AMORES PERDIDOS- outubro 17, 2017
Amores perdidos? Seria mesmo esta a melhor frase? O melhor adjetivo? Seria mesmo amor?
Para que entenda é necessário falar sobre os momentos dos quais mais sentimos falta.
Pois bem... Sinto saudades de quando era criança simplesmente porque sinto saudades de comer o resto da massa de bolo de chocolate tão disputado com meu irmão, de chegar em casa 3 min atrasada e com o coração acelerado com medo de minha mãe me deixar de novo sem brincar, pois não cheguei no horário combinado... dos ralados no joelho que exibia como troféus, das unhas quebradas por chutar a bola forte demais dando uma “bicuda” pouco antes de marcar o gol. Sinto saudades de quando era pequena o suficiente para sentar o colo do meu avô e o ouvir contar histórias de quando minha mãe era criança. E isso me deixava muito feliz em saber que ela aprontava mais que eu. Sinto saudades das vezes em que eu e meu irmão brigávamos pelos pãezinhos de coco molhados com leite condensado. Porque sinto falta de todos os meus animais de estimação. Porque sinto falta dos colegas de escola com os quais nunca mais voltei a falar, mas que passava horas rindo com eles nos intervalos. Também me fazem falta as brigas por pirraça entre melhores amigas que acabavam voltando a se falar, pelo simples fato de que nenhuma das duas conseguia “manter a barra de durona” por muito tempo.
Sabe por que sinto saudades? Porque são lembranças muito boas, que provocam risos, e até choros de alegria.
Mas não sinto falta das brigas desnecessárias, das vezes deixada de castigo, das noites sem dormir porque estava doente, da morte do meu avô (sim, o mesmo que contava as histórias), não sinto falta das brigas entre pai e mãe, ou das vezes em que perdi o ônibus da escola.
Por que não sinto falta? Estava ocupada demais selecionando somente os momentos bons e ninguém gosta dos momentos ruins. Ninguém sente saudade deles.
Então você provavelmente já entendeu porque se sente culpado(a) pelo término de algo pelo qual você só nutre os momentos bons.
Relacionamentos são fases, e você sempre precisa enfrentar os “chefões” no final de cada fase desse jogo. E, às vezes, você morre depois de ter percorrido um bom caminho e precisa começar do zero (Puto(a)-da-Vida).
Não foi amor perdido, ao contrário, foi encontrado. E é necessário entender que você pode não sentir falta da presença das pessoas, das horas de conversa que levaram às gargalhadas. Você sente saudades simplesmente daquilo que viveram, e justamente dos momentos bons. No entanto, suas vidas no jogo acabaram e um novo jogador sempre aparece.
Não foi amor perdido, foi encontrado: topadas, olhares, discussões, e por fim, saudades.
Tente outros jogos, passe por outros níveis (mais complexos, mais inteligentes, mais demorados, mais chatos, enfim), pois chega uma hora em que até o Mário “fica” com a Princesa.
Encontre de novo outro amor. Não procure saudades nos que passaram. Encontre outros chefões. E, se necessário, aprenda que nem todo jogo permite mais de um jogador. Dê um tempo para carregar suas vidas novamente. Reconstrua-se.
(RE)CONSTRUA
Peguei-me olhando as cartas amassadasJogadas no canto do armário,Escritas com sua grafia engraçada, singela.Coladas, atadas por uma fita amarela.
Ainda me lembro do teu lenço,Ao teu peito amarrado.Sentindo teu cheiro de pertoDriblando o vento de modo engraçado.
Peguei o papel mais antigo. Rasguei.Marcado com juras e promessas de amor eterno,Transformou-se-se em sopro. Fragmentos amassados.Restavam pequenas migalhas, pedaços espalhados.
Fiz questão de trancar as portas e janelas.Sabia que não ia voltar,Fosse tarde, manhã ou madrugada.Agora era eu, e não a carta, quem precisava ser colada.
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