Sou filho do Tempo e da Chuva.
Meu pai é metódico, impetuoso em cumprir seu labor, nunca volta atrás e ensina lições difíceis à vida.
"Infelizmente não posso parar e esperar que eles percebam" - Ele sempre diz.
Por vezes, capto notas de melancolia em sua voz, quando ele me direciona aqueles olhos fundos e olhar plácido.
Ele leva consigo um relógio, por onde quer que vá. Alega gostar da forma como os humanos o reduziram a um tic tac incessante. Ele afirma sentir um certo reconforto nisso.
Minha mãe é gentil, meiga e generosa, por vezes temperamental, mas nada que dure muito.
Ela gosta de plantas, se entretém com um gracioso jardim em seu quintal e vive falando algo sobre uma linha tênue entre afogar e regar.
Vive cantarolando pela casa e se gaba de que os humanos gostam de seu canto e do cheiro que ela exala quando coloca seus pés no chão de terra.
Ela adora contar como ela e o pai se conheceram e seus olhos brilham ao se lembrar do que ele lhe disse uma vez: "Você é a única que me acalma e me faz querer passar mais devagar" - ela reproduz com voz afável.
Quanto a mim, não sei se já sou capaz de me descrever sem me desvencilhar deles e talvez eu nem precise, mas o que eu sei é sobre o quanto eu amo vê-los dançar.
Seus movimentos cíclicos têm em si algo novo a cada música tocada e, vão preenchendo o salão de notas agridoces à medida que a velha vitrola que eles ganharam dos meus avós está tocando algo como "Hey, Girl" do Stephen Sanchez.












