“eu até acho possível, mas como que não vazaria essa informação que ela morreu? é algo grande, não acho que seja fácil assim pra uma família simplesmente esconder.”

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“eu até acho possível, mas como que não vazaria essa informação que ela morreu? é algo grande, não acho que seja fácil assim pra uma família simplesmente esconder.”
“que? ah, eu não tô te filmando, só estou usando a lanterna pra achar meu brinco que caiu no chão. a culpa não é minha se você entrou na frente do flash bem na hora que eu liguei!”
“eu posso te ajudar, mas consertar isso não te faz menos fora da lei. como se sente, nova jovem infratora?”
𝘣𝘦𝘥𝘳𝘰𝘰𝘮 𝘪𝘯 𝘢𝘳𝘭𝘦𝘴, 𝙘𝙤𝙡𝙙 𝙣𝙞𝙜𝙝𝙩.
o vento gelado da madrugada parecia estapear seu rosto enquanto caminhava pelas ruas frias de yeonok. o vestido curto não ajudava naquela situação, muito menos as lágrimas que insistiam cair por suas bochechas, aumentando a sensação de que iria literalmente congelar ali. seus passos eram rápidos enquanto mantinha os próprios braços amarrados em seu torso, tentando inutilmente esquentar-se um pouco mais. olhava para o chão, sem coragem nenhuma de levantar a visão; os olhos vermelhos e o soluçar incessante a entregavam, era impossível esconder que estava chorando. não queria ser vista naquele estado. já havia sido o bastante sair sem mais nem menos da festa, ser vista aos prantos seria demais para um dia só. se soubesse que iria acabar daquele jeito, não teria saído de casa de antemão. apesar da personalidade forte, ela ainda se via angustiada com seu próprio passado mal resolvido. nunca fora aceita pela família e, quando finalmente foi, era apenas puro interesse dos choi nos poderes da menina. é óbvio que ela tentou sair por cima, e saiu, mas só ela sabia o quanto aquilo havia a afetado. o sentimento ruim que nem ela era capaz de explicar sempre está ali, por mais que ela tente ignorar ou simplesmente escondê-lo de todos, inclusive de si mesma. era óbvio que aquele sistema iria vir abaixo algum dia, mas yujin não esperava que aquilo fosse acontecer naquela noite, muito menos durante uma festa. mesmo que por uma decisão impulsiva, a choi deixou o local assim que as primeiras lágrimas começaram a cair pelo seu rosto. não se deu o trabalho de se despedir, já que estava sozinha desde que chegou e tinha certeza que não daria falta de sua companhia. na mesma confusão que deixara o local anteriormente, yujin se aproximava de seu apartamento. seu coração batia forte em seu peito devido ao ritmo rápido que caminhava e sua mente não podia processar mais nada além do fato que ela precisava chegar em casa o mais rápido possível. não demorou mais do que cinco minutos para que ela finalmente chegasse à porta do apartamento em que morava, abrindo a porta com todo o cuidado do mundo para não acordar ou atrapalhar @rdxjulong, caso estivesse em casa. agradeceu mentalmente quando encontrou a sala de estar totalmente escura, deduzindo estar sozinha. assim que contatado, se jogou no sofá, embrenhando a cabeça no travesseiro e voltando com o choro, este que só havia parado no momento em que chegou não ter companhia. teria começado com as lamúrias se não tivesse o próprio choro interrompido por uma tosse que não parecia muito distante de si. num susto, levantou o olhar, dando de cara com o melhor amigo sentado numa das poltronas da sala. rapidamente se ajeitou no sofá enquanto tentava limpar o rímel que insistia em derreter, falhando miseravelmente. "aish julong, eu não tinha te visto aí... me deu um susto, sabia?" disse tentando sair da situação estranha em que se encontravam.
“os religiosos dizem que demônios tem várias formas dependendo do que pretendem e quem é o alvo, então acho que, apesar de relativa, a beleza é unanime nesse conceito. a arte apenas retrata o que é bonito aos olhos do senso comum.”
“ah, agora entendi, mas geez, que matéria chata. se eu soubesse que economia ia requerer tanta geografia assim eu teria pensado duas vezes antes de colocar como primeira opção... todas essas teorias demográficas soam como uma viagem de um cara muito chapado num domingo à noite.”
por mais que não fosse a pessoa mais amigável do mundo, yujin não conseguia tirar o sorriso do rosto desde que aquela conversa sobre cowboys havia começado. em parte, a simpatia e o bom humor eram atuação, mas, afinal, não era de pedra e o seu senso de humor era fraco demais para qualquer piada sem noção ou uma conversa sem pé nem cabeça como aquela. "pode deixar, cowboy, vou arrumar uma fantasia pra te fazer companhia nesse mico que vai ser sair por aí vestido desse jeito." não pode evitar que sua imaginação fértil personificasse tal acontecimento, rindo sozinha de toda aquela situação. a medida que via o outro se remexer em sua cadeira, ela o olhava fixadamente, tentando, de algum jeito, decifrá-lo com o próprio olhar, por mais árduo que aquilo poderia ser. ouvia o que lhe era dito enquanto segurava o olhar intenso, este que quase fora quebrado pela vontade de rir ao perceber o quão confiante o outro era. outrora, a choi acharia a fala engraçada até demais, mas, naquelas circusntâncias, permitiu-se apenas concordar com um sorriso latino estampado em seu rosto. "ah, mas é claro que ajudo. é importante se conhecer, entender como o seu eu se relaciona com o ambiente... descobriremos o seu estado de espírito, eu prometo." disse num tom confiante como se aquele assunto fosse realmente algo sério. o olhar fixo da coreana não deixava nenhuma expressão de kai passar despercebida, e com o seu próprio olhar sob os lábios de yujin não fora nem um pouco diferente; já era a segunda vez que aquilo ocorria naquela noite, entretanto, a primeira em que ela se deu o ilustre prazer de perceber tal ato. já suspeitava dos interesses do garoto à sua frente desde o início de toda aquela conversa leviana e teve a sua própria teoria confirmada com o convite nem um pouco discreto para que saíssem dali. ela já sabia muito bem o que aquilo significava e, após observá-lo por todo aquele tempo, já havia contatado que não tinha absolutamente nada a perder. ”nah, aqui está chato demais, vamos dar uma volta.” respondeu, já se preparando para deixar o local. copiando os gestos do outro, seu olhar agora se direcionava também aos seus lábios, tentando mostrá-lo que suas intenções eram igualmente correspondidas. ”vamos pra onde, afinal? já está meio tarde e aposto que o campus está vazio...” vociferou a sua dúvida, já que realmente não fazia ideia de onde poderiam ir, partindo do pressuposto que os prédios da instituição estariam, em sua maioria, fechados.
“tá debochando da minha responsabilidade, garoto? aish, você anda bebendo mais que eu... assim eu perco a nossa aposta de sempre.”
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riu assim que ouviu o que lhe fora dito, colocando a mão à frente da boca numa tentativa falha de não atrair olhares para si devido o som. “ser vaqueira não se resume a roupa, é um estado de espírito... pode não parecer, mas eu estou vestida de vaqueira agora. espiritualmente.” brincou, rindo de si mesma pelas bobeiras que falava; levava o emoji de cowboy e todo o seu conceito a um nível acima de tudo e todos. ”brincadeiras a parte, infelizmente eu não tenho fantasia de vaqueira, por mais que ame falar yee haw por aí... sou uma vaqueira incompleta.” confessou entre risos, analisando o garoto à sua frente pela primeira vez naquela noite. por um momento, a choi se arrependeu por nunca ter reparado nele antes; como podia ter deixado um rostinho daqueles passar em branco, ainda mais na mesma casa que ela? ele é lindo, pensava para si mesma. tinha traços fortes e bem desenhados, além do tom de pele bronzeado e da altura considerável, o que era muito importante para si, já que era considerada alta até demais. “não precisa ficar enciumado, babe, pelo menos não hoje. só tenho olhos pra você.” a decisão de se mostrar mais interessada veio assim que ela se viu encarando mais do que o normal, deixando um sorriso de lado escapar de seus lábios. tudo que yujin falava ecoava mais algumas vezes em sua cabeça, trazendo a vontade de rir enquanto recapitulava as suas falas em sua mente; no fim das contas, não soava tão patética para uma primeira experiência, apesar de não se contentar com o suficiente. queria sempre ser a melhor, sempre. “e você, vaqueiro, só veio vestido de homem mais lindo que eu já vi mesmo ou tem algum estado de espírito escondido aí?” indagou, bebericando do vinho tinto que não fazia ideia de como havia parado ali. olhava para o par com um sorriso descrente; afinal, nem ela acreditava nas palavras que o lançava, querendo rir de si mesma pela quinquagésima vez em apenas alguns minutos.
sorriu aliviada assim que ouviu o outro, soltando a respiração que nem ao menos lembrava de ter prendido. “ah, que bom, então! por mais que ainda seja relativamente cedo, aqui já está cheio... o pessoal realmente se empenhou.” disse mais aliviada, olhando os casais nas mesas que dominavam o espaço. era possível ouvir risadas ao fundo, essas que se misturavam a melodia que tocava no local, tornando o ambiente o mais romântico possível, combinando com a data. para yujin, aquele era literalmente o som do inferno. em outro momento, ela provavelmente riria e debocharia de toda aquela situação que, ao ser ver, era ridícula, mas seria hipocrisia demais naquele momento, sentada de frente para um encontro arranjado como todos os outros ali. detestava a ideia de se envolver romanticamente com alguém; via aquilo como algo que a puxaria pra trás, uma desvantagem, um atraso. o pensamento é sim egocêntrico e ela tem plena certeza disso, mas não se envergonha nem um pouco por pensar desse jeito. sentia medo, então, que aquilo tudo lhe confundisse. não se deixou ir muito a fundo em seus pensamentos enquanto varria o olhar pelo local, já que fora interrompida com o selar depositado em sua mão que estava, antes, sobre a mesa. sua primeira reação foi um sorriso, já que o contato fora repentino e estava mais envergonhada que o normal, apesar de ter gostado. se antes seus pensamentos falavam mais alto, foi a partir daquele momento que ela decidiu parar de dar ouvidos a eles e permitir-se ter a experiência completa daquilo, podendo julgar no fim. “eu ia dizer que você também está right on time, mas como chegou antes... you looking right, though.” riu enquanto falava, lançando-o um eye smile. se tinha uma coisa que ela sabia e gostava fazer era flertar.
𝙨𝙩𝙖𝙧𝙧𝙮 𝙣𝙞𝙜𝙝𝙩, 𝘣𝘭𝘪𝘯𝘥 𝘥𝘢𝘵𝘦.
yujin estava ansiosa. andava pelo campus em passos rápidos, não querendo se atrasar um minuto se quer; apesar de ainda estar dentro do horário, lembrava-se da mensagem que mandara mais cedo a cada segundo que passava. de qualquer jeito, não queria deixá-lo ansioso, muito menos esperando. foi com esse pensamento que apertou mais ainda os passos, segurando a bolsa que carregava nos ombros próximo de si para que não caísse. não demorou muito para que, finalmente, pudesse ver o espaço montado justamente para a tal comemoração, se surpreendendo com a magnitude da coisa. sabia que seria grande, mas não esperava algo daquele jeito, com tantas pessoas e mesas. andando mais calmamente dessa vez, a choi se permitiu olhar-se pela última vez no vidro de um carro estacionado próximo ao local, ajeitando o cabelo milimetricamente pela quinquagésima devido ao nervosismo. apesar dos apesares, aquele seria realmente seu primeiro encontro. o nervosismo, entretanto, não vinha somente pelo fato de não saber muito além do nome da companhia que teria para o resto da noite, mas também por estar quebrando uma barreira que construiu deste que saira de casa: sentimentos a enfraqueceria. tinha medo de toda aquela comemoração e festa fosse interpretado de uma forma errada por si mesma, perdendo para seus próprios valores. com a cabeça um verdadeiro nó, ela apenas decidiu cair na realidade, indo, até que enfim, para o tal local onde as mesas estavam distribuídas e os jovens já comemoravam com os devidos amigos. rapidamente achou a mesa com apenas um lugar vazio onde @rdxkai sentava, se dirigindo até lá. “te deixei esperando por muito tempo? espero que não tenha dado margem pra pensar que eu realmente te daria um bolo...” disse entre risos enquanto sorria e sentava na cadeira bem à frente do outro. “oi...” o cumprimentou, enfim.
“é, uma câmera bem ali, olha... pior que eu não sei como faz pra isso sair, talvez álcool? mas, de qualquer jeito, já está registrado...”,
“do jeito que essa gente é, realmente duvido se não iam querer interromper... e por que eu te ajudaria? nem sei o que você quer fazer direito, afinal.”
“isso é um desafio ou você só está me provocando? por mais que eu tenha um rostinho desses, não acho que ficaria legal uma presidente fazendo isso no meio do campus.”
“se divertir mais que eu é impossível, mas eu ainda tenho senso, não quero ter que arcar com as consequências disso. as paredes desse lugar tem ouvido, de qualquer jeito…”