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Setembro Amarelo e suicídio – vamos falar umas verdades?
Texto por Maísa Amaral
Ilustração: Júlia França
Vivemos num tempo em que uma das coisas mais importantes a se fazer é compartilhar com os outros uma imagem de como somos felizes e realizados. Postamos no Facebook nossas fotos na balada, com os amigos, dos nossos bichinhos lindos, nossas viagens e altas aventuras.
Mas a vida não é sempre assim. Temos altos e baixos e às vezes a nossa própria cabeça parece estar nos sabotando. Saber lidar com estes sentimentos é algo importante, que pode nos ajudar a sentir melhor.
Ontem foi 10 de setembro, um dia muito especial: Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Se tem uma coisa que nós adoramos é de falar sobre tabus: mas quando o assunto é suicídio, a primeira pessoa que precisa falar é você.
Algumas das principais motivações que levam ao suicídio são quadros psicológicos como depressão, esquizofrenia e dependência de drogas. Também valem quadros traumáticos, em especial morte de amigo ou cônjuge. Os jovens entre 15 e 24 anos são os que se destacam como grupo de risco.
Felizmente, segundo a CVV é possivel prevenir 90% dos casos de suicídio. Então se em algum momento de tristeza, angústia ou sofrimento essa alternativa passou pela sua cabeça: fale. Busque ajuda! A própria CVV tem um portal onde é possível falar por telefone, chat ou mesmo Skype com pessoas treinadas para dar assistência a quem passa por um momento de fragilidade.
Agora, antes cedo do que tarde, vale lembrar que as coisas começam do começo e muitas vezes podemos lidar com uma crise antes que ela seja fatal.
Uma proposta bem bacana para pessoas em tratamento de depressão e outros traumas é uma “Self Care Master List”, algo como “Grande lista de cuidados pessoais”. É uma listinha de coisas básicas que ajudam a gente a se sentir bem: qualquer atividade que seja simples de fazer no cotidiano e que traga prazer. E não é necessário ser diagnosticado com algo para se beneficiar desses cuidados, afinal, ficar triste é comum!
Que tal anotar as suas atividades de cuidado pessoal num caderninho que se tem sempre a mão?
Da próxima vez que você brigar com alguém, tirar uma nota meio ruim em alguma matéria, sentir saudades de alguém que se mudou, ou que ficou... Qualquer hora em que você se sentir mal, você terá uma série de ideias de pequenos prazeres pra acalmar um pouco a cabeça.
Vale lembrar que as coisas começam do começo e muitas vezes podemos lidar com uma crise antes que ela seja fatal: Desligar o computador e ir fazer uma atividade legal ou buscar alguém pra conversar são pequenas ações que podem fazer grande diferença.
Pra inspirar compartilho com vocês minha listinha de Self Care:
- Estudar: herbologia, astrologia, permacultura.
- Cozinhar comidas delícia
- Andar de bicicleta
- Praticar bambolê
- Organizar/Limpar quarto e casa
- Brincar de massinha de farinha de trigo
- Brincar de Karaoke no Youtube
- Meditar
- Tirar foto na webcam
- Fazer algum tipo de artesanato
- Dançar loucamente
http://www.revistacapitolina.com.br/a-saude-da-mulher-negra/
http://www.revistacapitolina.com.br/apresentacao-a-ciencia-tambem-e-nossa/
Matéria: http://www.revistacapitolina.com.br/vamos-parar-com-isso-de-conquista-x-fracasso/
http://www.revistacapitolina.com.br/arquitetura-e-pra-mulher-e-engenharia-pra-homem-sobre-o-machismo-nas-profissoes/
A importância do dia da visibilidade lésbica
Texto por Fernanda Kalianny Martins, Sofia Laureano e Laura Miranda.
Ilustração por: Jordana Andrade
Uma antropóloga chamada Gayle Rubin lá na década de 1980 escreveu um texto em que falava o quanto a sexualidade é importante nos momentos de crise política, pois os grupos que não se encaixam no que é entendido como comportamentos “normais” costumam ser mais atacados nesse momento. O curioso é que não se ataca apenas LGBTs, nessas horas todas as minorias políticas costumam sofrer ataques ao mesmo tempo.
Isso tudo é bastante interessante porque apesar dela estar falando do contexto estadunidense, nós facilmente podemos pensar isso para o Brasil, afinal se elegemos a bancada de deputados mais conservadora desde que entramos no período democrático, pós ditadura militar, e temos visto a tentativa de impedir que a tolerância às diferentes orientações sexuais e temas ligados a gênero sejam ensinados na escola, estamos realmente diante de um momento em que a sexualidade tem sido atacada, mas não sozinha. Falei tudo isso para trazer à tona uma outra importante constatação dessa antropóloga, ela também enfatiza o quanto dentro do campo da sexualidade, do movimento LGBTs, há hierarquias. Apesar de ter algo que une as pessoas LGBTs, que seria esse tipo de perseguição que é sofrida, há diferenças de gênero, de raça, de classe social que estão colocadas e não se pode fugir disso.
É por motivos ligados a esse que normalmente os movimentos passam a se segmentar. Se as mulheres negras lésbicas tinham dificuldades de se inserir no movimento negro, pois não encontravam espaço para pensar sexualidade, e ao mesmo tempo dificilmente se colocavam no movimento feminista, pois havia uma falta de inserção das pautas das mulheres negras dentro do feminismo, não foi muito diferente dentro do movimento LGBT. Lá também havia divergências e dificuldades das mulheres lésbicas se colocarem.
No dia 29 de agosto de 1996 foi organizado o primeiro SENALE – Seminário Nacional de lésbicas e mulheres bissexuais – e foi desse primeiro seminário que resultou a data da visibilidade lésbica. E essa data se torna importante porque traz à tona essas complexidades e diferenciações. Não significa de forma alguma que não se quer uma unidade das identidades que estão por trás das letras LGBTs, mas sim que é preciso dar enfoque para a multiplicidade que está aí atrás.
Portanto, no dia 29 de agosto estamos trazendo a necessidade mais uma vez de pensar a forma que a lesbofobia ocorre, o que suscita pensamentos ligados à saúde ginecológica das lésbicas, a forma que enfrentamos dificuldades no seio familiar por não aceitação, a questão da violência sofrida na rua, os possíveis estupros corretivos que ainda acontecem, a maternidade encarada por duas mães que se amam, a questão da adoção, do casamento... São tantos temas e tantos problemas que podem se assemelhar a outras pessoas LGBTs, mas que de algum modo se faz diferente quando se trata de mulheres que se relacionam afetivamente com mulheres.
Então nesse dia amigas lésbicas e bissexuais é a vez de mostrarmos nossas caras e nossas pautas. A luta política se dá diariamente, mas em dias como esse podemos relembrar a nossa importância, existência e resistência!
Por que precisamos de recorte de raça ao falar de gênero, orientação sexual e performatividade?
A feminilidade atual não foi criada por mulheres e para mulheres. As características que são tomadas como binárias de gênero foram instituídas a partir de ideais europeus, brancos, capitalistas e cristãos.
Quando falamos de mulheres negras, devemos nos atentar que esse molde de feminilidade não lhes contempla. Assim, constantementr suas performances femininas são negadas.
Além disso, a humanidade de negros é negada pelas pessoas brancas. Dessa forma, foi possível sustentar práticas escravistas. É necessário ressaltar que o fim da escravidão colonial no Brasil é recente, e suas consequências estão presentes na nossa organização atual.
Logo, mulheres negras tem sua humanidade negada por serem negras, e por serem mulheres que não estão em conformidade com a feminilidade branca e europeia. Pessoas brancas projetam em mulheres negras a hipersexualidade e a invulnerabilidade. A força das mulheres negras é cobrada a todo instante. Assim, toda feminilidade negra que não se alinha ao heteropatriarcado branco e capitalista é desviante. E também suas expressões de afetação e sexualidade.
Só é preciso deixar de exotificar essas pessoas, tornando suas vivências essencialmente resistências. As vivencias lésbicas e negras são sim resistências, mas não deveriam. E essas pessoas não precisam estar ao tempo todo levantando essa bandeira.
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