. It's Hagan and Delilah
Hagan se demorou no afastamento. Os dedos de Delilah em seu resto servindo de âncora, prologando o efeito do calor ao tê-la tão próxima de si. Tão alto e a cabeça baixa, um ponto antes de ceder, respirando tão fundo que o ar todo era insuficiente. Parecia insuficiente. O beijo na bochecha mudou o rosto, que o acompanhou de leve em inclinação, mas o aceno de despedida o colocou em movimento.
A bagunça do quarto de Delilah foi trocada pelo resto da casa. Hagan juntando forças com a mãe no resto das coisas. Identificando pontos favoráveis e críticos para o feitiço de Scylla. Soluço fez a ligação e estremeceu com o que ouviu do outro lado, um arrepio de corpo inteiro. O filho do meio ergueu a sobrancelha, curioso, mas o dar de ombros de Astrid ao ligar a torneira já matava a charada. A água era extensão da visão da bruxa.
Mais trabalho. Mais dedicação. Mais tempo conquistado para livrar dos pensamentos que o alcançava impiedosamente. Talvez só precisasse dormir. O portal crescendo na parede agora vazia, aumentando o diâmetro até o limite. Uma longa noite de sono para um canva limpo. Talvez precisasse treinar. Chamar os caras com uma mensagem e tirar sangue de si, transformar em todos os elementos existentes do mundo e desaparecer em névoa e fumaça. Talvez só precisasse sair. E aquela última fixou de tal jeito que nem enxergava mais.
Depois de muita viagem e transferência, e um Ruffrunner irritado (não queria passar no portal, jogou tudo aos pés dele e saiu voando cuspindo fogo), Hagan tomou Delilah pela mão e atravessou o brilho opalescente.
Uma única sacola estava pendurada no ombro. Grande, macia, essencial para a sobrevivência. A notícia dos novos habitantes tinha percorrido todos os ouvidos e mais um pouco, e seguindo o efeito de que nenhum pio escapava para fora da linha territorial. Banguela circulava o ar por cima do núcleo familiar, suas irmãs apareciam nas janelas da casa que ganhava vida. Lia chegou a acenar e se precipitar para ir, mas Hella a segurou pelo braço e deu o sinal. Alguns minutos de paz antes da fogueira do fim de tarde.
Hagan a guiou pelos caminhos conhecidos. Saudade e nostalgia apertando o peito de um jeito que... Que transferiu nas mãos unidas. O Hofferson segurou com mais força, trouxe para mais perto - quase a colocou no braço. O caminho passou por árvores e abriu numa clareira, Ruffrunner já tendo feito o trabalho de acender a fogueira e juntar uma pilha duvidosa de galhos finos. "Você lembra quando descobrimos esse lugar pela primeira vez? Tinha bem menos árvores, mais mato enorme. A gente foi até a beira do mar, encheu de pedra e uns galhos, e viu como não era assim tão fácil criar uma fagulha com duas pedras aleatórias?" Aquele pedacinho estava distante, mas visível. Uma faixinha de areia com um círculo de pedras, ocultado por um barco quebrado, deixado ali de propósito por Hagan. "E quando, uns anos depois, encontramos aquele barco, eu virei de cabeça para baixo e fiquei te fuzilando? Porque não é possível que não iam perceber nós dois escondidos embaixo? E eu fui tão teimoso que, além de você estar certa, me demorei e quase morremos afogado embaixo desse troço?"
As memórias iam e vinham e eram ditas em voz altas. Seu olhar focado no encaixar dos marshmallows nas pontas afiadas. Mãos cheias de calo e delicadeza doce, joelhos na areia que grudava na calça curta demais. "Posso estar perdido, mas não estou confuso, 'Lilah. Meu medo é pelo que vem aí, não o que temos. Não a probabilidade que virou certeza entre nós. Não veja como-." Seus olhos ergueram e estavam torturados, ansiosos. "Eu sei que nunca vai passar pela sua cabeça de que estou tudo menos comprometido. Já deve ver todas as probabilidades do enorme coala que serei daqui pra frente. É mais para minha paz de espírito. Depois que deixamos de ser amigos, eu mudei em algumas coisas e não é tão fácil falar. Mas... Você entendeu, não?"
Existia uma parte dela que alcançava uma certa paz quando em Berk. Uma segunda casa, talvez. Primeiro veio a amizade com os filhos da família no poder, algo natural e simples; e depois a tutelagem com Soluço que havia lhe prometido uma proteção que toda e qualquer outra possibilidade parecia incapaz de lhe prover. Os poderes dela e do irmão faziam com que eles fossem visto como armas; a possibilidade de ter alguém que pode controlar o futuro como um aliado é algo que atiça a cobiça de qualquer um. Bem, menos das pessoas em Berk, eles a viam como uma pessoa, uma garota só tentando conseguir alguma paz. E talvez, com Hagan segurando sua mão e a guiando pela trilha que ela tinha quase tatuada em sua alma, também lhe vissem como uma companheira.
Delilah segurou o braço de Hagan quase como se precisasse estar conectada a ele de alguma forma para acreditar no que estava acontecendo. — "A gente", uma vírgula, você — ela riu baixinho — Eu disse que o melhor jeito era voltar pelo caminho e procurar pedras e galhos secos, mas você disse que entendia mais de fogo do que eu e que iria estragar o momento, ai eu acabei tendo que tentar ajudar eventualmente, mesmo que tudo que a gente precisasse era um isqueiro — ficar relembrando do passado fez o brilho de lágrimas aparecerem em seu rosto, era tanta história num canto só. Delilah tinha feito a casa na árvore perto da toca como uma base secreta para todos os seus irmãos (por mais que muitos nem pisassem lá, já que coelhos não agem muito bem com altura), agora aquele lugar, aquele lugar era só dos dois. — Claro, quando você esqueceu do pequeno detalhe: que eu não sabia nadar — ela apontou para a água logo à frente dos dois. — Você me ensinou à nadar aqui também. Senhor "Está tudo bem, Lilah, tem alguns dragões selvagens na água, mas eles são inofensivos" Hofferson. Tem ideia do quão louco é falar isso para alguém que não é de Berk? — imitou a voz antiga dele, a falha que fazia ter um sorriso fácil por achá-la adorável e engraçada ao mesmo tempo.
Antes, não teria força o suficiente para mover o barco marcando o lugar secreto, mas os calos de Hagan eram correspondidos pelas pequenas cicatrizes de queimaduras e calos em suas mãos. Uma das primeiras coisas que aprendeu a fazer foram machados para Dragon Rider, então conseguiu levantar a parte da frente do barco, encontrando o círculo de pedras do jeito exato que tinha deixado. Um suspiro de alívio escapou entre seus lábios antes que conseguisse controlar. Então queria dizer que o segredo daquele lugar estava completamente seguro. Sentou-se do seu lado, cruzando as pernas embaixo de si e descansando os cotovelos sobre os joelhos para observá-lo. — Eu também mudei, Hagan — seu olhar, no entanto foi para as chamas a sua frente. — Sendo bem sincera, você conhecia uma versão de mim, mas não me conhecia por completo. Esconder um sentimento forte como esse, quer dizer que eu estava escondendo uma parte de mim. Além disso, eu nem faço ideia como eu vou ser no meio disso. Não tenho nada para comparar. Você é o primeiro cara que eu amei na vida e, bem, qualquer coisa que chegava perto de se assemelhar foi tão transicional quanto uma conversa, não foi nada demais. E se eu acabar sendo ruim nisso? De compromisso? — apontou para ele e para ela — Tem muita coisa que eu não sei desde o momento que você resolveu apareceu na porta da minha casa com flores. O que me deixa apavorada, mas ... eu não quero congelar de novo, não com isso, não com a gente — mordeu o lábio inferior e tirou o anel anelador da bolsa e o pôs no polegar, precisava estar no presente e não no futuro — O que eu acho que a gente pode fazer é fazer uma coisa de cada vez. Eu não sabia que você era tão fácil de provocar e, de alguma forma, você não sabia que eu tinha um parafusos faltando, mesmo eu sendo de Nova Wonderland e é quase um requerimento para conseguir a cidadania — moveu o corpo levemente para que se aproximasse do outro o suficiente para por a cabeça sobre seu ombro.
Deixou que um silêncio confortável se instaurasse entre os dois. Só com o barulho da fogueira acesa e a caixinha de música tocando a melodia de alguma música que não prestava atenção. — A gente deveria estabelecer regras — suas bochechas ficaram vermelhas considerando o que falava poderia ser encarado de uma forma muito ruim. — Ou, pelo menos, uma básica — ela segurou o queixo do outro com o indicador e o virou para ela. Seus olhos se perdendo nos azuis elétricos que a olhavam de volta. — You and me, that's it. For the good, the bad, and the ugly. Não importa o que aconteça, a gente vai ser melhores amigos primeiro. O que está acontecendo agora evoluindo para sabe-se lá o que, ou acabando. Você vai olhar na minha cara e dizer se eu estou sendo uma maníaca por controle e eu vou olhar na sua cara e dizer você estar querendo dar uma de mártir, e tudo que vier no meio. Descobrir coisas sobre o outro é parte disso. Isso é novo, mas a gente sabe como ser melhores amigos, nós fomos por anos. Essa vai ser a base, o que vier além... vai adicionar a isso — deixou suas testas encostarem. — Só me promete que não vai sair da minha vida, por favor. E eu prometo que vou estar aqui, pra quando você precisar e querer que eu esteja, não importa da forma que for.














