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Eu tenho uma saudade da versão que idealizei que eu seria. É uma pessoa que eu nunca fui mas anseio tanto em ser que me da uma saudade como se eu já tivesse sido. Eu sinto falta da independência e autenticidade, de vestir combinações diferentes e sair para comprar pão com saia longa, tênis e blusa azul que combina com o delineado azul mas, eu nunca usei saia com tênis ou delineado pra ir comprar pão. Essa versão que nunca conheceu a realidade é tão mais leve e menos controladora, não é o fim do mundo um dia de chuva no meio da semana, ela vai caminhando entre os pingos d'agua até chegar no trabalho e aproveita o cheiro de terra molhada. Não tem culpa em acordar tarde aos domingos e tomar o café da manhã devagar com um vaso de flor na mesa. Por falar em flor, ela compra toda semana um arranjo novo e tem plantas espalhadas por toda casa e insiste em conversar com elas pra testar a teoria de que as plantas respondem a palavras de incentivo. Ela não existe, ainda. Talvez ela nunca venha existir. Mas por alguns momentos, eu fecho os olhos e eu sou ela, rodopiando no meio da sala e ouvindo 'you belong with me'.
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