eu não sei porque converso com poetas que já morreram
bom. aqui estamos. e como já estou aqui decidi um negócio: vou voltar e desabafar. só que eu enfrento um pequeno dilema: há meses não escrevo e parece que as palavras não me encontram. ou eu não encontro as palavras. sei lá. acho que essa é uma dança que se dança à dois. eu e ela, ela e eu.
mas eu não sou uma criatura de hábito e tenho mania de deixar as coisas pela metade. até mesmo aquilo que eu amo. e uma vez mais, deixei a escrita de lado, sendo que ela nunca me deixou. nas minhas maiores alegrias e na mais pulsante agonia, as palavras estiveram comigo. e eu as deixo ir, na esperança que elas sempre voltem.
mas eu tenho medo delas não voltarem. porque sem elas, quem eu sou?
eu construí uma vida pra mim em cima das palavras, em cima da expressão. e o que eu sou sem tudo isso? o que resta aqui dentro? será que eu sou só o que eu expresso? o que é que eu escondo? as palavras me descobrem ou me escondem?
sabe... às vezes eu queria ser uma minhoca. pra não pensar e pra não precisar de ninguém. do meu sumo eu iria viver e de mim surgiriam outras eu. sei que é esquisito, mas enfim, eu disse que voltaria a desabafar.
outras vezes me pego pensando - meu deus do céu o que é que as pessoas vão pensar se lerem esse troço bizarro que eu tô escrevendo. mas no fim, minhas palavras são pra mim uma ferramenta de auto interpretação e catarse, não uma tentativa desesperada de identificação. deve ser por isso que alguma coisa deu certo pra mim. sempre fui sincera com o que eu queria e com o que eu amava. e o amor sempre volta, sempre toma uma outra forma. deve ser por isso que as palavras continuam em mim.
oh là là, bref.
eu escrevia muito sobre amor por aqui. e o faria novamente. e talvez o faça. tudo no seu tempo.
no fim das contas, tudo que eu escrevo termina nesse mesmo lugar. porque com todas as minhas frustrações, dúvidas, palavras confusas, eu só tô procurando o amor. eu só quero ser capaz de amar.
talvez drummond estivesse certo ao dizer que o coração não é maior que o mundo e talvez tudo isso aqui dentro não caiba nele e por isso eu estou tão confusa e frustrada e triste e tudo-mais-de-complicado-que-consigo-sentir.
mas eu não me rendo, drummond. porque meu coração pode não ser maior que o mundo, mas o amor pulsa em cada átomo do meu ser, em tudo que eu fui, sou e serei. e isso-tudo-que-eu-sou não é um mundo, é um universo. e, pelas minhas contas, um universo é maior que um mundo.
enfim, sei lá.
o frigir dos ovos (eu não acredito que tô usando essa expressão mas vamo lá), eu só tô tentando encontrar formas de insistir no amor. de acreditar que, independente do meu tamanho ou do tamanho dos meus órgãos, é o amor que vale a pena.
o aperto aqui dentro
a pele arrepiada
o sorriso
ou o suspiro
são minha poesia.
não porque eu
as desenho como tal
não porque
rimar não seja nada mal
mas porque
elas são a personificação
da chegada imprescindível
da emoção.
e nenhuma rima
nenhuma métrica
nenhuma língua culta
me importa.
eu gosto mesmo é
da língua na língua
do tato
do teu suspiro
no meu pescoço
das cores
do teu sorriso
da forma
que se torna
o amor
quando nos tocamos.
eu não podia estar ligando menos pra rimas
quando a vida em si
é a minha mais preciosa
e mais importante
poesia.















