Se tinha alguma coisa que aprendeu com a banda foi a arte de ignorar toda ansiedade de seus amigos, claro que Jude estava nervoso, mas já tinha passado por isso tantas vezes que se acostumou a mais um processo, nada de mais ali. Tivera muita sorte de surgir Lilo em sua vida, por exemplo, mas nem sempre acertava assim tão fácil. Então, Lilo e Gui estavam naquela conversa que parecia só piorar todo clima enquanto Jude continuava a cantarolar com o violão que nem mesmo tinha um dono, só estava ali, sozinho e precisando de atenção.
“Que bom que calou a boca” Sussurrou para Guillermo antes de voltar sua atenção a música que continuava tocando. E então, finalmente aparecia o rosto do rapaz que se inscreveu para a vaga, apesar de continuar tocando o instrumento, observou Lilo sendo perfeitamente eficiente no ato de se apresentar e apresentar todos da banda, só então parando com o que fazia e largando o instrumento ali, o ato de se levantar acabou sendo um pouco mais escandaloso do que esperava, já que, ao fazer a cadeira ficar com todo os pés no chão, ele precisou jogar a parte da frente contra o solo liso da sala e isso fez com que o som ecoasse por todo o ambiente. “Idiota, hum.” Comentou rapidamente, com a expressão que, quem o conhecia bem já sabia o que significava, mal humor como sempre. “Deu pra perceber que o Lilo é bem nerd” Se aproximou do outro e levou a mão até o ombro dele, apertando levemente como o jeitinho que tinha escolhido para dizer ‘seja bem vindo’.
Foi até o piano e abriu o mesmo, como um sinal silencioso de que ele poderia começar, se quisesse. “Mostra o que você sabe fazer e a gente pode te dizer se precisamos ou não” Sorriu de canto e voltou a se afastar, mas dessa vez, se encostou contra o parapeito de uma das janelas, com os braços cruzados na altura de seu tórax e as pernas lhe dando apoio o suficiente para que seu corpo ficasse jogado, como sempre. “@bullstrode· pode dizer qual a música que você pode tocar ou talvez o Lilo, se não estiver muito a vontade” A última frase foi direcionada para o homem mais velho que estava logo ao seu lado.
Guillermo não respondeu ao comentário, mas deu o seu sorriso venenoso ou tirar o celular do bolso e abrir os contatos. Não precisava narrar o que fazia, nem se tinha a atenção aos seus movimentos quando trocou o nome de Jude para um Ruuuude cheio de emoticons. Travou o aparelho, assim como fechou o caderno para colocar toda a atenção no que sentia ser o próximo integrante. Não, meus caros, não era o sexto sentido lhe avisando do futuro. Só… só uma sensação de que queria findar essa procurar e tratar logo dos ensaios. “Eu poderia dizer uma, mas é fácil demais. Pode servir como desculpa, sabe? Não é uma música que estou preparado.” Comentou cheio de más intenções, o canto do lábio erguido para cima num sorriso lateral diabólico. Guillermo era pior do que isso, mas traiçoeiro por assim dizer. Ruminou um pouco, mas bem pouco mesmo, porque já tinha seu plano traçado antes mesmo de se sentar naquela cadeira da sala de música. “Use sua liberdade e toque o que você quiser. Não vou nem dizer para nos surpreender porque… é meio o que queremos.” Espreguiçou, os braços colocados para trás da cabeça enquanto esperava. Aquela sim era uma maneira boa para se avaliar. Se errasse, era porque não estava na altura da banda, afinal… ele escolheu. Sem artifícios, sem puxadas de tapete, só o talento e a preparação. ( @liloparkinson· )
A falta de humor de Jude nunca deixava de lhe surpreender, mas quando em uma audição, era inquietante. Tirou brevemente a atenção do novo conhecido para encarar o amigo mas não comentou nada, não iria tornar a situação pior. O rapaz parecia nervoso e sabia que seus amigos não estavam fazendo nada para ajudar, enquanto um era frio, o outro parecia encarnar o próprio Simon Lewis para julgar o pobre garoto. Sobrava para si novamente amenizar o clima, oferecendo ao mais jovem um sorriso simpático e apologético. Tinha se acostumado a assumir aquela posição de aliviar as situações, mesmo uma pilha de nervos, não conseguia ser como os outros; sabia o quão nervoso chegou quando precisou estar na posição de Paithoon há quase dois anos, então tentava o máximo confortar os candidatos. “Espero que possamos chamar de Bun então.” se esticou para pegar o violão que o líder da banda tinha largado há pouco; apoiando o instrumento no joelho, os dígitos finos passaram nas cordas, o som melódico quebrando o silêncio do ambiente. “Você pode tocar o que estiver confortável, okay? Se eu conhecer, te acompanho. Caso contrário…” encolheu os ombros, não oferecendo muita importância a esse fato. “… não tem problema, um solo sempre é bom de se ouvir.” concluiu. @pxxthxxn
os olhos de bun brilharam quando caíram sobre o piano de cauda, e naquele momento a sua mente se dissociou completamente de seu corpo físico, fazendo com que por breves segundos, ele deixasse de escutar o que os outros falavam, voltando a realidade quando sentiu um leve peso sobre o seu ombro. o asiático sorriu brevemente para jude antes de alternar o olhar para os outros dois componentes da banda. o nervosismo de paithoon pareceu triplicar quando a hora de demonstrar suas habilidades chegou. ajeitou a cadeira antes de sentar-se diante do instrumento, os dedos deslizando sobre as teclas enquanto ele mordiscava o lábio inferior. “qualquer música então, ok.”
diversas melodias vieram a sua mente. para alguém que tocava desde os cinco anos de idade, escolher uma das muitas que sabia era uma decisão difícil. ele podia ter escolhido um arranjo complicado, músicas com inversões e mudança de escala, mas no fundo, sabia muito bem qual deveria ser seu foco: a paixão que possuía por cada tecla daquele piano e pela pessoa que o introduziu à um mundo composto por borrões de tinta e notas musicais. com o pé posicionado sobre o pedal ele pressionou a primeira nota, sol, depois um fá, e aos poucos a melodia de “saturn” do sleeping at last começou a se formar. paithoon evitava toca-la perto de outras pessoas, acabava ficando um pouco “emotivo até demais”. lembrar da própria mãe lhe trazia boas lembranças, que as vezes contrastavam com uma tristeza inabalável; ela havia sido a única pessoa capaz de acreditar nele, e assim fazer com que ele pudesse acreditar nele mesmo com ela estando ao seu lado ou não. tocar aquela música fazia com que a alma de bun transbordasse, com ela ele sabia e compreendia o quão importante aquilo, a música era para ele, e ele esperava que quem quer que o escutasse percebesse isso. ( @heeeyjude )