Back home, back to you || @lory
lucas-cavanaugh:
@rockxxbye
Três anos podem ser longos ou curtos, depende a perspectiva de quem os vive e como vive, para Lucas foi um misto, ao mesmo tempo que parecia uma eternidade, logo se viu livre, o que fazia parecer que o tempo passara rápido. Alguns dias foram piores, outros melhores, uns mais longos e os demais curtos. Durante todo esse tempo, uma constante pairava em seus pensamentos: Rory. Aquela que não era exatamente uma amiga, tampouco uma namorada, era um caso indefinido, era Rory, a menina dos seus olhos, a dona de seu pensamento, aquela que sempre tinha sua atenção total, não importava a situação.
O sol batia sorte em seu rosto, deixando a pele vermelha e um pouco ardida, após tanto tempo aprisionado e tendo pouco contato com o exterior da prisão, era de se esperar que o astro incomodasse os olhos claros e a derme pálida de Lucas. No entanto, nada daquilo importava para o Cavanaugh, a brisa marítima e o som das ondas quebrando na praia eram música para seus ouvidos. O loiro tinha sorte de era uma família rica e influente, ou poderia acabar passando o resto da vida na cadeia, o que não tornava a relação entre eles mais fácil. Desconfiava que ninguém sabia que estava finalmente livre e esperaria o melhor momento para revelar tal fato, sua prioridade assim pisou em Hamptons eram duas: ver Rory, arrumar um emprego e um local para dormir. Sabia que poderia contar com Gabriel, seu irmão mais velho, mas tentaria se virar sozinho antes de recorrer à ele, Gabe seria sua última opção.
Com uma pequena sacola de pano nas costas, Lucas caminhava pelas ruas tão conhecidas que pareciam iguais e ao mesmo tempo diferentes, nunca teve a chance de explicar para Rory o motivo de ter sido preso e desconfiava que talvez ela tenha apenas acreditado no que a mídia relatou, que ele era acusado de organizar uma luta clandestina onde aconteceu um incêndio, levando vários jovens universitários a morte. O histórico do homem não era exatamente pacato, por isso foi tão fácil levar a culpa no lugar do real culpado, uma amiga a quem ele resolveu proteger. Parou em frente ao bar, hesitando pela primeira vez na vida.
Respirou fundo e adentrou o local com seu jeito folgado de sempre, estava relativamente vazio, afinal era próximo da hora do almoço, o horário de rush costumava ser no fim do dia. Sorriu ao avistar a morena e se aproximou do balcão. “Esse lugar já foi melhor, sabia?”, brincou se debruçando no balcão, jogando sua bolsa sacola no banco ao lado e encarando os incríveis olhos azuis da morena atrás do balcão. Seus olhos vagaram por todo o rosto de Rory, assimilando-a como um todo, memorizando cada curva e contorno, acabando por abrir um pequeno sorriso, ela estava ainda mais bonita do que se lembrava.
Posicionada atrás do balcão do Hell’s Bells, Rory observava o local com um sorriso no rosto. Haviam poucas pessoas ali, o que era normal, o horário de almoço sempre fora o mais calmo, eram, em sua maioria, frequentadores mais antigos, muitos haviam sido amigos de época de seu falecido avô, que tinham um grande carinho pelo local ou várias histórias para contar. Talvez fosse por isso que continuava abrindo o bar naquele horário apesar de não ser tão lucrativo: assim como ela própria, aquelas pessoas não viam o HB como mais um lugar entre tantos, e sim como sua casa, o local que tantas vezes lhe ofereceu abrigo para seus problemas. Levou uma mão aos lábios, tentando segurar a risada, não era a toa que diziam que ela tinha ficado mais sentimental após a gravidez.
Seus olhos azuis caíram sobre o celular em sua outra mão, o sorriso seu aumentando ao observar o papel de parede. Nele, a morena aparecia segurando o filho, Liam, sem conseguir tirar os olhos deste, que por sua vez fitava a câmera com o maior sorrido do mundo enquanto mostrava animadamente o caminhão de brinquedo que Ravena (ou, como ele mesmo a chamava, Veena) tinha lhe dado de presente de aniversário. Chegava a ser loucura o quanto ele já tinha se desenvolvido nos dois meses que se passaram desde que tiraram aquela foto, cada dia mais ativo e aprendendo mais e mais palavras!! Podia ser cliché dizer aquilo, mas o tempo realmente passava muito de pressa. Parecia ter sido ontem que a Valentine era apenas uma jovem de 20 anos que havia acabado de voltar do enterro da única família que tinha, com um teste de gravidez em sua bolsa e uma guerra civil em sua mente, sentindo-se perdida e desolada, sem a menor ideia do que faria com sua vida.
Balançou a cabeça de leve, como se tentasse espantar as lembranças daquele momento tão conturbado de sua vida. Deu uma olhada a sua volta e, ao ver que todos estavam servidos e abastecidos, resolveu ligar para casa e checar como as coisas estavam; não podia negar que estava preocupada, um problema elétrico impediu a creche de abrir e por isso precisou deixá-lo com a sua vizinha, que era uma pessoa extremamente gentil e cuidadosa, todavia Liam já era uma criança agitada de nascença (coisa pela qual a morena sempre culparia os genes paternos) e isso só se agravou agora que este entrou nos “terríveis dois” — e valia lembrar que aquela era a mesma senhora que olhou a própria Rory durante as noites em que Bill Valentine trabalhava. Essa é uma preocupação completamente justificável, disse para si mesma em sua mente conforme digitava os números, ciente do quão protetora podia ser.
Trocou algumas palavras com a senhora Whittermore que, para seu alívio, tinha apenas coisas boas para falar sobre o menino (e alguns comentários sobre seus cabelos louros e olhos azuis e como seria ainda mais lindo quando crescesse, fazendo a mais jovem rir. A velha viúva sempre foi conhecida pelo seu tipo bem particular em homens) e esta então colocou a ligação no viva voz. Seu coração se derreteu quase de imediato ao ouvi-lo dizer mamãe (ainda soando mais como um mamaí). Com sua atenção inteiramente focada nos relatos do dia de seu filho e nas pequenas frases que este acrescentava, sequer ouviu o sino que ficava na porta e, por causa disso, apenas notou a presença de Lucas quando a voz masculina chegou a seus ouvidos e eles estavam frente a frente um com o outro. “Lucas?!”, o nome dele saiu por seus lábios em um tom incerto, quase como se não acreditasse que o louro estava realmente ali. Sequer sabia que ele tinha sido solto ou quando chegara a cidade — e o que ele fazia ali?! Não tinha como ele ter descoberto nada, certo?
A morena não saberia dizer quanto tempo ficou o encarando — talvez um segundo, um minuto, quem sabe uma hora —, só despertou quando percebeu que ainda segurava o telefone contra a orelha e Liam a chamava do outro lado, chateado por não ser mais o centro de suas atenções. “Ei, amor, eu vou ter que desligar agora, mas a gente se vê em casa mais tarde, okay? Tchau, tchau”, disse com uma expressão mais suave, numa tentativa de soar normal. Respirou fundo antes de voltar seu olhar ao Cavanaugh, uma mão subindo nervosamente até seus cabelos negros. Apesar de sua reação, havia um pequeno sorriso em seus lábios, porque sim, ela podia estar chocada, preocupada, culpada, sem mencionar que sentia seu coração bater a toda em seu peito e isso tudo ocorria ao mesmo tempo; porém Lucas estava bem na sua frente, com aquele mesmo sorriso que até hoje atormentava seus pensamentos e a verdade era que, independente do que acontecera, não havia uma única parte de Rory que não tivesse sentido a sua falta. Deus, ela deveria estar parecendo uma idiota. “O que você faz aqui? Quero dizer… eu… não sabia que você tinha sido solto”. Se fosse ser sincera, fizera o possível para se manter afastada de qualquer coisa que remetesse ao louro nos últimos três anos — não era algo que a Valentine se orgulhava, mas não tinha mais o luxo de pensar apenas em si, o bem de Liam era a prioridade.









