. . Û« ïŹ CĂ©u & Terra.
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Além dos Meus Olhos
â Elore era uma mulher energĂ©tica, apaixonada pelas histĂłrias antigas do mundo.
Havia algo na poeira dos sĂ©culos que a atraĂa de maneira quase irresistĂvel. Ela amava a arte, as esculturas talhadas Ă mĂŁo, as culturas esquecidas pelo tempo, as melodias ancestrais e tudo aquilo que envolvia a espiritualidade. Enquanto muitos buscavam respostas no presente, ela encontrava conforto nas marcas deixadas pelo passado, como se cada civilização extinta ainda sussurrasse segredos ao vento.
Para algumas pessoas, ela era apenas uma simples mulher espiritual, alguém que apreciava cristais, a natureza e acreditava na energia do universo. Mas, para outras, era diferente. Havia algo nela que não podia ser explicado apenas com palavras. Sua presença parecia preencher os ambientes antes mesmo de sua voz ser ouvida, como se carregasse consigo uma força silenciosa capaz de transformar tudo ao seu redor.
Sua energia era densa, intensa e, ao mesmo tempo, acolhedora. Era divertida, talentosa e possuĂa um brilho difĂcil de ignorar.
Desde muito nova, aprendera coisas que não pertenciam à sua idade. Enquanto outras crianças passavam as tardes brincando, Elore passava horas diante de uma tela em branco, misturando tintas até que paisagens inteiras ganhassem vida sob seus pincéis. Esculpia o mårmore com uma delicadeza surpreendente, como se conversasse com a pedra antes de revelar a forma escondida dentro dela.
TambĂ©m desenhava tudo aquilo que chamava sua atenção: montanhas, rios, ĂĄrvores antigas, pessoas desconhecidas e ruĂnas que jamais havia visitado, mas que pareciam existir em algum lugar de sua memĂłria. Seu talento despertava admiração em qualquer pessoa que a observasse trabalhar.
Diziam que sua beleza lembrava a de um querubim. Comentavam que o sol parecia mais quente quando ela sorria e que atĂ© as flores se inclinavam discretamente em sua direção quando passava por elas. Algumas lĂnguas, mais ousadas, sussurravam que ela se parecia com um Serafim ou que possuĂa dons psĂquicos incomuns, carregando consigo luz, felicidade e um espĂrito livre que jamais poderia ser aprisionado.
Elore era uma mulher extremamente inteligente. Seus longos cabelos dourados caĂam suavemente sobre os ombros como fios de ouro iluminados pela manhĂŁ. Seus olhos eram de um azul tĂŁo intenso quanto um cristal lapidado, profundos o suficiente para fazer qualquer pessoa sentir que estava sendo observada alĂ©m da aparĂȘncia.
Havia algo encantador em sua presença. Sua beleza era comum aos olhos mais distraĂdos, mas bastava permanecer alguns minutos ao seu lado para perceber que existia nela uma delicadeza quase angelical, impossĂvel de ignorar.
Ela gostava de estudar antiguidades, civilizaçÔes esquecidas e histórias de um passado que não era tão distante, mas também não era próximo o suficiente para ser plenamente compreendido.
Passava horas lendo manuscritos antigos, observando esculturas, tentando entender sĂmbolos gravados em pedras milenares ou imaginando como viviam aqueles que vieram antes dela. Era apaixonada pela energia do universo e por suas dimensĂ”es sem fim.
Acreditava que existiam infinitas possibilidades alĂ©m daquilo que os olhos humanos conseguiam enxergar. Para ela, o tempo era muito mais do que uma sequĂȘncia de dias. Era um organismo vivo, uma corrente invisĂvel que conectava tudo o que jĂĄ existiu, existe e ainda existirĂĄ.
Elore nĂŁo era uma mulher que esperava respostas.
Ela as buscava. Encontrava sinais nas cartas, escutava mensagens escondidas no movimento das ĂĄrvores, nas ĂĄguas dos rios e na dança das folhas levadas pelo vento. Conversava em silĂȘncio com os cristais que colecionava e acreditava que o prĂłprio tempo sempre revelava aquilo que precisava ser compreendido.
Ela não precisava da validação de ninguém.
TambĂ©m nĂŁo buscava opiniĂ”es para decidir o rumo de sua vida. Se acreditasse que algo deveria ser de determinada maneira, assim seria. Sua confiança nĂŁo nascia da teimosia, mas da profunda conexĂŁo que possuĂa consigo mesma.
Amava a facilidade com que atraĂa coisas boas para sua vida.
O amor parecia encontrĂĄ-la naturalmente. A paixĂŁo surgia sem esforço. Os sorrisos apareciam ao seu redor como se fossem inevitĂĄveis. Sua transparĂȘncia fazia com que as pessoas se sentissem confortĂĄveis em sua presença, enquanto sua energia parecia despertar esperança atĂ© naqueles que jĂĄ haviam desistido dela.
Ela era livre. Livre em seus pensamentos, em sua forma de viver e na maneira como enxergava o mundo.
Via através das pessoas. Não observava apenas rostos ou palavras.
Enxergava suas auras atravĂ©s dos olhos, percebia sentimentos em um simples toque e compreendia intençÔes escondidas em pequenos gestos. Era como se cada ser humano emitisse uma frequĂȘncia Ășnica, invisĂvel para quase todos, mas perfeitamente clara para ela.
Talvez o mundo de outras pessoas pudesse ser pacato, limitado Ă s certezas da realidade. Mas o de Elore era mĂĄgico.
Era feito de histĂłrias antigas, forças energĂ©ticas, sĂmbolos esquecidos, encontros destinados e energias que se atraĂam como estrelas no cĂ©u.
Para ela, a Terra nunca foi apenas um planeta. Era como caminhar pelos próprios portÔes do céu.
E havia uma verdade que carregava consigo desde muito cedo, repetindo-a como um mantra sempre que precisava lembrar quem realmente era:
"Nada no mundo Ă© invenção. Se vocĂȘ tem fĂ© naquilo, ela se realizarĂĄ. Anjos nĂŁo sĂŁo apenas seres celestiais; sĂŁo tambĂ©m aqueles que desejam, com amor e compaixĂŁo, ajudar."







