Quando criança, participei de um grupo artístico da escola. Fazíamos teatro, jazz e balé, várias apresentações até fora da cidade e isso era demais. Aos 15 anos eu machuquei o joelho, lesionei o menisco, rompi uns ligamentos e com isso, saí do grupo e nunca mais voltei.
Perto dos 20 anos, conversando com uma pessoa que eu namorava na época, ela falou sobre aulas de arco e flecha que ela tinha e eu falei sobre isso. A gata respondeu que a ex dela era bailarina, mas era bailarina de verdade... Eu fiquei brava, chateada com aquilo, com o desdém nas palavras dela a meu respeito, pela comparação, pela exaltação da ex sobre mim onde o papo era só sobre coisas da infância e não competição entre pessoas com quem ela namorou. Meses depois nós terminamos.
Vários anos depois eu conheci outra pessoa. Enquanto nós nos conhecíamos, novamente as histórias saiam da memória, ela me contava sobre o futsal que ela aprendeu novinha e naquele momento não estava jogando por uma lesão no tornozelo e eu contei minha história do grupo artístico.
Até hoje, 08 anos depois ela enche a boca para falar as outras pessoas sobre as minhas histórias. Nós vamos juntas para a academia -local onde ela trabalha- eu estou pesando 30kg a mais do que quando ela me conheceu e ela me apresenta com brilho nos olhos para todas as pessoas que ela conhece ali. Quando alongamos, os professores falam algo sobre o meu alongamento e ela enche a boca para falar que já fui bailarina.
Essa diferença grita tanto dentro de mim.










