no menor, é claro. “Me escuta, Jongin.” Anunciou devagar, segurando o rosto do moreno entre ambas as mãos. “Eu adoro você, mesmo, sabe disso. Mas você não pode me ajudar nisso.” Apesar de serem palavras duras, Daniel tentou manter o tom de voz mais suave; não queria magoá-lo. Mas não estava no melhor momento pra confrontos e questionamentos daquele tipo. “Ninguém pode. Existem coisas sobre mim que estão fora do alcance de todo mundo, e não há nada que pode ser feito sobre isso. Então, por favor, se você quer mesmo me ajudar, só… Não fala mais nada. Só me deixa deitar junto contigo pra gente assistir qualquer merda na televisão pra me distrair, qualquer coisa, sério. Isso vai passar. Não se preocupe demais.”
What ringtone my muse has set for yours:In The Time Spent With You (Heize).
What contact photo my muse has set for yours:
What my muse thinks of the way yours texts:Ele acha engraçadinho, principalmente a mania de usar emojis.
How quickly my muse responds to your texts:Bem rápido. Até quando não deveria.
How often our muses text:Certamente não com tanta frequência quanto Daniel gostaria.
How often our muses call:Eles não costumam se ligar.
Does my muse purposefully miss calls from yours:Nunca aconteceu, mas não, ele não faria.
Last text sent from my muse to yours:[ 20181215, 23:41 ] Você sabe me dizer se ainda tem, hm, aquele cereal que eu costumo comprar lá onde você trabalha de vez em quando? O daqui de casa acabou, e não tinha no mercado que eu fui, mas me deu vontade agora… Não quero dar viagem perdida. :(
🐾 Do que você mais tem medo? Como acha que pode superar isso? // 🐇 Qual seu maior sonho? // 🍑 O que acontece com você quando está estressado?
🐾 Do meu psiquiatra estar certo sobre mim. E eu não faço ideia do que posso fazer sobre isso, e pensar no assunto me deixa ainda mais desesperado, então eu só finjo que ‘tá tudo bem e sigo com a vida.
🐇 Eu não sei…? Sentir algo por alguém, um dia, eu acho. Não penso muito sobre isso também.
🍑 Normalmente me isolo. Às vezes quebro algumas coisas. Não é uma visão bonita.
Human (Of Monsters and Men), Take Me To Church (Hozier), Devil in Me (Halsey), Prey (The Neighbourhood) e Death of Me (Verité) são definitivamente minhas músicas favoritas e a minha trilha sonora pessoal.
❛ nothing ever ends poetically. it ends and i turn it into poetry. all that blood was never once beautiful. it was just red. now it's all over my walls, coloring my flower paintings. ❜
Haviam algumas coisas na vida de Jinho que eram claras como a neve (como por exemplo o fato de que o sobrado que dividia com a mãe era uma zona e estava caindo aos pedaços). Outras, no entanto, não faziam sentido nenhum para o engenheiro. E a amizade com Daniel Lee era uma dessas. Ele não se lembrava direito o porque de terem se tornado amigos e muito menos entendia as razões que o levavam a ser tão descontraído com o outro. Mas talvez a coisa mais inexplicável daquela relação fossem os comportamentos no mínimo estranhos que o médico tinha de vez em quando, comportamentos esses que há tempos não incomodavam, embora ainda causassem certa surpresa. Por essa razão, quando ele anunciou que apareceria para jantar, Jinho apenas tratou de colocar um prato a mais na mesa e aumentar a comida no fogão, porque as visitas já estavam se tornando costumeiras. Mas não pode evitar um franzir de sobrancelhas ao ver o embrulho gigante que ele trazia. “Boa noite, querido.” respondeu, sem disfarçar a expressão de estranhamento e muito menos o bico emburrado que lhe veio aos lábios quando Daniel o ignorou.
Mas deixou aquilo de lado porque achou graça da animação de sua mãe em contar à ele tudo o que ela e seu grupo de amigas (todas aposentadas e divorciadas) tinham feito durante sua breve estadia em Seul. “Eu sei que a fofoca está ótima, mas alguém pode me explicar que porra é essa?” perguntou, num tom risonho, mas logo fechando a cara e corando quando a senhora o repreendeu por usar aquele tipo de linguagem na frente de um menino tão cavalheiro como Daniel. Ah, se ela soubesse… “Desculpa omma.” respondeu, a expressão logo se tornando carregada de descrença quando ouviu a resposta para sua pergunta. “Eu não sei se estou mais chocado porque você apareceu do nada com um fogão, ou porque ele coube aí dentro.”
Se alguém lhe perguntasse, também não saberia como diabos tinha ficado tão próximo de Jinho, ainda mais quando eram tão diferentes um do outro. Talvez por isso mesmo fosse tão interessante a dinâmica entre os dois; e ele era certamente o amigo mais importante que tinha. Alguém que o fazia se sentir... Humano, apesar dos pesares. Passar algum tempo na companhia do outro era como um pouquinho de paz e normalidade no meio do caos que sua vida era, às vezes. “É um presente pra você, poxa, olha como você fala comigo.” Respondeu à pergunta do outro, fazendo um biquinho falsamente magoado que acabou resultando em uma bronca vinda da mãe dele. Daniel acabou não resistindo a rir disso, balançando uma das mãos para a senhora ao seu lado. “Eu estava brincando, tia! Acredite, eu falo coisas bem piores quando não tem ninguém olhando.” Confessou, piscando um dos olhos de maneira meio cúmplice para o amigo; era verdade mesmo, provavelmente deixaria todo mundo chocado caso um dia vazassem o conteúdo de suas conversas com Jinho.
Com a pergunta seguinte, ele se levantou de novo, empolgado com o presente e a reação que os outros dois teriam diante dele. “É um daqueles cooktops elétricos! Por isso a caixa é tão pequena. A parte ruim é que não tem forno, obviamente, mas esse pode ser o seu presente de natal.” Explicou, enquanto pegava a caixa e entregava ao moreno para que ele abrisse de uma vez, rindo ao final da própria fala. Se Jinho não o impedisse, provavelmente Daniel não ia se importar em enchê-lo de presentes nada baratos sempre que tinha a oportunidade; ele gostava mesmo de dar coisas pras pessoas, e sendo ele uma de suas pessoas favoritas, era previsível que aquele costume ficasse pior. “Só vamos ter que descobrir como isso funciona, porque eu definitivamente não sei, só comprei porque vi que é o que usam no masterchef, então deve ser bom.” Continuou, dando de ombros, sem se importar demais; até tinham um desses em sua casa, mas a ahjumma que cuidava da cozinha sempre preferia o fogão tradicional, então perguntar a ela como usar aquilo não foi de muita ajuda, também.
❛ o timing fora tão perfeito que ele termina de colocar a blusa na hora que escuta a porta. não demora muito para que o coreano corra até a dita cuja, os cabelos levemente úmidos pelo banho recém tomado e a toalha por cima da cabeça. ❛ boa noite hyung ! ❜ responde com um sorriso quase ao nível do outro, apenas algumas doses excedentes de timidez. o mais novo dá alguns passos para trás permitindo que o outro entrasse e assim que este o faz, empurra a porta levemente até se fechar, o barulho tão comum da trava automática sendo ouvido antes da própria voz responder o convidado. ❛ hm, eu só gosto de vinho rose… se for esse que você trouxe saiba que fez uma pessoa muito feliz, se for outro sinto muito mas deixarei todo para você. ❜ fisga o lábio inferior com o dente ao que mostra um sorriso brincalhão. o mais novo caminha pelo curto corredor antes de chegarem a sala principal do apartamento, uma mão subindo até a toalha na cabeça a qual arrasta como se o secasse mais, os dedos logo passando por entre os fios vermelhos e úmidos os ajeitando quando apoia o pano no ombro. ❛ é pequeno mas eu espero que você se sinta confortável. ❜ o tom sai levemente acanhado por imaginar o tamanho da casa do médico. pelo menos ele achava aquele ambiente mais aconchegante que a mansão que costumava viver, esperava que o outro achasse o mesmo. antes de começar a cozinhar ele pede licença para estender a toalha que antes pendia sobre os ombros. ❛ aliás, espero que você goste de tteokbokki porque é o menu de hoje. ❜ diz ao que ligeiramente volta para a copa indo em direção a geladeira, um sorriso suave nos lábios quando procura os ingredientes para dar ínicio a preparação do jantar.
Não demorando a entrar no apartamento do mais novo depois que o mesmo lhe deu espaço para tal, a primeira coisa que fez foi dar uma olhadinha em volta, curioso; as residências das pessoas costumavam expressar muito sobre elas mesmas, e podia ver que aquele era o caso. Até sorriu curto, disfarçadamente, diante da conclusão que aquele espaço realmente combinava com Deokhwan. Só então é que voltou a prestar atenção em suas palavras, os lábios se entreabrindo numa expressão surpresa antes de soltar um riso breve. “Eu não acredito que acertei, então. Algo me disse que esse seria seu favorito, mesmo.” Comentou, um tantinho orgulhoso de si mesmo, o olhar ainda sustentando o do outro; era um tanto perceptivo sobre esse tipo de coisa, e ao menos aquilo lhe trouxera alguma vantagem. Acompanhando-o para deixar a garrafa de vinho sobre a mesinha em frente ao sofá, não demorou a balançar a cabeça, dispensando a fala dele. “Combina com você, na verdade. É aconchegante, mais que a minha casa, se quer saber.” Admitiu, com mais um sorriso no rosto; por mais que adorasse o luxo de sua própria casa, vivia lá muito mais por causa de sua mãe. Se fosse por si mesmo, teria um local menor e mais... Mais a sua cara. “Eu gosto sim! Sabe, sou péssimo na cozinha, se fosse exigente, já ia ser abuso.” Fez uma breve careta com a própria fala, enquanto abria o lacre do vinho e o observava mexer na cozinha. “Onde você guarda o saca-rolhas, aliás? E taças?” Pediu, em seguida, para que pudesse servir a bebida para ambos; esperou que o anfitrião lhe indicasse onde estavam os objetos que precisava, abrindo a garrafa e enchendo duas taças pela metade. Deu um breve gole na própria, se aproximando do ruivo para lhe oferecer a outra taça e espiar por cima de um de seus ombros o que ele estava fazendo. “Você precisa que eu ajude com algo? É só me manter longe do fogo que eu juro que tudo acaba bem.” Deixou escapar um riso soprado, chegando a apoiar o queixo por um instante no ombro do rapaz, antes de se afastar e decidir tomar a liberdade de guardar o vinho na geladeira.
Nahyun teria um blind date, não tão blind assim, estaria se encontrando com Daniel, uma figura bem conhecida de Hannabyul e a morena não podia negar que também era uma figura muito bonita. Não estava acostumada com encontros assim, mas tudo tem a sua primeira vez, não é!?
Nahyun estava alguns minutinhos atrasada, isso lhe irritava já que a culpa não era sua pelo atraso e também odiava se atrasar, não era coisa do seu feitio. Ao chegar ao local marcado, foi até a mesa e sorriu para o rapaz que já bebia um vinho que parecia ser tinto. — Oi… sinto muito pelo atraso, minha mãe ficou me atrasando no telefone. — Nahyun se sentou logo depois de pendurar seu casaco na cadeira em que se sentaria. A morena não tinha caprichado tanto em suas roupas, vestia um vestido preto curto e botas que iam até a metade de sua coxa, seu cabelo estava como sempre, liso e reto. — Você já pediu o que vai querer? — Sorriu novamente.
Por mais que tentasse ao máximo ser pontual em seus compromissos - e conseguisse, geralmente -, não era muito de se incomodar com pequenos atrasos alheios. Estava confortável e tranquilo tomando um pouco de vinho em um ótimo restaurante, pra quê se preocupar? Mas sorriu quando, enfim, sua companhia chegou, se levantando rapidamente para lhe fazer uma breve reverência educada. “Não é problema nenhum, não se preocupe. Você nem demorou.” Tranquilizou-a, com o acenar de uma mão e um sorriso um pouco maior.
“Não, só o vinho pra tomar enquanto te esperava, mesmo. Quis esperar sua opinião para escolhermos o que pedir.” Continuou, se recostando na cadeira para ficar mais confortável, depois de ter observado-a discretamente; mesmo que não parecesse ter se esforçado muito para se arrumar, Nahyun era o tipo de mulher que sequer precisava disso para estar bonita. “Devo pedir uma taça de vinho pra você também? Eles tem uma seleção ótima aqui, fiquei até surpreso.” Não que fosse um profundo entendedor daquela bebida, mas certamente tinha conhecimento o suficiente para ser ao menos um tanto crítico quanto ao tipo que mais gostava.
Dizer que reconheceria o cheiro de Daniel seria exagero, mas um perfeito para falar sobre como o primeiro incomodava-se com a presença do segundo. E, talvez, Kino de fato pudesse ser capaz de identificar o cheiro do ex-namorado de sua irmã e senhor príncipe perfeito, querendo ou não. Sempre fora bom com o olfato - muitos sentidos podem ser desenvolvidos quando se abdica da fala -, mas principalmente pois não era a primeira, tampouco a trigésima vez que Daniel surgia em sua casa. Sua vó, afinal de contas, gostava do rapaz assim como todo o resto da cidade, menos Kino. Mas para conseguir sentir o cheiro, teria que estar bem, bem mais perto e não um cômodo e metade de um hall de distância. O que fez Kino reconhecer a presença alheia em sua casa foi sua avó. Estava surpreso, para dizer o mínimo, e nada contente. Ergueu o olhar da tela do laptop, pronto para encarar o único cara daquela cidade para quem a bruxa sorria de uma ponta à outra.
Por mais que seu único namoro tivesse durado relativamente pouco tempo, tinha tirado dele algumas coisas boas, ao menos; com certeza a vovó Ryo era uma dessas vantagens. Daniel simplesmente adorava a senhorinha e a história e os boatos ao redor de sua família sempre lhe deixaram intrigado. De qualquer forma, era muito cômodo que ela simpatizasse logo com um médico já que, com a idade avançada, precisava de alguns acompanhamentos para garantir sua saúde; pela recusa dela de frequentar hospitais, Daniel não via problemas em visitá-la em casa para isso mesmo. Era sempre agradável conversar com ela e cuidar de pessoas era a segunda coisa que fazia de melhor em sua vida. Assim que chegou e foi recebido pela senhora, deu-lhe um abraço cuidadoso em forma de comprimento, os olhos seguindo para o local de onde sempre sentia (e via) Kino lhe mandando uns olhares pouco amigáveis. “Boa tarde, dongsaeng. Tudo bom?” Cumprimentou-o também, educadamente, como sempre fazia, mesmo que a atitude dele jamais tivesse mudado consigo. Nunca tinha se incomodado demais com isso, sempre mais preocupado em dar atenção à vovó Ryo quando ia na residência deles; aquele dia, porém, após o check-up de rotina ter terminado mais rápido que o previsto, achou que não teria problema em aceitar um cafézinho. E, enquanto a senhora ia pegar para si - depois de negar que o próprio médico o fizesse, mesmo que tivesse insistido - foi se sentar na sala, não muito longe de onde seu ex-cunhado usava o notebook. “Isso tudo é ciúme da sua irmã ou você tem algum outro motivo pra me detestar?” Questionou então, honestamente curioso, mas soando até descontraído demais.