Bad news travels fast ; Sal
munezsanti:
Observou aliviado a garota enquanto esta dava indícios de que despertava. Assim que Mal demonstrou estar a par do que estava acontecendo e se mostrando preocupada pela falta da companhia do filho, Santi levou a mão livre até a mão da morena que tateava o ventre. “Ei, ei…calma” disse baixinho a fim de tranquilizá-la. “Está tudo bem. Ele está bem. Está dormindo no quarto ao lado. Vou pedir para trazerem ele para você, ok? Está tudo bem.” disse sorrindo para a morena que o encarava preocupada. “Tente não falar. Você está fraca. Você precisa descansar” continuou acariciando a mão sobre seu pulso. Virou o rosto então para a jovem que o atendera mais cedo e pediu que ela trouxesse o bebê para que Mallory o visse e ficasse mais calma.
Ouviu atentamente Celine explicar aos jovens o ocorrido. Enquanto ouvia o relato, olhou para a americana, deixando a preocupação transparecer novamente. Mais que isso. Naquele momento, sentiu um pouco de medo. Medo por não saber a real situação de Mal, por saber que levaria um tempo para que a jovem se recuperasse e que nesse meio tempo ele que teria que cuidar sozinho do filho; não temia por não querer fazer aquilo, mas por não saber seria capaz de fazê-lo sozinho. Afinal, o contato materno nos primeiros meses era essencial para Ethan e a possibilidade de Mallory não ter condições o assustava. “Obrigado, Celine. Por tudo, mesmo. Amanhã mesmo vou levá-la ao hospital. Então se não for incômodo, peço que nos deixe abusar de sua gentileza por mais uma noite” disse, omitindo, claro, para qual hospital levaria a morena. Só foi naquele momento que percebeu que as residentes não haviam o perguntado de onde teria vindo e como chegara tão rápido e bem, agradeceu por isso. A família era trouxa e a possibilidade de descobrirem sobre a identidade bruxa dos jovens poderia causar um grande problema.
Quando um tempo depois a francesa entrou com o filho, Santiago o pegou um tanto desajeitadamente em seus braços e se aproximou da morena para que ela pudesse ver o filho. “Viu? Ele é incrível.” comentou olhando para o recém-nascido com um sorriso bobo no rosto. Aquele era o primeiro contato do argentino com a pequena criaturinha e, naquele instante, sentiu finalmente o tal falado amor paterno preenchê-lo. “Você conseguiu” retrucou sorrindo carinhosamente para ela. “Não precisa agradecer. Só cumprindo minha promessa de que não te deixaria sozinha nessa.” continuou piscando em brincadeira para a morena. “Eu liguei para sua irmã e contei o que tinha acontecido. Parece que ela estava começando a ficar preocupada com sua demora para chegar a Lyon…” comentou, contendo-se para não perguntar o que diabos a ex-lufana estava na cabeça para viajar naquele estado e de forma tão repentina. “Eu disse para ela vir amanhã, mas se quiser posso ligar de novo e falar para vir agora.” disse, revezando o olhar entre o filho e a Clarke. “Você me deu um susto do caramba, sabia?” disse transparecendo certa irritação. Agora que já estavam sozinhos, Santiago pode voltar a agir com bruxo e tratar sobre o acidente com naturalidade. “Onde você estava com a cabeça em vir para a França de vassoura, Mallory?” perguntou irritado. Mas, antes que continuasse a brigar com a morena, Santiago respirou fundo e deixou seu bom senso lhe dizer que aquela não era a melhor hora para isso. “Enfim. Estou feliz que você está bem. Que vocês estão bem.” falou, mais calmo.
Mallory podia ficar a vida toda observando aquela carinha angelical que, apesar de ser linda, lembrava um pouco sim joelhos... “Teve a quem puxar...” ela murmurou em provocação, agora com o humor completamente ótimo por ver que tudo estava bem com o pequeno, e que Santiago estava ali para ele enquanto ela estava limitada. Apesar da face cansada e maltratada pelos machucados, seu semblante era leve, assim como o toque da pequena mãozinha do bebê, cujos dedos envolviam um dos seus.
Mordeu o lábio naquele momento em que deu-se conta de que devia a todos uma explicação. Felizmente, Santiago esperou um pouco mais antes de lançar a pergunta de fato, permitindo que ela tivesse algum tempo para organizar em sua mente uma explicação em que não soasse como uma louca. Com um sorriso fraco, negou com a cabeça “Amanhã está ótimo, até estarei melhor para falar com ela.” e, mal tinha terminado de falar, sentiu novamente a sensação ruim ao ver que a preocupação dele era real. Soltou um suspiro curto antes de falar “Desculpe, Santi... Eu... E-eu não sei o que deu na minha cabeça. Eu, sei lá, entrei em parafuso, pirei. Me bateu um desespero, e de repente, eu estava fazendo tudo sem pensar. Meus pais não estão comigo nessa, e por mais que não pareça, Mary ainda é a única pessoa que eu tenho que pode colocar algum juízo na minha cabeça. Quando eu percebi o quanto eu estava despreparada para isso... Precisei recorrer a ela, na esperança de que ela pudesse me dar um curso intensivo de como ser mãe, já que sempre foi melhor com crianças e responsabilidades do que eu... Eu sei que foi loucura, e não estou pedindo para que me entenda... Até porque, Merlin, nem eu mesma me entendo... Acho que o certo seria: desculpa.” mesmo com a voz rouca e fraca, ela desandou a falar, finalmente soltando um peso de seu coração que ela só então tinha identificado. Mais do que nunca, ela tinha visto que não estava preparada. Mas agora, com Ethan ali, totalmente dependente deles, ela viu que não tinha opção senão estar.
Por fim, abriu um sorriso “Eu também estou. Não que eu tivesse dúvidas que cumpriria com sua promessa, mas é ótimo que tenha vindo”. Logo, lembrou que precisava também contar mais uma coisa a Santiago. “Não que isso vá mudar alguma coisa, mas... Eu e Roman terminamos.” murmurou, sentindo a amargura tomar conta de sua boca ao proferir as palavras em voz alta pela primeira vez. Tentava concentrar-se na felicidade de estarem bem, a salvo, e de seu bebê finalmente estar ali, mas Roman recusava-se a deixar seus pensamentos. Mudando de assunto rapidamente, mostrando que ainda não ficava à vontade para falar sobre aquilo, comentou de maneira doce “Você deve estar cansado e com fome... Foi um dia estressante. Venha, deite, tem espaço para dois.” comentou, indicando o lado livre da cama. “Se quiser comer alguma coisa, ou até tomar um banho, eu posso cuidar dele sozinha... Aliás, imagino que esse monstrinho esteja com fome, não?”









