A dor que eu sempre escondi
Eu não sei por onde começar. Talvez pela dor que nunca conseguiu sair de dentro de mim.
Sou a filha que nunca desabafou porque as palavras sempre morriam na garganta antes mesmo de nascerem. Sou distante, não por escolha, mas porque aprendi a me proteger mantendo os outros longe, construindo muros altos demais para que alguém pudesse escalá-los.
Desde cedo, fui a menina que guardava as lágrimas como segredos, acreditando que, se ninguém visse, talvez a dor desaparecesse. Não desapareceu. Mas também não enlouqueci. Aprendi a colocar um sorriso onde havia cicatrizes, a andar com a cabeça erguida mesmo quando meu coração pesava como se fosse um corpo estranho.
Eu me curei sozinha tantas vezes que perdi a conta. Colei os pedaços do meu próprio coração com mãos trêmulas e feridas. Mas o que ninguém nunca me contou é que, mesmo quando nos remendamos, as marcas ficam. E, às vezes, essas marcas gritam mais alto do que qualquer palavra.
Tornei-me especialista em não pedir ajuda. Por orgulho? Talvez. Ou talvez porque, no fundo, eu acreditava que ninguém entenderia a confusão que carrego por dentro.
Eu sou a tempestade e o abrigo ao mesmo tempo. Sou aquela que diz "está tudo bem" enquanto desmorona por dentro.
E o que mais dói, talvez, seja perceber que ninguém nunca olhou fundo o suficiente para enxergar o que eu escondia. Mas como poderiam? Eu sempre fiz questão de esconder.
Sou silenciosa, distante, a menina que não se rendeu ao caos. Mas hoje, só por hoje, eu queria não ter que ser forte. Queria que alguém olhasse além do meu silêncio e me dissesse: "Eu vejo você. E está tudo bem."















