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Asperia Por: José Santos
É deprimente o que fizeram a este mundo. Outrora, Asperia era um dos mais exuberantes locais criados pelo nosso Deus Muhasfaradin. Havia montanhas tão altas que alcançavam o céu, uma rica fauna e flora, vislumbrantes oceanos, cascatas, florestas e uma promissora civilização que atingira um grau tecnológico tão alto que conseguira aliar uma confortável vida para todos os seres com uma eficiente preservação ambiental.
Mas quando Karugalenstotiz, um Metatron, chegou aqui com suas tropas, Asperia não tinha condições para se defender de tamanha força maligna. Em poucos dias, eles derrubaram as montanhas, queimaram as matas, evaporaram os oceanos. Consumiram tudo que foi possível e depois pulverizaram o resto, deixando para trás um mundo mais arenoso e estéril que os desertos dos planetas equilibrados. A alteração atmosférica deixou o solo sem proteção alguma contra os sóis meridional e setentrional, fazendo a temperatura atingir índices infernais.
Quando muitos de nós, anjos de Muhasfaradin, viemos intervir a favor de Asperia, já era tarde demais. Morremos num campo de batalha extremamente hostil e pelas mãos de seres isentos de escrúpulos. Agora, enquanto fazemos a varredura em busca de sobreviventes — uma missão fadada ao fracasso, já que nossos irmãos angelicais desaparecidos não mais emitem suas auras —, me entristeço cada vez mais ao ver os corpos soterrados pela areia.
Talvez, se chorarmos todos juntos; talvez, se chorarmos como se fôssemos Um, nossas lágrimas pudessem hidratar este solo. Talvez consigamos criar um mar de lágrimas neste chão esfacelado. Mas não… é presunção de nossa parte achar que a tristeza e o luto por Asperia e nossos irmãos seja útil de alguma forma. Não somos deuses. Entregamos o destino para as mãos dos deuses em sua infinita bondade e poder de criação harmônica contra as atrocidades que Morgotonesor e seus Metatrons vêm causando.













