Se nesses 10 anos de dilemas
Sigo seguindo vivo com os mesmos problemas
Se aos 15 e aos 25 um flert seguido de um não
Me joga pra baixo e me relembra de toda a solidão
E se o adolescente do ensino médio
Tentava tapar com sexo o buraco do tédio
E sempre terminava em masturbação
O adulto formado em álcool e cigarro
Que só trabalha, bebe e solta pigarro
Difere do outrora pirralho
A medida que, de fato, encontra sexo
E o encontra frio e sem nexo
Mete quase que por reflexo
E pensa se ter seu próprio ninho
É ter a si e ter-se por sozinho
Pensa se a vida adulta é, quando não,
Esbarrar em um não e reprimir o tesão
Ou tropeçar num sim e transar mesmo assim
Sem emoção
Ou viver num talvez, iludido
Pela vida sem vontade
Pela serotonina da cidade
Pela frieza
Pela porra
Pela masmorra
Pela ansiedade














