. ◞ ‧ * uma das principais razões pelas quais adorava a biblioteca de gotham city era o fato do local raramente estar cheio. várias eram as horas que a jovem mutante em meio aos livros, distraindo sua tão caótica mente do que acontecia ao seu redor. aquele era um truque que havia aprendido com charles e desde então parecia mais fácil manter a calma, expulsando pensamentos negativos. no entanto, a época natalina trouxe o inverno e também uma série de companhias ( praticamente ) indesejadas, jean grey mal conseguindo se focar na leitura ao que um turbilhão de pensamentos lhe causavam uma comoção quase cansativa, até que uma mente em particular, uma mente na qual ela já havia tocado, se sobressaiu da multidão, a mutante não tardando em ir atrás da prévia companhia. ❝ você… elizabeth, não é ? ❞ não esperou muito para sentar-se à frente da braddock, que cultivava ainda eram turvas em virtude das inúmeras versões de si que residiam em seu âmago. as vozes estavam começando a irritar jean, que sentia o princípio de uma dor de cabeça. ❝ desculpe, eu… achei que te conhecia de algum lugar. ❞ talvez conhecesse, mas não conseguia lembrar naquele momento, precisava de silêncio e a ansiedade já era manifestada em seu corpo. ❝ você é uma mutante, não é ? desculpa, eu só… ❞
parou por alguns instantes, recompondo sua compostura. não iria permitir que alguns instantes de descontrole causassem qualquer dano àqueles que apenas estavam aproveitando seu dia. ❝ sim, está bastante cheio. essas vozes todas me deixam cansada. ❞ não era como se estivesse tentando esconder quem era, esperando que algum gatilho fosse despertado pela mais velha. ❝ sou jean. e você ? ❞
Infelizmente, ser uma telepata tinha algumas desvantagens e por isso, Elizabeth não gostava muito de encontrar outros iguais a si porque os reconhecia de longe e, pelo que parecia, a garota ruiva na sua frente era um telepata como ela. No entanto, ao dizer seu nome, o cenho da chinesa se franziu em total desconfiança e talvez a expressão de surpresa lhe tenha tomado a face enquanto fechava o livro na sua frente para poder fixar os olhos robóticos na face feminina ali na sua frente. — Sim, Elizabeth. Como sabe? — indagou prontamente, talvez o tom um pouco ríspido estivesse sendo usado como uma forma de proteção. Perder todas as suas memórias sempre deixava a mutante desconfiada, ela não sabia em quem confiar, não sabia se ter a sensação de conhecer alguém era boa ou ruim ou que tipo de relacionamento teve antes com a pessoa… verdadeira incógnitas na mente de Betsy. — Eu tenho a estranha sensação de que eu te conheço de algum lugar, mas acho que não seria bem legal entrar na sua mente para descobrir alguma coisa sobre o meu passado. — soltou de forma direta. Talvez fosse um defeito, talvez uma qualidade, a espadachin não sabia como qualificar aquilo, porque em alguns momentos — como era o caso agora — não parecia extremamente adequado ser sincera demais. Era possível, — até mesmo para quem não tinha pretensão de usar telepatia com outra pessoa — notar que a outra mutante estava bem desconfortável e perceber aquilo fez com que uma pequena fisgada de pena e compreensão apertasse o coração da Braddock. — Sim, eu sou uma mutante. Você também… é possível notar, sem precisar usar nada. Está bem desconfortável. Sua telepatia está fora de controle? — o questionamento, ao contrário do comentário desconfiado feito anteriormente, veio carregado com uma preocupação e resolveu esperar a desconhecida — ou conhecida — ajeitar a postura para poder dar um meio sorriso, ou melhor, a sombra de um sorriso fazendo-se presente no rosto praticamente de porcelana. — Eu sei bem como se sente. Mas aprendi a ignorar. — encolheu os ombros brevemente e o nome da garota fez um flash de lembrança passar pela mente. — Jean… parece que eu te conheço, a muito tempo… tenho uma sensação de amizade. — baixou os olhos para a mesa, fitando a capa do livro um pouco pensativa e tentava colocar a mente para funcionar, mas parecia uma perda de tempo.