“Não se passa nada em Espinho”. É a frase mais recorrente, ouvida em todas as esquinas, gritada aos ouvidos dos outros como se fosse um dado adquirido. Mas não é!
Somos acusados de ser snobes e empertigados, mas só quem é Espinho percebe este sentimento de pertença que nos faz querer sempre voltar para junto desta vista que é postal nas nossas memórias. É em Espinho que está o coração de todos nós e foi (é) aqui que criamos os laços para a eternidade. Os melhores dias (e noites) desenrolaram-se com esta vista como pano de fundo. Os grandes amores nasceram nas ruas com números. As amizades ganham forma, ao longo de anos, às mesmas mesas de café. Há um ponto de encontro para cada um de nós, que nos recebe e nos faz sentir em casa.
Chegamos todos à praia em cinco minutos de chinelo no dedo e toalha na mão; entramos pelas portas adentro da casa uns dos outros, cumprindo a promessa “estou a descer/subir e chego aí em 10 minutos”; conhecemos os nossos vizinhos e os nossos vizinhos sabem-nos de cor (”ainda me lembro quando eras pequenina…já eras assim”); saímos de casa depois do jantar para “tomar um café”; vamos todos “lá baixo”; conhecemos as famílias porque os nossos pais nos falaram sempre dos outros como “o primo da tia do Sr. José que casou com a Teresa da mercearia”; esfolamos os joelhos na rua pelo menos uma vez na vida (quando éramos crianças ou já adultos nas madrugadas a caminho de casa); sabemos realmente o que é uma bola de berlim e um gofre e não ficamos assim tão excitados por isso…
Hoje é o dia desta cidade de amor/ódio, e são muitos os que se orgulham de viver neste cantinho, de ter alma vareira e de ter o mar no horizonte. E sei que os que estão fora sentem na pele a dor de não ter este “nada” que é Espinho.











