DARK PARABLES, vol. II
Dark Parables, vol. II © Paulo Romão Brás 2018 - 2024 14,6 X 20 cm, 32 p., cor http://darkparables.tumblr.com Com a participação dos escritores: André Tecedeiro, Carlos Bessa, Catarina Santiago Costa, Elisabete Marques, Fernanda Drummond, Hugo Mezena, João Paulo Esteves da Silva, Leonardo, Leonor López de Carrión, Rita Taborda Duarte, Sandro William Junqueira, Susana Araújo e Tiago Araújo. --- Ao longo da sua trajectória, Paulo Romão Brás, tem desenvolvido um processo de produção criativa que dificilmente pode ser caracterizada tendo em atenção a utilização de uma técnica, de uma determinada linguagem ou da prática de um estilo artístico. A especialização e o conceito de unidade não fazem parte da obra deste artista, cuja criatividade não aceita a existência de um programa a seguir. Romão Brás vai fazendo uso de uma pluralidade de linguagens e de recursos técnicos em grupos de trabalhos que evidenciam inevitáveis diálogos entre meios disciplinares. A heterogeneidade e multiplicidade verificada na sua produção artística, está igualmente patente no seu método de trabalho, que entre outros planos do fazer, conta com a apropriação e descontextualização de materiais e referências várias. Na série de trabalhos “Dark Parables”, o artista trabalha numa estética da apropriação que combina técnicas e processos de realização artística pouco comuns: a partir do conjunto de fotografias antigas, de anónimos que vai coleccionando ao longo do tempo, trabalha digitalmente os desenhos e as imagens, transformando aspectos da composição e sobrepondo apontamentos de grande diversidade e riqueza gráfica. Desta prática resultam obras que colocam o observador perante apontamentos inesperados. O jogo plástico estabelece-se entre o fotografado e o desenhado, resultando dessa cumplicidade de sentido híbrido, um campo sugestivo de associações e justaposições, cujo efeito onírico diluí o efeito de “realidade” da representação fotográfica. Mais do que um criador de formas ou um coleccionador de fotografias, nesta série de trabalhos, Romão Brás desencadeia articulações metafóricas e, de imagem a imagem, explora caminhos vinculados ao tratamento criativo de fotografias de arquivo. Aqui a fotografia é, antes de mais, um vestígio, um pano de fundo, um rasto de memórias congeladas, de valor sentimental, que ganham contornos intrigantes, por intermédio de exercícios informais, livres que evocam o poder subversivo e transformador do desenho. Sandra Vieira Jürgens ---
Along his career, Paulo Romão Brás has been developing a creative production process, which can hardly be labeled under a technique, a specific language or style. Neither specialization nor unity is part of this artist’s work, whose creativity does not accept a pre-determined route. Brás makes use of several language and technical resources, in series that underline interdisciplinary dialogues.
Both the heterogeneity and multiplicity that one can find in Brás’ work are equally present in his method, which, among other ways, resorts to appropriation and decontextualization of references and materials.
In “Dark Parables”, the artist works with an aesthetics of appropriation, combining uncommon artistic techniques and processes: starting with old photos of anonymous people that he collects over time, Brás digitally works on drawings and images, transforming certain aspects of the composition and overlapping details of great graphic diversity.
The results are works that place the viewer before unexpected details. The plastic composition is established between what was photographed and what was drawn, resulting in a hybrid complicity, such as a suggestive game of association and overlapping, which oneiric effect dissolves the “reality” aspect of photographic representation.
More than a creator of shapes or a photo collector, in this series, Brás triggers metaphoric articulations and, from one image to another, he explores the archive photo creative process pathways.
Here, photography is, above anything else, a reminisce, a background, a trail of frozen memories and sentimental value that acquire intriguing contours, through informal, free experiments that call on the subversive and transformative power of drawing. Sandra Vieira Jürgens












