Seu nome é Rabastan Lestrange, possui dezessete anos e está cursando seu quarto ano. É da elite, pertence ao Futebol, Música e Natação. É frequentemente confundido com Logan Lerman e está atualmente sendo interpretado por Driks.
Nascido na influente família Lestrange, Rabastan viveu sob as grandes asas de ouro do parlamento inglês, sendo o filho caçula de um importante político e uma herdeira de minas de carvão. Teve uma infância abastecida de brinquedos, roupas, dinheiro e empregados a seu dispor, porém infestada de lacunas emocionais. A mãe sempre quisera uma menininha para levar às compras e vestir de cor-de-rosa, mas ao invés disso tivera outro garoto. Outro Lestrange com um futuro programado. Um menininho magro, cabelos escuros que insistia em não querer cortar, olhos azuis como os do pai e do irmão. Porém, Rabastan não era nada parecido com o mais velho, Rodolphus. Enquanto o primogênito recebia carga máxima de atenção, boa parte da dedicação e cuidados do pai, o menor se sentia ignorado e de pouco valor. Apenas um ano, cerca de quatrocentos dias separavam um o outro, mas em questão de importância no mundo político e familiar, a diferença era esmagadora.
Sempre muito atento e de pés silenciosos, o menino era os olhos e os ouvidos dentro da mansão. Cochichos e segredos nunca eram secretos para ele que, como hobbie ou diversão, adorava espiar e investigar seus próprios casos. E foi por possuir esse entretenimento que ouviu uma conversa entre um tio e o pai, Sr. Lestrange, em seu escritório. Diziam e repetiam que Rodolphus tinha o que era necessário para administrar os negócios do pai e prosseguir a carreira política, além claro, de ser o mais velho. Em nenhum momento do diálogo o nome de Rabastan foi proferido, o que o levara a crer que não possuía importância para o futuro da família.
O que para muitos poderia ser o gatilho de ódio sendo disparado contra o irmão, para ele foi uma motivação, um elixir de esperança. Daquele momento em diante, Rodolphus seria seu espelho, seu modo de agir e de pensar em frente aos outros. Por fora, seria tudo o que um garoto bem comportado deveria ser, mas por dentro estava gritando. Os primeiros anos escolares se sucederam gradualmente. Aos poucos foi se tornando mais imponente, dono de si. Em certo tempo, já conseguia conversar mais do que nos primeiros anos da adolescência. Embora tivesse compartilhado uma infância suficientemente agradável com o irmão, onde passaram horas brincando e rindo no enorme jardim da família e, em raríssimas ocasiões, com primos que os visitavam, o início da puberdade teve sua cruel eficiência em separar um pouco os dois. Cada qual havia descoberto novos rumos para suas vidas e, aparentemente, não incluíam seus consanguíneos.
Como já era esperado, o ensino médio se deu para ambos no Instituto Hogwarts, colégio de prestígio que levava inúmeros nomes influentes em quadros nos corredores. Tudo estava acertado, as roupas novas estavam compradas, os valores financeiros depositados e agora, finalmente, parecia que Rabastan teria sua chance de sobressair do ninho, de erguer a cabeça e respirar ar limpo e novo. Mesmo com todas as diferenças e complexos adquiridos nos anos de convivência, os irmãos ainda dividem muito mais coisas que o sobrenome. Fazem as mesmas aulas extracurriculares, subsistem no mesmo círculo de amizades, ouvem bandas parecidas e, desde os últimos tempos, rejeitam a inserção de alunos bolsistas no Instituto. Sob o estandarte da pureza e hegemonia dos brilhantes, ricos e poderosos, concordam e fazem questão de transparecer a opinião de que quem não pode pagar, não deve permanecer, e que seria injusto com os bem afortunados, misturar-se com os menos favorecidos. Tal pensamento abraça uma parte considerável dos alunos, mas também recebe críticas e gera conflitos desgastantes até mesmo para os professores.
Para Rabastan, as coisas estão começando a ficarem mais importantes: a universidade está batendo às portas, ele precisa surpreender o pai, precisa manter sua fachada e conciliar seus pesadelos interiores, e além de tudo, ainda alimenta sentimentos que tenta negar com toda a sua força, mas que cada dia se tornam mais impulsivos e se descobertos, os efeitos serão devastadores.
Carismático, dono de um senso de humor ácido, Rabastan não poupa esforços no quesito ‘chamar a atenção’. Isso tudo quando está longe do irmão, pois próximo dele, fica clara a submissão. Temperamental, não costuma deixar uma ofensa ficar impune ou uma provocação sair sem retaliação. Para ele, não existe maquinar uma vingança moral e aplica-la mais tarde, afinal a resposta é imediata. Sua falta de ponderação lhe traz problemas e frequentemente uma detenção ou outra. Toda essa efervescência se equilibra com um coração duro e um tanto frio, misturado com uma insegurança tremenda. Despeja toda mágoa e tristeza em horas a fio tocando seu violoncelo, longe de tudo. Bipolar seria a melhor forma de definir sua personalidade. Uma hora está a mil graus e no minuto seguinte, a beira de um colapso.
Além de possuir um bom desenvolvimento físico e um senso de competitividade exacerbado, o garoto faz proveito da grande visibilidade que o esporte tem na vida escolar, e por isso optou por ingressar no futebol. O grupo de natação acabou sendo por pura pressão social, uma vez que os colegas mais próximos faziam parte e, mesmo que ele quisesse muito estar com os matletas, a influência externa era maior. Uma pena que ele seja péssimo nisso. Música, de uma forma ou de outra, sempre fez parte da vida de Rabastan. A melancolia que tomou conta da transição entre infância e adolescência, era deleitada em horas e horas de Vivaldi e Bach no violoncelo, o que tornou tal escolha praticamente automática.
Não possui amizades duradouras ou realmente verdadeiras, mas tem um grande apreço por Amos Diggory, que é um aluno muito inteligente, o qual vive sempre criando táticas e esquemas para o time de futebol. Também é bem próximo de Alecto, embora ela o trate de certa forma grosseiramente, ambos dividem uma relação insólita, mas que não parece ter motivos para acabar.
Quando participou de sua primeira aula de música uma certa garota chamou sua atenção, Wendy Slinkhard cantava maravilhosamente bem, além é claro, de ser o ser mais doce e lindo que ele vira em Hogwarts, porém a menina era exatamente o tipo de pessoa que ia contra todos os ideais de Rabastan e de sua família, e essa atração e admiração que ele sentiu pela garota de início foi sufocada e mascarada de desprezo. Ele tenta se enganar todas as vezes que seus pensamentos vagam até Wendy, repetindo em sua mente como um mantra que ela é exatamente o tipo de gente que ele não deve se relacionar. Como uma forma de dar evasão a esses sentimentos ele implica com a garota sempre que possível e se sente exageradamente bem quando consegue chamar atenção dela para si mesmo, mesmo que não seja de uma forma muito boa.
É um excelente aluno de matemática, mas hesitou em entrar para o clube de Matletas, uma vez que aquilo o colocaria em uma posição ruim diante do irmão.
Carrega um amuleto de sal e pedra branca por dentro da camisa, que ganhou quando era criança de uma babá. Ela dizia que ajudaria a espantar os pesadelos quando eles viessem.
Sempre se interessou por arquitetura, adora ver e estudar projetos, desenhar pequeninas plantas nas bordas do caderno, enquanto toda a matéria entra por um ouvido e sai pelo outro. Infelizmente não poderá seguir tal carreira porque seu pai já selecionou o que deve fazer. Rabastan deve ingressar na faculdade de Direito dentro de dois anos e isso o deixa extremamente frustrado, inclusive construiu um trilho para seus trenzinhos aos nove anos. Era feito de madeira, cordas e cola quente. Foi seu primeiro projeto arquitetônico.
Em seu violoncelo, perdeu as contas de quantas vezes depositou todas suas tragédias pessoais em sonatas e sinfonias dolorosas. É uma válvula de escape em dias maus.
Rabastan tem fobia de lugares fechados, o que é um segredo conhecido apenas pelo irmão.