CapĂtulo 11 - VocĂȘ de novo?
 08:09 da manhã.
Olho para a copa das arvores que balançavam suavemente com o vento, com suas pontas refletindo a luz do sol, criando um misto de sombras e luzes, em meio a uma dança ritmada. Depois de muito observa-las, meus olhos começam a arder por causa da forte luz do sol, então sem muitas opção, acabo abaixando a cabeça institivamente olhando para algo que eu tinha tentado evitar de olhar, pois ao olha-las faz despertar em mim lembranças das quais com muito custo venho tentando esquece-las.
Minhas mĂŁos.
Olho para meus braços, do cotovelo a ponta de meus dedos, e vejo que meus tremores diminuĂram, mas mesmo assim nĂŁo sessarĂŁo por completo.
Abro e fecho minhas mãos algumas vezes repetidamente, esperando qualquer mudança ou efeito sobre elas, mas nada acontece.
- O que foi? â pergunta Austin ao meu lado, que a tempo devia estar me observando.
EstĂĄvamos eu e ele encostados do lado de fora da lateral de meu carro, no estacionamento da escola, esperando por Aaron.
Volto a balançar a cabeça, completamente confusa. Tudo aquilo havia sido muito estranho. Perdas de memĂłria, acordar sem ter a mĂnima de odeia onde estava, ou do que havia feito, e depois de completamente tudo, acordar deitada em meio a praia com uma maluca ao seu lado, estranhamente parecida com vocĂȘ, a olhando de cima a baixo, sem parar.
NĂO, NĂO, aquilo era demais para mim. Era loucura.
- Ă, realmente deve estar sendo muito estranho tudo isso pra vocĂȘ. Desta vez Victoria passou do limites. Sair por aĂ brincando de Deus, sabe se lĂĄ que consequĂȘncias isso poderĂĄ ter.
- Sei que jĂĄ conversamos sobre isso mais de mil vezes, mas Ă© que isso nĂŁo sai da minha cabeça. Victoria Ă solta por aĂ, sabe-se lĂĄ o que ela anda tramando, seria seguro deixa-la por ai? E esses tremores no meu braço, quando Ă© que eles irĂŁo parar? O que foi que ela fez para eles ficarem assim?
Austin olha para eles, examinando-os por um minuto.
- Os tremores nĂŁo pararam? â ele estreita os olhos ainda olhando para meus braços â Bem, talvez seja por causa do ritual que Victoria fez quando estava no seu corpo, lĂĄ na praia, ou o corte com a adaga em seu braço, sabe, aquela adega nĂŁo era uma adega qualquer, nĂŁo com as escritas que eu vi em seu cabo.
- Não tenho ideia do que seja, mas espero que passe logo, isto jå estå começando a me incomodar.
Suspiro olhando para Austin que me fitava, me preenchendo com um olhar cheio compreensĂŁo, e aquele seu sorriso caloroso. Ele tem sido muito gentil comigo, especialmente quando nĂłs conversamos sobre aquilo, ele sempre ocultara as partes da histĂłria, deixando de fora que eu... HĂŁn... Â Victoria os maltratava, sendo extremamente grosseira e fria com eles, que Ă© claro, pensaram que era eu.
Austin nĂŁo contava com isso, para me poupar da culpa que com certeza me cercaria.
à claro que eu não me lembrava de tudo, mas mesmo com a perda de memória, minha cabeça me permitia pequenos vislumbres de como eu fora agressiva com eles. Coisa que eu não sei se um dia eu me perdoaria.
Não contara a Austin, pois ele havia se esforçado tanto para me poupar, que agora era minha vez de poupa-lo. E afinal de contas, eu queria esquecer essa história junto com Victoria.
Mas mesmo com tudo isso, quando eu olho para ele, para dentro daqueles olhos lindos, olhos azuis, vejo uma pequena partĂcula de tristeza e magoa enterradas ali. Seja o que for, eu havia sido perdoada, mas isso nĂŁo permitiria que aquela partĂcula incrustada em seus olhos saĂsse.
Passo minha mão pelo seu rosto, acariciando-o, depois o enterro sobre seus cabelos loiro, enquanto a outra enlaça sua cintura e a puxa para mais perto de mim.
 Meus dedos estavam gelados quando encosta em suas costas, fazendo o estremecer, mas nem por um segundo se afastar. Então o corpo de Austin começa a corresponder ao meu.
Com suas mãos, ele envolve gentilmente minha cintura, e sem hesitar como se esperasse por aquilo jå a algum tempo, cola seus låbios nos meus, e começa a me beijar tão maravilhoso e graciosamente, que é como se estivesse me beijando pela primeira vez.
Seus doces låbios tiraram aquele gosto amargo de culpa e preocupação que estavam presos em minha garganta. Deixando de imediato meu corpo mais leve sob seus braços. Até mesmo os tremores em meus braços pareciam ter se acalmado.
Isso era tudo que eu precisava naquele momento.
Podiam ter tirado meu lugar nos céus, meu lar, minha paz, toda a minha legião, me condenando a viver por toda uma visa na terra. Mas não poderiam me tirar aquilo. Ele era tudo que eu precisava, tudo que eu desejava. Não. Isso não poderiam me tirar. Eu não permitiria, jamais.
Estaca completamente perdida em meus pensamentos, que sĂł me dou conta disto quando Austin levemente pressiona seus dentes contra meu lĂĄbio inferior por alguns segundos, antes de solta-los e se afastar um pouco, mantendo os olhos fixos em mim.
- Essa sim que Ă© a minha Sely, â diz ele sorrindo, apertando um pouco mais meus braços a minha volta â calma, sorridente, linda, maravilhosa... â depois aproxima seus lĂĄbios, e perto do meu ouvido sussurra baixinho: â e tem o beijo mais gostoso de todo esse mundo.
Diz isso e em seguida funga de leve minha orelha, fazendo um arrepio percorrer por todo o meu corpo.
Sorrindo e jĂĄ completamente descontraĂda, respondo?
- NĂŁo preciso dizer o mesmo, porque com certeza vocĂȘ jĂĄ deve tĂȘ-lo decorado. â Digo beijando a base de sua orelha, passando pela bochecha, atĂ© chegar novamente a sua boca.
Austin sorri e volta me beijar, apertando meu corpo dentre seis braços.
Mas nosso momento Ă© quebrado logo apĂłs alguns minutos, quando Austin me solta e se afasta, entĂŁo picarrega.
- Sr. Keller. â Diz ele casualmente para o diretor que assistia a nossa cena atentamente, atĂ© decidir que jĂĄ era hora de interromper.
- Srta. Bylgard, jĂĄ tem advertĂȘncia de mais, nĂŁo acha? Desrespeito, vadiagem. Foi atĂ© para a detenção, da qual a Srta. inexplicavelmente fugiu, e entĂŁo, agora eu a encontro n-nessa... â o diretor nĂŁo conseguia achar as palavras certas para se expressar, mas boa coisa nĂŁo era. â Nessa... Argh... Deixa pra lĂĄ, mas que isto fique claro que eu nĂŁo quero que tudo aquilo e... isto, volta a se repetir, estamos entendidos?
- Sim senhor. â Digo assentindo.
- E o Sr, Sr. Evans, não quer uma também, não é?
- NĂŁo, nĂŁo senhor. â Diz Austin, apertando minha mĂŁo com seu polegar direito, tentando conter o riso.
- Muito bem entĂŁo. Estarei de olho em vocĂȘs dois. â Diz isso e se vai.
Assim que o homem se vai, Austin cai na gargalhada.
- O que foi? â pergunto querendo dar risada da sua risada.
- NĂŁo, nĂŁo Ă© nada. Ă que vocĂȘ deveria ver sua cara quando ele estava falando. Eu fiquei imaginando o que devia estar se passando nessa sua cabecinha ânum dia, tudo normal, levando atĂ© entĂŁo uma vida perfeita, sendo uma aluna exemplar, e do nada, no outro dia jĂĄ estava fixada com diversas advertĂȘncias, sendo vista como a pior aluna do colĂ©gio, levando sermĂŁo do diretor, e pior, sendo vigiada por ele.â
Diz isso e volta a rir.
- Para. â digo dando uma cotovelada nele, me segurando para nĂŁo rir junto com ele, porque de certo forma, era mesmo um pouco engraçado.
Algo chama minha atenção para a entrada do colĂ©gio, e entĂŁo eu escuto o forte barulho do carro vindo a toda velocidade, segundos depois posso ver um carro vermelho, e... Era o McLaren do Aaron, que vinha cantando pneu pelo estacionamento. Passou por um grupo de alunos, que de quatro quase sobram trĂȘs, contornou violentamente uma professora que deixou cair sua maleta pelo susto do quase acidente, diminuiu um pouco a velocidade=, mas nĂŁo muito para estacionar, e entra na vaga, passando a centĂmetros do espelho do carro vizinho.
Quando ele finalmente desliga o carro, posso escutar uma barulheira vindo de dentro dele. ER rock pesado, e devia estar quase no Ășltimo volume.
- O que deu nele? â Austin ao meu lado pergunta, estreitando os olhos ao fitar o carro.
Dou de ombros.
- NĂŁo faço a mĂnima ideia. â Respondo, mas sem tirar os olhos do carro.
Ele desliga o som, mas assim, ainda eu escutava alguns gritos vindo de seu carro. Então quando eles também sessaram, a porta do carro abre abruptamente, e de dentro do carro uma figura de capuz preto sai com uma mochila nas costas, e com a mesma raiva que abriu a porta, a fecha. Se vira ficando de frente, então abaixa o capuz.
Era Aaron.
Ele caminha até o pneu dianteiro, e se abaixa. Parece estar examinando-o.
Austin pega minha mão e sai em disparada em sua direção. Atravessamos rapidamente o estacionamento, até pararmos a frente de seu carro.
Aaron levanta a cabeça e nos vĂȘ ali parados.
- Oi Austin, como vai? â depois olha para mim. â E vocĂȘ Sely, jĂĄ estĂĄ melhor? â perguntou ele tentando parecer casual, mas nĂŁo escondendo muito bem sua irritação.
- HĂŁm... eu estou melhor, mas... o que houve com vocĂȘ? Quero dizer, pra que toda aquela pressa e som alto assim, por que vocĂȘ saiu pela outra porta? E quem estĂĄ dirigindo seu carro? Qual o problema?
O rosto de Aaron se contorce de raiva, mas antes que ele possa responder, a porta de seu carro abre e dele sai.... Ah, nĂŁo, ela nĂŁo.
Aaron levanta limpando as mãos na calça, e vai em sua direção.
- Quer saber qual Ă© o meus problema? Esse Ă© o meu problema. â Diz apontando para Victoria, que saia de seu carro exibindo um sorriso triunfante.
Ela vestia uma calça skinny preta, que misturavam-se com sua bota preta, seus cabelo negros caiam sobre sai regata branca, destacando-se no tecido claro. Estava com uma bolça de tecido sobre o peito. Estava vindo em nossa direção, passa por mim e Austin e vai até o Aaron, coloca seu dedo imediatamente embaixo do seu queixo, e o ergue para cima, Aaron sem sair do lugar, ainda muito irritado vira o rosto.
Ela sorri com sua reação, em seguida vira-se de lado para poder também nos olhar. Leva a mão no rosto, e tira seus olhos escuros.
- Ele nĂŁo Ă© uma gracinha? â pergunta ela sorrindo.
- O que vocĂȘ quer Victoria? â pergunta Austin sem qualquer emoção.
- Caramba! Eu jĂĄ ia me esquecendo de vocĂȘ. Esta tĂŁo bonito hoje, com toda certeza sabe, essa camiseta rasgada ressalta mais seus mĂșsculos dos braços e do peito. Hmm, Ă© ressalta mesmo. â Diz ela passando as mĂŁos em torno do peito de Austin, atĂ© seus braços. Austin sem muito saber o que fazer, pega nas mĂŁos de Victoria e as afasta.
- Para com isso Victoria. à sério, isto aqui é uma escola, não o albergue da esquina.
Victoria não deixou se abalar por sua resposta. Muito pelo contrårio, até riu de sua piadinha.
- Ah Austin, como vocĂȘ Ă© engraçadinho, adoro isso em vocĂȘ. Mas Ă© sĂ©rio, vocĂȘ devia usar essa camisa mais vezes. â Depois volta seu olhar para mim. â Sely, Sely, Sely, tĂŁo linda, mas ao mesmo tempo, tĂŁo bobinha, me diz, como Ă© que vocĂȘ consegue em? Ser essas duas coisas ao mesmo tempo? Vai, me conta?
- Eu vou Ă© contar Ă© o nĂșmero de pedidos de desculpas secas, quando eu começar a encher essa sua carinha linda de socos.
- Nossa! Quanta hostilidade assim de manhĂŁ. Eu achei que todo o mal tivesse ficado comigo, inclusive a raiva, mas eu acho que eu devo ter me enganado. â Diz ela sorrindo de olhos arregalados, sacudindo as mĂŁos. â Vai, se anima SelĂȘnia, Ă© segunda de manhĂŁ, temos uma semana toda pra vocĂȘ mostrar essa sua carranca aĂ, mas dĂĄ um desconto pra segunda, vai? Faz por mim... ou por vocĂȘ, dĂĄ no mesmo.
Diz isso e volta a colocar os Ăłculos escuros sobre o rosto pĂĄlido.
- Eu vou indo agora, ainda tenho que me registrar e acertar a papelada, até mais tarde.
Se vira para nĂłs e antes de ir, para ao lado do Aaron.
- CARAMBA garoto, eu nĂŁo me lembrava que vocĂȘ tinha uma bunda tĂŁo bonita assim!
- Eu o que? â Aaron pergunta incrĂ©dulo.
Eu comecei a tossir, havia me engasgado com alguma coisa.
Austin vai até ela e lhe då pequenos empurrãozinhos.
- Vamos, vamos Vick, vocĂȘ nĂŁo disse que precisava ir? Vamos, eu vou com vocĂȘ.
- Serio gato? Ah que Ăłtimo, jĂĄ ganhei o dia. â Depois vira-se pra Aaron. â Mais tarde nĂłs conversamos garoto da bunda bonita. â Diz isso e dĂĄ uma piscadela para Aaron.
Em seguida ela e Austin somem em meio aos estudantes, deixando eu e Aaron a sĂłs.
- Serio, nĂŁo dĂĄ pra acreditar que um dia ela jĂĄ fora parte de vocĂȘ, vocĂȘs duas sĂŁo tĂŁo diferentes. Ela Ă© tĂŁo arrogante, egoĂsta, sarcĂĄstica, sem falar daquela loucura dela, simplesmente maluca. VocĂȘ jĂĄ nĂŁo. VocĂȘ Ă© doce, meiga, gentil, sensĂvel... Bonita, hĂŁn, uma Ăłtima pessoa. â Diz ele concluindo.
Sorrio, sacudindo a cabeça.
- TĂĄ, nĂŁo sou tudo isso nĂŁo, vocĂȘ estĂĄ sendo modesto. â Digo sorrindo para Aaron, que igualmente retribuiu o sorriso. â Mas... Afinal de contas, por que a trouxe, e por que diabos deixou ela dirigir seu carro? Pensei que vocĂȘ gostasse dele.
Aaron volta a ficar emburrado novamente.
- Eu nĂŁo queria tĂȘ-la trazido, quanto mais deixa-la dirigir. Ela me parou no acostamento, achei que fosse vocĂȘ, entĂŁo ela foi logo entrando pela minha porta e me enxotando para o lado. NĂŁo tive tempo pra pensar, quando vi jĂĄ estĂĄvamos com o carro em cima dos estudantes, eu gritava pra ela parar, mas isso fazia sĂł com aumentar a velocidade, dei graça de ter chegado a escola sem ter sangue e tripas pelo para-brisa.
- Ai Aaron, que nojo. â Digo fingindo estar com Ăąnsia. â Agora vou vomitar em vocĂȘ.
Digo indo até ele, querendo agarrar seu moletom.
- RĂĄ, sĂł se vocĂȘ um DIA, conseguir me pegar. â Diz isso e sai em disparado pelas escadas.
Eu sem perder tempo corro atrĂĄs dele, a poucos metros atrĂĄs apenas, estou quase alcançando, falta pouco... Um pouquinho, vai SelĂȘnia, mas rĂĄpido, e... Estou quase... E quase, e...
- Perdeu! â grito ao agarrar seu capuz, fazendo-o parar, mas nĂŁo consegui âfrearâ tambĂ©m, e acabo colidindo com suas costa, o derrubando comigo por cima, nos embolando no Hall de entrada.
- Ai. â Diz ele com a cara no piso, depois vira-se de frente para mim. â Caramba Sely, assim vocĂȘ vai acabar me quebrando. Continue assim e em breve vocĂȘ poderĂĄ entrar para o peso pena. â Diz sorrindo, e voltando a colocar a cabeça no chĂŁo.
- Ah! Vou fingir que nĂŁo ofendeu. â Digo rindo, com a cabeça prendendo no ar, deixo a descansar levemente sobre o peito de Aaron, por alguns segundos para tomar folego. O coração de Aaron batia fortemente contra seu peito, devia ser por causa da corrida.
- Sabe que vai ter revanche, nĂŁo Ă© nĂŁo? â Diz Aaron olhando para mim.
Levanto minha cabeça para poder olha-lo melhor. Com seu nariz a centĂmetros do meu, eu podia sentir que ele ainda arfava um pouco.
- Mas Ă© claro que vai, afinal, vocĂȘ adora perder, nĂŁo Ă© mesmo? â digo rindo.
Ele ria tambĂ©m, mas nĂŁo somente com os lĂĄbios, Aaron tinha um jeito muito especial de rir com os olhos. Seus incrĂveis olhos verdes de fato pareciam sorrir. Essa era uma das caracterĂsticas em Aaron da qual eu mais amava. Isso o deixava mais atraente do que ele pensava. Aaron tinha uma beleza excepcionalmente natural, de cabelos negros bagunçados, olhos verdes esmeraldas, e lĂĄbios cor de sangue. nn
Levo minha mão até o topo de sua cabeça e afago seus cabelos. Aaron segue com os olhos.
- Adoro o jeito como seu cabelo fica assim. â Digo enterrando minha mĂŁo em cima dos fios negros.
Aaron da mĂŁo, volta vagarosamente seu olhar para mim.
- Assim como? â pergunta ele me fitando.
- Ah, assim, todo bagunçado, deixa vocĂȘ com cara de mais Aaron, e sem falar do quando ele Ă© macio. â Digo com minha mĂŁos ainda enterrado ali.
Aaron arqueia as sobrancelhas surpreso e depois as estreita e sorri... Iria dizer algo, mas...
- Mas que pouca vergonha Ă© essa? â grita o diretor Keller, no meio do corredor nos surpreendendo, - VocĂȘ de novo Bylgard? Evans, agra Ă© vocĂȘ Jones? â depois vira o rosto para o lado, e balança negativamente a cabeça. â Esta escola virando no quiquilo. Alunos com essa sem-vergonhice total em plena luz do dia. Ah Deus, onde estĂŁo os pais nestas horas? â nĂŁo tenho ideia de com quem o diretor estava falando, mas conosco que nĂŁo era. â Eu digo uma, duas, trĂȘs vezes, mas eles me escutam? Claro que nĂŁo. â O diretor parece ter se esquecido de mim e Aaron, pois estava falando e andando embora pelo corredor.
Enquanto o diretor andava pelo corredor, falando sozinho. Eu e Aaron nos olhĂĄvamos perplexos.
- Acho que ele enlouqueceu, deve ser o estresse do trabalho. â Diz Aaron.
- Ă, pode ser. â Digo ainda olhando Keller que andava capengando pelo corredor. â Mas agora vamos, antes que ele volte e resolva me dar mais detençÔes, e vai por mim, eu nĂŁo preciso de mais nenhuma.
Digo levantado, ficando de pé e esticando o braço para ajudar Aaron a se levantar.
- Ah, Ă© mesmo, jĂĄ havia me esquecido de que vocĂȘ Ă© agora uma adolescente mĂĄ. â Diz sorrindo maliciosamente.
- Caramba, agora eu realmente tenho certeza de que vocĂȘ mereceu aquele tombo. â Digo dando uma cotovelada em seu braço.
- Ă, vai rindo, vai ter troco, mas agora vamos, jĂĄ perdemos a primeira aula, nĂŁo podemos matar a segunda. Bem, pelo menos nĂŁo vocĂȘ. â Diz sorrindo.
- O que?
- VocĂȘ conhece meu lema sobre aulas Sely, agora vai, anda, se nĂŁo vai se atrasar. â Diz sorrindo. â Depois a gente se vĂȘ. â Diz e dĂĄ uma piscadela, em seguida parte em disparada pelas escadas.
- AtĂ© mais. â digo mesmo sabendo que agora ele jĂĄ nĂŁo pode me ouvir.
No mesmo instante eu ouço o sinal bater para a segunda aula, e vou até meu armårio, pego meus livros e me dirijo para sala de aula. Olho minha grade de horårio, maravilha, ålgebra.
Entro na sala, me dirijo pra minha carteira, a terceira ao lado de Anne, uma garota com sĂ©rios problemas respiratĂłrios. EntĂŁo o resto das aulas eu passo assim: debruçada sobre a carteira, tentando nĂŁo dormir, alguma vez ou outra tendo que me levantar para ne levantar ora deixar Anne passar para ir ao banheiro, enquanto tenho que aguentar as incessantes bolinhas de papel com cuspe que Taylor gospe em meu cabelo. NĂŁo sei que tipo de prazer aquela garota vĂȘ em fazer aquilo.
Felizmente Ă© fĂĄcil de se tirar.
Finalmente quando Taylor joga a vigĂ©sima quarta bolinha de papel em meu cabelo, o sinal bate e devo dizer que no mĂnimo 18 alunos que se levantaram para saĂda, tinha 7 que tinham acabado de acordar.
Vou para o corredor juntamente com eles, ignorando as risadas e empurrÔes de Taylor, que jå se tornara um de seus velhos håbitos.
Meu humor melhora quando finamente encontro Austin no refeitĂłrio, mas acabo dizendo isso cedo demais.
A minha frente estava sentado Austin, e de seu lado, adivinha quem veio se juntar a nĂłs?
- O que essa garota estĂĄ fazendo aqui? â pergunto com a voz ainda inalterada, mas respirando muito pesadamente.
- Isso Ă© jeito de receber seus amigos, SelĂȘnia? - Diz Victoria arqueando sobrancelhas, em seguida pegando a maça da minha bandeja.
- Quem disse que vocĂȘ Ă© minha amiga? â digo, e começo a sentir os tremores novamente em meus braços. â E que droga vocĂȘ fez nos meus braços?
- Ah, - Victoria estreia as sobrancelhas parecendo pensar. â Quanto a isso, nĂŁo se preocupe, vai passar, mas procure ficar calma, quanto mais se preocupa, ou sei lĂĄ, pior serĂŁo os tremores.
- Mas por que? â indago ainda nĂŁo satisfeita.
- Victoria ergue uma sobrancelha, e contorce a boca.
- Vou saber garota? Eu lĂĄ tenho cara de Geriatra! â diz revirando os olhos, em seguida olha para Austin. â Como Ă© que vocĂȘ aguenta, em? Bem, de qualquer forma, eu vou sair daqui, preciso ver alguĂ©m... AtĂ© mais tarde gato, e... relaxa a ferozinha ai. â Diz rindo, se levanta e vai indo em direção a saĂda, com a minha maça em mĂŁos.
- Ei, pode relaxar Sely, ela jĂĄ se foi. â Diz Austin, pegando minha mĂŁo
 - Como ela foi hoje? Aprontou alguma? Não nos expos por ai, não é?
- Ei Sely, calma. E a agiu normalmente, quero dizer, normal nos padrĂ”es de normalidade de Victoria. â Diz rindo. â Perguntaram sobre sua semelhança com vocĂȘ, ela disse que era sua prima distante, que veio morar com vocĂȘ, e entĂŁo tĂĄ tudo bem, ocorreu tudo muito natural, fiquei de olho nela o dia todo, ela nĂŁo me saiu de vista nem por um minuto, entĂŁo relaxa, ok?
Olho para ele, ainda um pouco tensa, mas acabo relaxando.
- EstĂĄ ok. â Digo me rendendo.
Austin me olha por um minuto e sorri.
- Que tal nĂłs passarmos na casa de Nick hoje Ă tarde, desde todos esses acontecimentos, vocĂȘ nĂŁo foi visita-la. AtĂ© mesmo Abigail foi atĂ© sua casa para ver se estava tudo bem com vocĂȘ, mas como vocĂȘ dormiu por dias, ela acabou desistindo, entĂŁo, que tal darmos uma passada lĂĄ?
A ideia não me parecia ruim, Austin tinha razão, eu precisava visita-la, depois de todo esse tempo sem dar as caras, eu com certeza tinha muitas explicaçÔes a dar. Afinal de contas, ela morava ao lado.
- Ă, vocĂȘ tem razĂŁo, vem comigo?
- Mas Ă© claro, ela deve estar se perguntando atĂ© hoje do tornado? â Diz Austin rindo.
- Que tornado? â pergunto confusa.
- Ah, Ă© uma longa histĂłria, te conto no caminho, vamos? â Austin estendo a mĂŁo para mim, e eu a pego.
- Mas e o quarto perĂodo?
- Ah, vamos SelĂȘnia, vocĂȘ nĂŁo quer dormir por mais trĂȘs horas, nĂŁo Ă© mesmo?
Estreito as sobrancelhas.
- Como Ă© que...
- NĂŁo fiquei sĂł de olho em Victoria hoje nĂŁo. â Diz sorrindo maliciosamente. â Agora vamos.
Diz e puxa-me pelo braço, saindo para fora do refeitório.
No estacionamento ele pega meu carro, abre a porta e entra pela porta do motorista.
- Hoje Ă© eu que vou dirigir, e nem tente protestar, faz dois dias que eu nĂŁo pego em um volante. â Diz sorrindo.
Por mim tudo bem, não fazia muita questão de quem dirige ou não. Abro a porta do carona e entro, entrego as chaves a ele, que då a partida e sai rumando em direção a cada de Nick.
SĂł espero que Victoria quando estava em mim, nĂŁo tenha causado algum dano emocional em Nick.
Pois Aaron e Austin pode entender o porquĂȘ do meu comportamento estranho, mas nĂŁo havia maneira de explicar isso para uma garotinha de 11 anos. NĂŁo, nĂŁo havia como.
Austin havia dito que nĂŁo, mas como ele estava apenas tentando ser gentil, eu nĂŁo poderia ter absolutamente certeza, entĂŁo era realmente Ă© melhor eu checar pessoalmente.
 NAQUELE MESMO DIA
22:00 HRS DA NOITE
EM UM BECO DE Newport
 Ah, mas que droga, quantas horas mais terei que esperar? Serå que ser pontual agora é luxo? Vamos logo!
Escuto passos vagarosos se aproximando em minha direção, olho para o lado e vejo penumbra de uma figura alta, e de corpo esguio surgindo em meio a neblina.
- Boa noite. â Soa uma voz melĂłdica e atraente.
- Ah, corta logo o papo furado e vamos ao assunto. â Digo rapidamente.
Ouço um risinho muito baixo.
- Sempre precipitada de mais, nĂŁo Ă© Victoria, sem formalidades ou rodeios, direto ao ponto. Isso sempre foi de seus maiores defeitos.
- NĂŁo acredito que eu vim atĂ© aqui e fiquei todo esse tempo para ouvir sobre meus defeitos. TĂŽ perdendo meu tempo. â Digo me levantando, ficando de pĂ©.
- Cautela nunca Ă© demais, minha cara. Afinal de contas, vocĂȘ jĂĄ me traiu uma vez, nĂŁo pretendo repetir o mesmo erro.
- Desculpa, tĂĄ? Eu mandei mal, eu sei disso, Ă© sĂł que eu nĂŁo permitiria que vocĂȘ o matasse, o amor que ele sente por ela, sabe, a ponto de nĂŁo querer viver mais, isso... Isso Ă©... Uma coisa que eu... eu...
- Que vocĂȘ nĂŁo entende? NĂŁo compreendo o porquĂȘ de tamanha estupidez. Ă por que vocĂȘ nĂŁo conhece o amor, Victoria, isto Ă© uma coisa que vocĂȘ nunca entendera, quanto menos terĂĄ. Todo o amor que vocĂȘ tinha, ficou com SelĂȘnia, e nĂŁo restou nada para vocĂȘ. Somente Ăłdio e trevas. E persistir nosso, serĂĄ o maior equĂvoco de sua vida. Isto a consumira e a destruirĂĄ de tal maneira que vocĂȘ nĂŁo terĂĄ ideia...
- Para... Para, cala boca! â grito, implorando para que parasse de falar. Suas palavras surtem com efeito de socos em meu estomago. Quase sem fĂŽlego eu continuo â cala boca, tĂĄ legal, eu... eu quero tentar.
- VocĂȘ vai se arruinar.
- Estou nem ai para o que vocĂȘ pensa. Eu o quero... eu o quero pra mim, eu vou tĂȘ-lo, nem que pra isso tenha que passar por cima de vocĂȘ. â O ameaço.
Ele fica em silencio por um tempo. EstĂĄ muito escuro, nĂŁo consigo enxergar seu rosto, nĂŁo tenho ideia do que ele esteja penando.
- Muito bem, como queira, mas lembre-se de que a decisĂŁo foi sua. â Faz uma pausa, e vira-se de costas para mim. â Use a adaga, Ă© tudo de que vai precisar,
 Diz isso e vai se afastando.
Suas roupas pretas misturam-se com a escuridĂŁo, seus passo tornam-se inaudĂveis, em questĂŁo de minutos ele desaparece, nĂŁo deixando qualquer rastro que indicasse que a alguns minutos ele esteve ali.
E de fato parece que nunca esteve.
Olho para o relĂłgio e... nĂŁo... HUM. NĂŁo se passara um segundo sequer desde que ele chegara.














