leethedick: Natal com os Navarro — flashback
era engraçado como as reações automáticas da garota quando se tratava de suas tolices, ou geralmente qualquer coisa absurda que saísse de sua boca já que era algo que podia acontecer com certa frequência, inicialmente eram aquelas que demonstravam irritação ou descontentamento, como seus revirares de olhos ou os tão comuns idiota que dick já até tinha se acostumado a ouvir e que com o passar do tempo esses comportamentos passaram a adquirir entonações ligeiramente mais afetuosas (como dick classificaria só para provocá-la, sabendo bem da aversão que ela já tinha mostrado àquela palavra em todas as outras vezes que ele havia tentado empurrá-la em sua direção), porque agora não vinham acompanhados do combo do típico olhar amedrontador e o silêncio de riley, no lugar ele era agraciado com aquelas visões do contentamento no rosto feminino e sua risada que sua mente apaixonada já a incluía na sua lista de sons mais agradáveis, tendo até a capacidade de fazer seu coração pular algumas batidas em consequência. — você ‘tá me objetificando, riley? — questionou em alarme, seus olhos brevemente arregalados durante os três segundos que conseguiu manter aquele teatro antes de ver a necessidade de criar outro, levando sua mão até o local onde ela havia o acertado com uma leve careta de dor e um bico tomando conta de seus lábios. — você diz bastante isso. — seu bico apenas aumentou, mas não demorou muito para dar lugar a um breve sorriso, se ser idiota era o preço que ele tinha que pagar para tê-la daquela forma leve ao seu lado, bem, ele nunca teve vergonha de ser absolutamente estúpido.
dick sentiu-se um pouco irritado consigo mesmo quando teve que se esconder por alguns minutos para tentar forçar seu nervosismo a desaparecer, pois os gritos e risos que podia ouvir mesmo no outro cômodo o levava a acreditar que aquela era uma cena que ele gostaria de presenciar porque era algo que estava mundos de distância do que os natais representavam para ele e de como corriam as coisas nas festas grandiosas que os maiden faziam questão de dar todos os anos — ceias fartas e árvores lotadas dos melhores e mais caros presentes onde parecia ser retida toda a felicidade da noite, porque quando se tratava das pessoas eram todas comedidas e sérias demais para agirem como qualquer outra família, até porque na residência dos maiden sempre se tratou muito mais de excelência do que alegria, um dos principais motivos para dick nunca ter se sentido realmente em casa com a família paterna, a criança animada que ele era nunca havia sido visto com bons olhos pelos avós e tios e, principalmente, por richard que sempre fez questão de deixá-lo o mais miserável possível para parecer mais controlado. com bomi era mais leve, quando ela conseguia tirar um tempo para o filho, era apenas os dois já que as relações com o restante do lee eram instáveis desde que a mulher embarcou no mundo da música, apenas para ser totalmente cortadas assim que saíram as notícias do divórcio. quando sua presença se fez evidente não apenas pelo olhar de riley em si, mas também com os gritos dos primos da garota, ele apenas torceu para que tivesse conseguido se livrar do desconsolo em sua expressão graças ao rumo que seus pensamentos tomaram diante da animação dos navarros rápido o suficiente para não ter sido noticiável enquanto dava alguns passos tentativos pela varanda, induzido por um leve empurrão em suas costas que ele tinha quase certeza ser uma obra de christian assim que o pequeno passou por ele junto com algumas das outras crianças. entretanto, se teve algo que ele definitivamente não conseguiu esconder a tempo foi a surpresa de quando jade lhe alcançou com o embrulho em mãos, seu pensamento na hora que talvez ela estivesse se direcionando até alguém atrás dele ou em outro canto da casa e até mesmo tentou desviar dela por achar que a mulher passaria reto por ele, seu ato lhe tirando um risinho sem graça quando o presente lhe foi entregue, a sua falta de jeito se fazendo clara na forma como quase havia derrubado os embrulhos que trazia em suas mãos, optando por os colocar sobre um dos assentos vagos para então poder pegar o presente, seus olhos sutilmente arregalados como um último resquício de sua surpresa logo assumindo a forma de meias luas diante do sorriso que direcionou para a mulher antes de começar a desembrulhar o livro, passando seus dedos delicadamente sobre a capa antes de voltar a sua atenção para jade, — eu vou sim. muito obrigado. — a reassegurou com um breve acenar de sua cabeça, colocando o livro junto com os presentes que havia trazido e resgatando da pequena pilha uma caixinha prata com um lacinho delicado, entregando-a para a mulher antes de subitamente abraçá-la em um ato automático. — feliz natal, srta. navarro. — disse ao se afastar, olhando-a com expectativa enquanto ela abria a caixinha, era apenas uma lembrança que havia se deparado enquanto buscava o presente de riley, um sorriso divertido tomando conta de suas feições ao que apontou para as pedras dos brincos, pois havia sido justamente por estas que acabou comprando a peça, — são jades.
o que ele imaginou ser a pior parte graças ao estranhamento que seu presente para a mãe de riley poderia causar acabou se tornando a parte fácil quando se viu caminhando até onde riley estava para poder se sentar ao seu lado, organizando os embrulhos em seu colo antes de voltar a sua atenção para a garota, seu mente tão no piloto automático que até era capaz de colocar em segundo plano qualquer comentário que fosse feito sobre os dois, parecia estar se tornando cada vez mais imunes a esses graças ao poder da repetição. — feliz natal. — disse baixinho, apenas para os ouvidos dela ao lhe entregar o maior dos dois embrulhos, praticamente vidrado em sua reação diante da ansiedade que o percorria, porque além de saber se ela ia gostar, precisava saber saber se ela entenderia, principalmente quando o presente mais significante ainda estava seguro em suas mãos. — para quando acabar as páginas do seu, mas esse você tem a obrigação de me deixar ver. — brincou quando o sketchbook foi revelado, a capa havia sido comissionada pensando principalmente naquele hábito deles de selarem suas promessas daquela forma. buscando uma das mãos da garota, depositou em sua palma uma caixinha semelhante a que havia sido entregue para jade e para aquele presente ele não ofereceu nenhuma explicação, apenas levantou seu mindinho, oferecendo-o para a garota com um sorriso afetuoso tomando conta de seus lábios.
Por mais bobo que aquele teatrinho parecesse ser, Riley estava se divertindo com as reações masculinas mais do que gostaria de admitir e já não conseguia deixar sua personagem de lado tão bruscamente. — Talvez. — respondeu erguendo uma de suas sobrancelhas enquanto simulava um olhar provocativo, ousando em morder seu lábio inferior e balançar a cabeça como se gostasse secretamente do que via. — Esses seus peitos parecem cenouras e eu sou vegetariana, então é um pouco difícil me controlar com essas coisas na minha frente, sabe? — brincou tentando manter a pose, mas não demorou para rir fraco de sua própria fala por mais estúpida que fosse. Richard realmente deveria ter um talento para aquilo visto que conseguia passar tanto tempo sem se desfazer em risadas ao contrário da garota. Entretanto, enquanto o sorriso masculino não quebrou a expressão teatral de tristeza que fazia, Riley precisou se esforçar para que seus olhos não recaíssem sobre o biquinho dele, porque mal podia pensar nos lábios dele que sua mente fazia questão de reproduzir os momentos mais doces da noite em que dormiu ao lado do garoto — e esses pensamentos não eram bem-vindos, pelo menos não ali na frente dele e perto de sua família. Com medo de deixar escapar alguma expressão indesejada, a morena simplesmente sorriu de canto em resposta ao comentário dele.
Riley se identificou bastante com a surpresa desenhada no rosto de Richard, porque em momento algum esperou que Jade o presentearia, especialmente depois do último encontro que tiveram e os olhares lançados naquela noite. Entretanto, a garota estava igualmente contente em saber que estava errada ao imaginar que sua mãe desgostava da presença do rapaz na festa, porque, como havia mencionado antes, não era difícil saber quando isso acontecia e a simples atitude dela dizia o completo contrário. Logo, era realmente questão de tempo até o incidente ficar no passado. Por mais que Jade tentasse se mostrar amigável de uma maneira mais séria para não quebrar totalmente a imagem que procurava manter próxima do rapaz, a mulher não resistiu em assumir uma postura mais amena diante da genuína reação dele com seu presente por talvez acreditar que se depararia com alguma forçação ou com o antigo olhar que ele fazia às leituras no colégio, então aquela recebida foi uma agradável novidade. Por também imaginar que a única presenteada seria a Riley por tê-lo convidado, a progenitora também ficou surpresa ao receber um embrulho tão bonito, mas nem teve muito tempo para reagir graças ao abraço inesperado, que tentou retribuir da maneira mais calorosa que pode, afinal, era Natal. “Feliz Natal, Richard” disse risonha maneando a cabeça antes de desembrulhar e revelar os brincos. “Que lindos!” comentou contente por adorar acessórios com pedrinhas coloridas, porém acreditava se tratar de bijuteria e não de jades verdadeiras, então seus olhos arregalaram com a notícia. Por um segundo havia esquecido que se tratava de um aluno da Armstrong. “Muito obrigada. Pode ter certeza que vou usar bastante.” a mulher finalmente disse ainda estupefata, fechando a caixinha com cuidado e pousando sua destra no ombro masculino só para apertá-lo de leve como um carinho.
Riley acompanhou a cena e silêncio para se atentar em todos os detalhes possíveis, desde a surpresa de Dick até o semblante mais leve de sua mãe. Depois do clima tenso que foi toda a carona até a festa, chegava a ser cômico presenciar aquele plot twist. Com a aproximação do rapaz carregando os outros embrulhos, Navarro não soube ao certo como reagir ou como externar a ansiedade sobre o que deveria ter dentro daqueles pacotes, então ficou um pouco mais quieta que o normal quando recebeu o maior deles. Sem falar uma palavra sequer, a morena o encarou durante poucos instantes antes de voltar sua atenção ao presente para abri-lo sem precisar destruir tanto o embrulho e, dessa forma, não parecer tão curiosa quanto realmente estava em saber do que se tratava, além de aproveitar cada segundinho da própria expectativa enquanto ignorava toda e qualquer reação das pessoas ao seu redor. A revelação do desenho da capa do sketchbook foi responsável pelo surgimento de um largo sorriso nos lábios femininos, não conseguindo conter o quanto havia achado adorável a referência do gesto que estava tão presente na relação dos dois e rindo facilmente do comentário de Dick enquanto folheava rapidamente o seu novo caderninho; porém antes que fosse capaz de responder qualquer coisa, a caixinha menor foi posicionada em sua palma. Riley lançou um olhar confuso ao rapaz como se ele fosse oferecer alguma resposta, mas tratou de abrir a caixinha com mais pressa graças ao silêncio alheio e seus olhos só brilharam com o colar. Por mais que o caderno e o acessório representassem a mesma referência, tinha que admitir que o colar foi o que atrasou as batidas de seu coração pela simples ideia de poder carregar consigo uma lembrança tão positiva e importante do Dick. — Eu amei. — disse enquanto tocava no pingente com delicadeza e voltava a mirá-lo para se deparar com o dedo mindinho dele erguido. Unindo seus dedos como costumavam fazer sempre que selavam alguma promessa boba ou não, Riley apertou o contato e levou suas mãos contra seu peito sem se importar com as reações de alguns de seus tios que perceberam a interação. Foda-se eles, porque a garota deveria fazer o que precisava pelo menos mais uma vez. — Vem comigo. — sem afastar seus dedos, a morena segurou os presentes com a mão livre para guiá-lo para fora da varanda. Com certeza os presentes que o entregaria não seria tão bons quanto os recebidos e até se sentia um pouco constrangida por isso sem nem saber qual seria a reação dele, mas havia os preparado com tanto zelo que nem ela mesma podia sabotar esse detalhe. Colocando o caderno e a caixa com o colar empilhados cuidadosamente sobre o sofá, abriu a mochila para retirar de lá o pacote único que continha os presentes dele. — Feliz natal para você também. — ofereceu um sorriso leve, porém nervoso ao mesmo tempo que Dick o desembrulhava. — Não chega nem perto do que você me deu, mas... — riu fraco umedecendo os lábios para tagarelar em nervosismo e na tentativa de se justificar. — Você disse uma vez que suas mãos estão sempre geladas... o que vi que é meio verdade, então tentei fazer essas luvas. Como nunca tricotei antes, elas não são as luvas mais bonitas do mundo e eu nem sei se elas cabem direitinho em você, mas espero que sim. — disse sem coragem de ver o que entregava, apenas mirando as expressões dele com expectativa. — E o carrinho, bem, eu acho que talvez eu faça referências demais sobre Crepúsculo.