“Porque o salário do pecado é a morte...” – (Rm 6,23)
Iniciemos este momento refletindo, primeiramente, sobre o pecado. Começamos entendendo a origem e o significado da palavra. A palavra "pecado" tem origem no latim peccatum, que deriva do verbo pecco, significando "tropeçar", "dar um passo em falso", "errar". Em hebraico, a palavra "pecado" é "חֵטְא" (pronunciada: chet). A palavra "לְהַחטִיא" (lehachti) significa "cometer um erro" ou "errar um alvo".
Depois de conhecermos o significado da palavra pecado, sabemos que pecar significa errar, dar um passo em falso. Mas não basta só saber o significado da palavra: é preciso compreender em que estamos errando, em que estamos dando passos em falso. A resposta para esse questionamento está no projeto de Deus para a sua vida. Sim, quando cometo um pecado, estou desfigurando aquilo que Deus pensa de mim. De fato, Deus nos deu o livre-arbítrio, mas também planejou um caminho para que eu possa encontrá-Lo e chegar ao céu. Quando decido não seguir, não dar ouvidos à voz de Deus, eu erro meu alvo principal nesta vida terrena, que é o céu.
Já aprendemos que Deus é amor. Então, o ato de pecar é uma ofensa a este Deus que só faz nos amar, que só quer nossa plena felicidade.
Sendo o pecado um ato pessoal, a Igreja classifica o pecado como venial ou mortal:
De acordo com o CIC (Catecismo da Igreja Católica):
– “Comete-se um pecado venial quando não se observa, em matéria leve, a medida prescrita pela lei moral; ou então quando se desobedece à lei moral em matéria grave, mas sem pleno conhecimento ou sem pleno consentimento” (parágrafo 1862);
– “O pecado venial enfraquece a caridade; traduz uma afeição desordenada pelos bens criados; impede o progresso da alma no exercício das virtudes e a prática do bem moral; merece penas temporais. O pecado venial deliberado e que fica sem arrependimento dispõe-nos, pouco a pouco, a cometer o pecado mortal. Mas o pecado venial não quebra a aliança com Deus” (parágrafo 1863).
Exemplos de pecado venial:
Omitir ou cumprir negligentemente as práticas espirituais.
Ter um afeto desordenado por alguém.
Ter demasiada estima por si mesmo.
Mostrar satisfação vã por coisas que nos dizem respeito.
Como lidar com o pecado venial:
Confessá-lo com arrependimento verdadeiro.
Enfrentá-lo com determinação.
Dar passos concretos na vida espiritual.
Corresponder às graças do amor de Deus.
De acordo com o CIC (Catecismo da Igreja Católica):
– “O pecado mortal destrói a caridade no coração do homem por uma infração grave da lei de Deus; desvia o homem de Deus, que é seu fim último e sua bem-aventurança, preferindo um bem inferior.”
– “É pecado mortal todo pecado que tem como objeto uma matéria grave, e que é cometido com plena consciência e deliberadamente” (parágrafo 1857);
– “A matéria grave é precisada pelos Dez Mandamentos, segundo a resposta de Jesus ao jovem rico: 'Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não defraudes ninguém, honra teu pai e tua mãe'” (Mc 10,19) (parágrafo 1858);
– “Acarreta a perda da caridade e a privação da graça santificante, isto é, do estado de graça. Se este estado não for recuperado mediante o arrependimento e o perdão de Deus, causa a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno, já que nossa liberdade tem o poder de fazer opções para sempre, sem regresso” (parágrafo 1861).
Exemplos de pecado mortal:
Matar (não implica apenas o ato, mas também a intenção — por exemplo, desejar a morte de alguém).
Adulterar (não implica apenas o ato, mas também o desejo por outra pessoa que não seja seu cônjuge).
Faltar à missa intencionalmente.
Observação: Não se pode comungar em estado de pecado mortal. É necessário se confessar.
“Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente […] come e bebe a sua própria condenação.” (1Cor 11,27a-29b)
Como lidar com o pecado mortal:
O pecado mortal pode ser perdoado através da confissão, também conhecida como Sacramento da Reconciliação. Para isso, é necessário arrepender-se dos pecados cometidos e ter o propósito de não cometê-los mais.
Este sacramento só pode ser administrado por um sacerdote católico, pois foi aos apóstolos que Jesus deixou esta ordem:
“Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20,23).
Nossos sacerdotes atuais fazem parte da sucessão apostólica.
Temos um Deus misericordioso, disposto a apagar nossas faltas através deste belíssimo sacramento e não mais se lembrar delas, mas sim nos devolver a dignidade de filhos amados.
“Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido.” (Lc 19,10)
O sacramento da reconciliação só é possível porque, antes de tudo, Deus Pai nos enviou Seu único Filho, Jesus Cristo, para remir o pecado de toda a humanidade. Ainda no início, em Gênesis, quando, por meio de Adão e Eva, a humanidade perdeu o direito de estar junto de Deus no paraíso, o Pai elaborou um plano para nos salvar.
Neste plano, Jesus — a segunda Pessoa da Santíssima Trindade — deveria descer do céu e se encarnar, ou seja, assumir a carne humana, nossa natureza frágil, e experimentar os sofrimentos e dores da humanidade. Ele se fez igual a nós em tudo, exceto no pecado.
Jesus se fez uma criança frágil, que precisou ser alimentada, cuidada. Trabalhou por muitos anos para prover seu sustento e, depois, se desgastou por três anos em sua vida pública, chamando a humanidade ao arrependimento e à mudança de vida. Foi traído e injustamente condenado à morte. E tudo isso para que eu e você pudéssemos ter o direito de entrar no céu novamente.
Jesus amou você até a morte. Não usou de sua condição divina para obter vantagem em nada. Simplesmente aceitou tudo para te salvar e te amar — mesmo conhecendo suas quedas e dificuldades. Ele não poupou nenhuma gota de sangue por amor a você. E faria tudo de novo, se fosse necessário, apenas para ter este momento de agora com você.
Para curar suas feridas, Ele sofreu feridas ainda maiores. Para te tirar de qualquer situação de pecado, Ele se deixou ser humilhado. Mas tudo isso pensando com amor em você.
O que Jesus pede de você, em troca, é apenas o seu coração — do jeito que ele está hoje: com as confusões, os tropeços, as dúvidas. Jesus quer o seu coração assim como ele se encontra. Ele quer te devolver a paz que há muito tempo você não sente. Ele quer te dar o amor que você nunca experimentou, devolver a dignidade e o sorriso no rosto. E a única coisa que Ele exige de você é o abandono neste amor sem limites.