Existe uma linha muito tênue entre a solidão e a solitude.
O silêncio de uma casa vazia, quando o resto do mundo segue correndo contra o tempo lá fora mas, de repente, a paz é trocada por um baixo sussurro, falando sobre ausências, sobre versões de nós mesmos que se perderam pelo caminho e sobre sonhos que foram esquecidos antes de se tornarem reais. Nesse momento, parece não existir nada capaz de preencher o espaço... nem da casa, nem do coração.
A incerteza dos dias causa sofrimento mas, agora, eu também encontro felicidade na rotina. Os rostos mudaram, os lugares mudaram, as músicas continuam as mesmas e eu continuo dançando sozinha e continua divertido como sempre foi.
Há noites em que amo a mulher que sou, tranquila, cauletosa, usando o conhecimento do passado. Há noites em que sinto muita saudade da menina que eu fui, destemida, rebelde, pronta para enfrentar o mundo sem saber que ele a engoliria no futuro. Mil versões de mim me olham de volta pelo espelho. A solidão se torna reencontro.
A mesa posta só para uma pessoa, não me parece mais triste. Arrumo tudo com cuidado porque também mereço o melhor de mim. O silêncio deixa de ser vazio e se torna um portal de projeções passadas e futuras. O lado vazio da cama me abraça e eu sinto o aconchego das escolhas corretas que doeram tanto quando foram tomadas.
Acho que existe um tipo de magia que só acontece quando ninguém está olhando. Por isso, habito em mim mesma e já não sinto que me falta alguma coisa.
-sailorfeelings
11.06.2026












