Ela estava por cima. Se movimenta fervorosa observando o corpo abaixo de si. Imaginava como aparentava. Sentia o calor no corpo, provavelmente alguns pingos de suor se formavam no rosto e o cabelo estava desgrenhado. Ela continuava no ritmo frenético e constante. De repente, chegou ao seu clímax. Se curvou para trás, soltando um gemido e se curvou para a frente novamente. Sorriu para os moço ali e beijou a sua testa, se virando e deitando ao seu lado. Estavam quietos. Ofegantes. Suados após uma onda inexplicável de prazer.
— Vou ao banheiro. — Ela se levantou, nua e se dirigiu ao banheiro existente no quarto. Sentou na privada e suspirou, por impulso, levou as mãos aos peitos, cobrindo-os, por mais que o gesto fosse estúpido.
— Sabe, por que vocês fazem isso? — o homem gritou da cama.
— Dizem que evita infecção urinária. Eu prefiro evitar, então não custa fazer.
— Você é diferente. Você saiu peladona da cama e não ligou. Normalmente vocês se cobrem.
Ela deu descarga e foi até a pia. Fazendo uma concha com as mãos, ela lavou o rosto e enxaguou a boca.
— Vergonha do corpo, ainda mais para alguém que você, provavelmente, não conhece ou não é íntimo. — Ela agora cutucava um pontinho preto que havia surgido no rosto.
— Entendi. Sinal que eu não sou um desconhecido.
— Bem, você sabe que não é, senão já havia sido expulso da minha casa a uns 5 minutos.
— É assim que funciona?
— É. - Ela havia colocado uma camisola, uma habitual, nada sexy, mas casual e se encontrava parada na soleira da porta. O homem na sua cama agora estava de cueca e tinha as duas mãos atrás da cabeça.
— Você nunca deixa ninguém ficar, né? - Disse, olhando para o teto.
— Ninguém nunca quer ficar. - Ela disse dando de ombros.
— Porque você nunca quer que alguém fique! - Ele agora estava a encarando, com a cabeça apoiada pelas mãos.
— Hey! Isso não é verdade. - ela disse jogando uma almofada na cara dele que soltou uma gargalhada.
— Bem, tinha aquele cara do restaurante…
— O que queria casar comigo no quarto encontro? Não. Isso já é querer ficar demais para mim. Não estou nesse patamar ainda. — Ela disse se encaminhando até a cama e deitando. Os dois agora se encaravam.
— Não é assim que funciona? A gente encontra alguém, acha que vale a pena, se engana, quebra a cara e o ciclo se repete ou a gente encontra alguém que realmente vale a pena e aí a gente casa. E se separa, se necessário.
— Não é bem assim. A gente tem que evitar se divorciar a todo custo. Não é bacana. Casamento é meio que um laço complicado e você tem que ter certeza, senão você está desperdiçando o tempo seu, da pessoa e da outra pessoa que possa vir seu futuro companheiro. - Ele pareceu pensar um pouco. O cenho franzido. A boca semi aberta. Ela lhe deu um beijo rápido, encostando os lábios dos dois.
— Não sabia que você era uma romântica poética.
— Eu não sou uma romântica poética. É só uma forma minha de ver o mundo. As relações. - Ela deu de ombros.
— Hum… e eu seria o que?
— Bem, não é um casamento… mas é algo sólido, eu acho. Quer dizer, eu não de expulsei de casa enquanto ia ao banheiro com a desculpa que eu ficava morta e caiada no sono logo em seguida, ao contrário, você toma café da manhã comigo. Então, pode se sentir privilegiado. Sólido. Constante. Confortável.
— Eu vou levar como um elogio.
— Mas é um elogio! - Ela exclamou, como se pensar diferente fosse um insulto.
— E se um dia eu deixar de ser sólido? Constante? Confortável? E se você achar algum substituto? Eu vou para escanteio!
Ela sorriu o encarando. Os olhos dele demonstravam uma certa angústia misturada com luxúria. Um pouco irônico, mas esperançoso.
— Isso não vai acontecer, meu bem. Não tão cedo.
— Nena










