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⁂

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@recitante
Tem gente que te marca. Gente que só passa. Gente que se acomoda na poltrona e segue viagem com você. Gente que nem se senta, só conversa e vai embora. O trem da vida nunca para. Outras pessoas virão. Ocuparão lugares distintos ou deixarão apenas vestígios. Algumas um vagão inteiro e outras que partirão na próxima estação. Algumas terão preferência, outras apenas pegarão carona. Umas irão te desgovernar, outras te colocarão no eixo. Haverá gente de todo tipo de gente, entrarão e sairão à todo momento. E você estará sentado na janela observando a paisagem de fora, sentindo as mesmas sensações e emoções a cada dia. Conhecendo muitas pessoas, gente que fica e gente que só veio dizer adeus.
Recitante.
Tô cansada de me sabotar, de driblar meus instintos, de mentir pro meu coração, de ouvir gente mesquinha e seguir opiniões que não combinam com as minhas. Não quero mais saber se o tempo tá fechado, se a roupa é curta, se o vizinho falou de mim ou do fulano na esquina. Não tô perdendo nada em não saber o quê pensam ou falam sobre mim. Tô querendo mudar, repaginar, apagar, romper, limpar. Quero conhecer lugares novos, pessoas diferentes, que se importam ou não comigo. Quero ter sensações novas, cabelo novo, seja curto ou alongado, vermelho ou amarelado. Quero ser renovada de pessoas, de ideias, de fatos. Quero ter história pra contar, engraçada, triste ou até mesmo de azar. Quero sorrir até perder o fôlego e sentir aquela dorzinha na barriga. Quero aprender a ignorar certos tipos de coisas e continuar plena. Quero ser plena! Plena em tudo que fizer, nas escolhas que tomar e no calçado em que usar. Quero ser mais eu! E me afastar de gente egoísta, de gente que atrasa, que não soma, que inveja, gente que odeia. Quero odiar o ódio, amar o amor e depositar mais esperança onde não tem. Quero aprender a pondeirar as pessoas, as conversas, mas nunca me privar de gargalhar. Quero me soltar, ser o que vim pra ser, doa à quem doer. Porque esse mundo tá tão chato e eu não encontro o botão de stop.
Recitante.
“Você é o meu oposto, sempre calmo e complacente. Você até bravo pensa pra falar, eu não. Saio atropelando as palavras e falo o que não deveria. Você pede desculpas depois da briga; eu fico emburrada, dou patadas e não sei pedir desculpas. Você é carinhoso, sempre tá disposto à romper a cara de “mau” para me dar um abraço. Eu te importuno, com brincadeiras que só a gente sabe. Te xingo, você não devolve. Eu brigo, você me abraça. Sou arrogante, você carinho. Não sei se existe alguém que me suporte como você. E olha que nem minha mãe suporta. Mas você vê o meu interior, minha'lma. E todas às vezes em que eu penso que talvez um dia o destino tente nos afastar. Eu me lembro daquele seu olhar, no dia que foi me buscar no aeroporto com as flores nas mãos. Olhando para mim, como se eu fosse a mulher mais linda do mundo. E é nessa hora meu amor, que tenho certeza: que ninguém no mundo vai me amar, como você me ama. E que, nunca amei, como eu te amo.”
— Recitante.
Tô cansada de me sabotar, de driblar meus instintos, de mentir pro meu coração, de ouvir gente mesquinha e seguir opiniões que não combinam com as minhas. Não quero mais saber se o tempo tá fechado, se a roupa é curta, se o vizinho falou de mim ou do fulano na esquina. Não tô perdendo nada em não saber o quê pensam ou falam sobre mim. Tô querendo mudar, repaginar, apagar, romper, limpar. Quero conhecer lugares novos, pessoas diferentes, que se importam ou não comigo. Quero ter sensações novas, cabelo novo, seja curto ou alongado, vermelho ou amarelado. Quero ser renovada de pessoas, de ideias, de fatos. Quero ter história pra contar, engraçada, triste ou até mesmo de azar. Quero sorrir até perder o fôlego e sentir aquela dorzinha na barriga. Quero aprender a ignorar certos tipos de coisas e continuar plena. Quero ser plena! Plena em tudo que fizer, nas escolhas que tomar e no calçado em que usar. Quero ser mais eu! E me afastar de gente egoísta, de gente que atrasa, que não soma, que inveja, gente que odeia. Quero odiar o ódio, amar o amor e depositar mais esperança onde não tem. Quero aprender a pondeirar as pessoas, as conversas, mas nunca me privar de gargalhar. Quero me soltar, ser o que vim pra ser, doa à quem doer. Porque esse mundo tá tão chato e eu não encontro o botão de stop.
Recitante.
“No primeiro colegial, com treze ou quatorze anos, eu gostava de um garoto chamado Márcio. Ele era branquinho e tinha os cabelos castanhos cacheados. Ele namorava a Priscila, uma menina bonita e riquinha e bailarina e de cabelos lisinhos e amiga de todas as outras meninas iguais a ela. Mas a Priscila e suas amigas não faziam sexo.E todo mundo era louco pra fazer sexo com elas. Eu era o que se podia chamar de beleza indefinida. Não era de todo mal, mas também não era a óbvia lindinha. Cabelo nem pro liso e nem pro cacheado e nem pra nada que pudesse ser um estilo ou moda ou até mesmo um cabelo. Roupas do mesmo jeito. Nem feias, nem bonitas. Corpo do mesmo jeito. Nem magra atlética, nem gordinha desleixada. Um meio do caminho que piorava muito quando era dia de uniforme. Não chegava a andar com as meninas feias mas nunca fui amiga da Priscila e das amigas dela. Eu era média.Foi daí que eu tive a ideia. Eu tinha algo que aquelas meninas não tinham: eu fazia sexo. E calmamente caminhei até o Márcio, na hora do recreio, e falei: quatro horas na minha casa, eu vou fazer sexo com você, tudo bem? Ele respondeu sério, sem rir, sem parar pra pensar: me passa seu endereço que eu peço pra minha mãe me levar. Sai pisando firme, com os olhos apertados e com as unhas enfincadas nas palmas das minhas mãos. Minha vontade era sair correndo e só voltar pra escola na outra encarnação. O que tinha me dado?Pois bem, às três da tarde, sem conseguir conter o coração e o intestino, tento expulsar minha empregada de casa. Mas o que você vai aprontar? Sua mãe sabe que vem um garoto estudar aqui? Maria, cadê aquela minha calcinha de renda branca? Convenço Maria a ir embora às quinze pras quatro. Prometo a ela que, se ela não contar nada pra minha mãe, a deixo ir embora todo dia mais cedo e também não conto nada. Quatro em ponto, vejo da janela do meu quarto um Escort vermelho parando em frente ao meu prédio. Márcio desce cheio de livros. Sua mãe o acompanha até a portaria. Ele entra.Meu coração vai parar na língua. Eu vou fazer sexo. Eu consigo fazer. Ele vai enfiar o pinto dentro de mim. Eu vou ficar bem quietinha até parar de doer. É isso. E amanhã, na hora do recreio, ele vai?. Ele vai o quê? Continuar namorando a Priscila, que é bailarina e tem o cabelo lisinho e é amiga das meninas mais bonitas da escola. E eu? Eu vou ter gêmeos, que ele não vai assumir, e eu terei que ir à escola e fazer as provas apesar da barriga. E serei motivo de fofoca pra sempre. E ele não vai falar comigo porque não sou exatamente linda e nem exatamente muito normal e ele nem é da minha turma. Seu pai vai ligar pro meu “precisa de alguma coisa?”. Meu pai não vai querer falar com ele, porque quem resolve as coisas mais difíceis é a minha mãe. E minha mãe não vai querer falar com ele, porque vai estar internada pelo susto. A campainha toca.Do olho mágico, vejo ele puxando de dentro de um livro e guardando no bolso uma fileira animada de camisinhas. Me sinto ofendida: esse menino tá achando mesmo que vou transar com ele?Eu era virgem aos quatorze e assim fiquei até os vinte e um anos de idade. Mas o Márcio, o garoto mais popular e bonito e charmoso e gente boa da escola, estava na minha casa. Abro a porta. Vejo que ele trouxe os livros de química, física e gramática.Tentando parecer descolada mas tremendo muito, pergunto qual matéria ele quer estudar primeiro. Qual? Ele ri, ensaiado: anatomia. E me empurra pro sofá. E vai direto pros meus peitos, sem nem me beijar na boca. Ah, então acho que é assim, né? Que se trata uma puta ou alguém de quem não se gosta. Aquilo tudo me faz mal demais. Se eu fosse uma princesa, teria um namorado pra ir ao shopping. Mas como sou a garota estranha, ele tenta ver meus peitos. E como eu sempre tive curiosidade em saber como era estar com um garoto realmente lindo e desejado, eu deixo. Mas se eu fosse uma princesa, ele estaria agora nervoso pra pegar na minha mão. Triste, triste, vou ficando tão triste. Por que não sou uma princesa?De repente. Puft. Scatapuft. Trililililim. Não sou mais a garota de treze ou quatorze anos, estranha, com o peito direito pra fora e um garoto inexperiente e afobado em cima deles. Estou ao lado da cena, escrevendo esse texto. Márcio é um ótimo personagem para uma historinha. A garota de calcinha de renda branca que mandou a empregada embora é uma ótima personagem também. Não sinto que ele tenta abrir a minha calça, mas leio “ele tenta abrir a calça dela”. Não sinto que ele começa a querer enfiar sua mão dentro da minha calça, mas leio “e ele começa a enfiar a mão dentro da calça dela”. E fico feliz quando, no parágrafo seguinte, descubro que a garota levanta e grita “chega, desculpa, mas eu não consigo, vai embora, por favor, eu não sei o que me deu de deixar você vir aqui”.Márcio, frustrado e muito tímido, veste sua roupa, devagar, como que tentando ainda pensar em algo que salvasse sua tarde de sexo selvagem. Muito provavelmente a primeira. Ela fica deitada, com a camiseta e a alma amassadas. Márcio vai embora. Ela sente uma dor profunda e se promete duas coisas: um dia vou ser uma escritora e um dia vou ser uma princesa.”
— Tati Bernardi.
Caju e BrTT
“Tomei uma decisão definitiva: vou parar de reclamar da vida. Não adianta emburrar, se queixar, ficar com rugas antes da hora. A coisa é bem simples: existem coisas que a gente pode fazer e outras que a gente não pode. O que depender de mim eu faço. O que depender dos outros, bem, daí é com os outros.”
— Clarissa Corrêa.
“Eu sou uma pessoa muito sentimental. Mas são poucos os que sabem disso.”
— Querido John.
“Ela trouxe palavras bonitas e alguns cigarros. Trouxe também aquele sorriso de canto e contou algumas histórias engraçadas. Rimos tanto, tanto, tanto, entretanto ela pediu para que eu esboçasse um gesto de entendimento: eu não conseguia entender uma palavra sequer. Ela então apagou seu último cigarro com a naturalidade de quem está acostumada a enterrar os primeiros amores. Rasgou os meus contos ainda não escritos e escreveu no espelho, com a delicadeza de uma mão trêmula, “eu te amo tanto que prefiro não te estragar. Adeus”. Depois de rir e vir tantas vezes pelo meu mundo, desapareceu levando os silêncios, as cinzas, os contos e esse coração aprendiz que, de tanto esperar, desaprendeu a ter paciência.”
— Eu me chamo Antônio.
“Você é o meu oposto, sempre calmo e complacente. Você até bravo pensa pra falar, eu não. Saio atropelando as palavras e falo o que não deveria. Você pede desculpas depois da briga; eu fico emburrada, dou patadas e não sei pedir desculpas. Você é carinhoso, sempre tá disposto à romper a cara de “mau” para me dar um abraço. Eu te importuno, com brincadeiras que só a gente sabe. Te xingo, você não devolve. Eu brigo, você me abraça. Sou arrogante, você carinho. Não sei se existe alguém que me suporte como você. E olha que nem minha mãe suporta. Mas você vê o meu interior, minha'lma. E todas às vezes em que eu penso que talvez um dia o destino tente nos afastar. Eu me lembro daquele seu olhar, no dia que foi me buscar no aeroporto com as flores nas mãos. Olhando para mim, como se eu fosse a mulher mais linda do mundo. E é nessa hora meu amor, que tenho certeza: que ninguém no mundo vai me amar, como você me ama. E que, nunca amei, como eu te amo.”
— Recitante.
Vai,
olha dentro dos meus olhos e diz que não gosta dessa bagunça que sou Eu.
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Para de me jogar contra o vento e achar que esse teu vem e vai me trás pra perto. Não quero ser sua de vez em quando, nem ser o seu talvez. Porque o talvez pra mim, não tem vez e eu odeio quando você brinca comigo. Para de segurar o sentimento que você quer soltar, tenha coragem de admitir que me ama ou a dignidade de parar de mentir para você mesmo. Chega de joguinhos, de atuar o quê sente, de me ligar de madrugada com o número privado, só pra ouvir minha voz rouca e mau-humorada. Para de fazer especulações demais, você não é vidente e não sabe o que eu quero se não tentar. Não vê que fico te olhando com aquela cara que as mulheres fazem aleatoriamente, quando quer muito alguma coisa? Será que você não nota, a vontade que salta da minha voz quando digo teu nome? Ou todas as vezes em que arrumo o meu cabelo, na tentativa de te agradar? Queria entender como funciona você. Se te quero, me evita, se evito, me quer. Você é impaciente, intolerante e quando me afasto, você muda. É como se tivesse medo de perder. Mas perder o quê? Quem ama cuida, já dizia a música. Você brinca comigo demais e não sei se vou ter essa paciência para sempre.
— Recitante.