Essa semana veio pra me lembrar de que o problema Ă© comigo sabe?
Faz um tempo, que eu tinha deixado de acreditar que eu era o problema. Eu gosto(ava?) bastante de mim. Eu sabia que eu era intensa, que eu esperava demais das pessoas, que eu dava demais pras pessoas, independente de quem fosse ou o que fosse. Eu amava tudo que eu conseguia. E tava bem com isso, por que eu tinha aceitado que o risco de quebrar a cara era enorme, mas eu preferia ele sabe? Eu gostava de sentir. Mesmo que sentir doa, eu prefiro a dor de estar decepcionada com alguém, do que a de não ter dado tudo de mim. Eu não gosto de me decepcionar comigo mesma.
Mas, essa semana, eu nĂŁo sei, nĂŁo sei bem o que aconteceu. Eu sei que um dia, eu acordei sem vontade de levantar. Sem vontade de comer, de sair do quarto, sem vontade de nada. Mas ah, Ă© sĂł um dia ruim, e nem tem nenhum motivo especĂfico, vai passar. Os dias passaram. Meu cabelo começou a pedir urgentemente pra ser lavado, as coisas que eu tinha que fazer começaram a se acumular, a janela do meu quarto tava pedindo pra ser aberta, e a bagunça pedindo pra ser organizada.
Eu queria conversar com alguĂ©m, mas eu nĂŁo sabia como pedir. Meus problemas pareciam fĂșteis demais atĂ© pra mim, quanto mais pra outras pessoas.
Jå era quinta feira e ok, psicóloga. Sai de lå decepcionada, com muita coisa pra pensar, mas me sentindo mais leve. E é óbvio que tinha que cair uma bomba pra foder de vez a minha auto estima né? Tinha muito tempo que eu não me sentia insegura como me senti nesse momento.
AĂ, a insegurança chegou, e com ela vieram vĂĄrias coisas que eu nĂŁo tinha saudade. Essa insegurança me faz sentir como se eu nĂŁo fosse boa o suficiente pra ninguĂ©m. Como se nĂŁo valesse a pena eu ser amada. Que eu sou a pessoa difĂcil sabe? Eu tenho um histĂłrico longo de relacionamentos que me fizeram mal. Um monte de situaçÔes que eu nĂŁo gosto de pensar, por que se eu pensar demais, vai virar algo tipo: se eu nĂŁo tivesse pedido tanto, nĂŁo teria acontecido isso. Eu nunca pedi tanto, mas tenta convencer a minha prĂłpria cabeça disso? Eu sĂł queria, sei lĂĄ, sentir que alguĂ©m me ama, ter alguĂ©m que me faz sentir bem comigo mesma. Tinha um cara, que me fez acreditar que eu era vĂĄrias coisas, e elas nĂŁo eram nada boas. Talvez eu ainda acredite um pouco nelas. Ă pedir demais que alguĂ©m me diga que eu nĂŁo sou? Ă pedir demais um pouquinho de reciprocidade?
SĂ©rio, minha cabeça definitivamente jĂĄ sabe que eu sou uma puta, vadia, convencida, mimada, egocĂȘntrica, egoĂsta, e por aĂ vai. Ă demais querer alguĂ©m pra me dizer o contrĂĄrio sem que eu tenha que pedir pra pessoa dizer?
Ou talvez, reconhecimento. Eu sempre lutei muito por reconhecimento. De qualquer um. Eu sempre fui a aluna nota dez na escola, pra poder ouvir meus pais dizendo que eu era inteligente. Eu sempre fui a namorada que fazia surpresas sem motivos, ou deixava bilhetes escondidos, sĂł pra pessoa se sentir amada. E aĂ veio a faculdade pra esnobar com a minha cara. Minhas notas abaixaram, eu passei a ficar mais longe de casa e meus pais antes tĂŁo orgulhosos se mostraram manĂacos controladores. Meu namorado nĂŁo entendia a sĂșbita falta de tempo, e achava que eu era o problema, eu nĂŁo valorizada nosso relacionamento. Eu nĂŁo tinha apoio pra estar na equipe que eu estava, e nĂŁo me sentia valorizada lĂĄ dentro. Mas eu meio que lidei com isso aos poucos.
SĂł que sei lĂĄ, essa semana resolveu me lembrar tudo que jĂĄ deu errado, de todas as vezes que eu precisava do apoio de alguĂ©m e nĂŁo tive, seja na faculdade, no esporte, na vida. Eu infelizmente sou uma pessoa que precisa de confirmação. Constante talvez. E isso sĂł me faz pensar mais no quĂŁo sou eu o problema, sobre o quanto minha carĂȘncia atrapalha as pessoas. AĂ hoje, nĂŁo sei, aconteceu uma situação onde uma pessoa que eu considero muito ridicularizou uma coisa que eu disse, e me chamou de imatura. Se eu jĂĄ estava brava, triste, ou o que quer que fosse, isso acabou comigo de tantas formas que eu nem sei explicar. De todas as pessoas que eu tentei puxar um assunto, pra poder conversar que eu tava mal, essa pessoa foi a que mais teve chance de me deixar falar. E ela simplesmente ignorou todas as minhas tentativas, por que meus problemas aparentemente nĂŁo sĂŁo grandes o suficiente pro assunto ser continuado, pra me dar a chance de falar. Eu queria saber por que eu sempre gosto das pessoas que nĂŁo tem tato nenhum comigo.
Mas enfim. Eu ainda não quero sair da cama. Eu sinceramente não quero ter que conversar com as pessoas, sorrir, fazer meus deveres. Eu não sinto vontade nenhuma. Eu escrevi um texto enorme, e totalmente sem sentido. Ele começa numa coisa, termina em outra e mesmo assim eu não consegui expressar nem metade do que eu tÎ sentido. Tå tudo muito bagunçado, e eu não sei mais como lidar com isso.