o sol brilha tímido lá fora e na fuga de hipnos eu escuto o barulho de uvas.
uma a uma, retiradas do cacho e deitadas numa vasilha, carregadas pelos seus passos.
muito se fala do amor e romãs, mas pouco se fala do carinho carregado em cada cacho de uva.
pois que eu não me prenda ao sacrifício de separá-las, mas sim aos dedos que o fazem.
e que você se prenda aos meus, enquanto escolho minha oferenda com cuidado, segurando com delicadeza para pressioná-la contra seus lábios e ouvir atentamente o estalido em sua boca.
uma cacofonia de exclamações e tons de verde, arredondando-se como uma risada.
mas que graça! que graça é compartilhar as uvas.











