Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1
Emocionante, eletrizante e assustador.
Teve despedida, teve primeira vitória, teve show de pilotagem, teve batida assustadora, teve possível decisão de título.
E teve chuva, muita chuva.
A previsão do tempo indicava chuva no sábado e no domingo. Na sexta-feira de treinos livres o sol de manhã era escaldante. À tarde as nuvens começaram a aparecer.
A Mercedes dominou a manhã, sendo seguida pela Red Bull, Williams e Force India. A Ferrari aparecia somente na décima posição. À tarde a Williams foi quem seguiu a Mercedes, com pequena melhora da Ferrari.
No sábado, as nuvens tomaram conta e a temperatura começou a cair.
O terceiro treino livre foi bem movimentado, com direito à happy hour, que tem acontecido na maioria das etapas dessa temporada.
A Ferrari então melhorou seu desempenho, seguindo a Mercedes. A Red Bull aparecia depois, e na sequência a Williams, Renault e McLaren. Mudou bem o cenário dos treinos da sexta-feira.
A tarde, no treino classificatório, foi quando o tempo mais esfriou. Hamilton marcou a pole, seguido por Rosberg. A surpresa ficou com a terceira posição. Raikkonen melhorou na segunda tentativa e ficou com o terceiro lugar do grid (em uma volta que ele não considerou tão boa).
O quarto no grid era Verstappen e o quinto Vettel. Após a última corrida, a largada seria um momento tenso.
Então chegou o domingo. E a chuva.
Na verdade, a chuva começou no sábado à noite e se estendeu. A pista ficou bem molhada. Antes da prova em Interlagos, teve a corrida da Porsche Cup, onde aconteceram alguns acidentes, e foi preciso o acionamento do Safety Car.
A chuva não era forte, mas era constante. Em alguns momentos mais fraca, em outros mais intensa.
Os boxes foram abertos e os pilotos foram para a pista, para os ajustes finais e alinhamento no grid. Grosjean rodou e bateu, abandonando prematuramente a corrida. Deixou um buraco no grid, após ter classificado tão bem em sétimo. A causa da batida? Aquaplanagem.
Devido às condições climáticas, havia sido decidido pela direção de prova que a largada seria sob Safety Car. Depois, foi decidido um atraso de dez minutos para a largada.
Largada. Os pilotos reportavam a todo o momento suas equipes sobre as condições da pista, onde havia mais água, a quantidade de spray.
Foram sete voltas atrás do Safety Car. E então... a largada real!
Hamilton manteve a ponta e Rosberg a segunda posição. Verstappen atacou e passou Raikkonen, assumindo a terceira posição. Aliás, mesmo atrás do Safety Car o garoto já dava mostras que tentaria a ultrapassagem.
Magnussen logo parou para trocar pelos pneus intermediários, uma decisão arriscada visto as condições da pista. Depois dele, mais pilotos resolveram fazer a troca, quando estava na volta dez. Pelo rádio Rosberg avisava a equipe que ainda era cedo demais.
Vettel rodou e foi para os boxes. Mais um que arriscaria com os intermediários.
Raikkonen também foi consultado sobre a troca para os intermediários, e ele também achou cedo demais, seria difícil manter o carro na pista sem rodar.
Ericsson rodou e bateu. Motivo? Aquaplanagem. Os pneus? Intermediários. O Safety Car foi acionado, o carro ficou parado na linha de entrada dos boxes. Neste momento, Verstappen e Ricciardo haviam entrado para os boxes, e os boxes foram fechados. Mais tarde, verificou-se que Ricciardo entrou quando os boxes haviam sido fechados, logo, recebeu uma punição de 5 segundos.
Falando em punição, Massa também recebeu 5 segundos, pois ultrapassou Gutierrez durante o período do primeiro Safety Car.
Perez foi mais um que rodou durante o Safety Car. Kvyat teve um pneu furado e teve que fazer um pit não programado. E optou pelos intermediários também.
O primeiro a trocar, Magnussen, também foi o primeiro a desfazer essa opção, e foi para os boxes trocar para os pneus de faixa azul. A previsão do tempo indicava mais chuva.
Volta 20 e o Safety Car saiu da pista. Hamilton relargou bem com Rosberg em segundo. Kimi era o terceiro depois do pit das Red Bulls.
E então, o momento mais assustador da prova. Kimi aquaplanou e bateu na reta de largada, indo de um lado a outro da pista. Por muita sorte seu carro não foi atingido por nenhum outro piloto. O Safety Car foi novamente acionado. Kimi saiu do carro e pulou para dentro dos boxes.
A Ferrari ficou parada um pouco além da reta de largada. A corrida foi então interrompida, bandeira vermelha.
Vídeo (essa batida começou bem na minha frente, só me lembro de gritar “nãããããooooo”): http://www.formula1.com/en/video/2016/11/Race__Raikkonen_crash_brings_out_red_flags_in_Brazil.html
Durante essa parada, ficou a dúvida se a corrida voltaria ou se seria cancelada. Para os pontos valerem por completo, era preciso cumprir 75% da prova. Um título está em jogo.
Então, veio a boa notícia. A corrida seria reiniciada em mais dez minutos. Era obrigatório que todos os pilotos relargassem com os pneus de chuva extrema.
Agora cabe um questionamento... Será que os pneus de chuva extrema da Pirelli não são bons? É o que parece.
A corrida teve seu reinício novamente atrás do Safety Car. Novamente os pilotos reportavam suas equipes sobre as condições da pista. Hulkenberg foi um dos grandes prejudicados, teve um pneu furado e caiu da sexta para a décima quinta posição. E Nasr foi um dos pilotos que mais havia ganhado posições (largou em vigésimo primeiro).
E na volta 28, a bandeira vermelha foi novamente acionada. A direção de prova considerou que não havia condições ainda de continuar. Hamilton no rádio falava que dava pra continuar. Nasr dizia o contrário.
E novamente o medo da corrida ser cancelada pairava no ar.
Analisando a pista como estava, se os pilotos continuassem correndo, era possível fazer um trilho. Esperar mais juntava mais água. E interessante que justo quando deu a bandeira vermelha, a chuva ficou mais intensa.
Depois, ficou mais fina. Mas não parou em nenhum momento.
Foi anunciado então o retorno em dez minutos. Já eram 16 horas. Neste horário era previsto o término da corrida em condições secas.
E novamente a corrida reiniciou atrás do Safety Car. Duas voltas depois, ele saiu e a corrida foi liberada.
E começaram as ultrapassagens.
Verstappen passou Rosberg. Ricciardo passou Sainz. Vettel passou Bottas. Alonso passou Wehrlein, que depois foi ultrapassado por Vettel também. Hulkenberg passou Magnussen e Wehrlein num movimento bonito.
As ultrapassagens não pararam por aí, seguiram. E Verstappen começou a ameaçar Hamilton. Trocaram voltas mais rápidas. Até que... Verstappen rodou. Rodou, mas não bateu, conseguiu manter o carro na pista. Rosberg pôde então se aproximar, mas não o suficiente para tentar a ultrapassagem.
A corrida seguiu movimentada, e as condições da pista foram melhorando, apesar da chuva continuar. Massa havia trocado para os pneus intermediários, e era o piloto mais rápido naquele momento.
Verstappen fez mais um pit, e trocou para os intermediários. Voltou na frente de Nasr, que era o sexto.
Rosberg foi mais um a rodar. Mas também seguiu na pista.
Massa, que se despedia de Interlagos como piloto de Fórmula 1, bateu na entrada da reta dos boxes. Aquaplanou. E abandonou a prova. O Safety Car foi acionado.
Este foi o momento emocionante da prova. Massa saiu do carro, pegou uma bandeira do Brasil e a colocou às costas, e veio caminhando, lentamente, na chuva, retornando para os boxes. Segurou a emoção o quanto pôde. A torcida aplaudia e gritava seu nome. Um momento de reconhecimento à carreira de Felipe. Ao chegar nos boxes, já não podia conter mais sua emoção. Foi recebido por sua esposa e filho. Os mecânicos das equipes saíram das garagens para aplaudi-lo. Foi bonito, emocionante.
Enquanto isso, o Safety Car seguia na pista. E a chuva apertava. E Rosberg questionava por que continuava. Já havia 75% da prova completada. E Verstappen reclamava dos pneus. E fez a troca para os de chuva extrema.
O Safety Car saiu na volta 55. E com mais chuva. Parecia que a direção de prova havia dito: “corram, é preciso completar as 71 voltas”.
Alonso rodou. E Verstappen começou a dar seu show. Após a parada, ele caiu para a décima segunda posição, quando era o segundo.
E o garoto passou Bottas, Ricciardo, Kvyat, Ocon, Nasr. Mais à frente, Vettel chegando em Sainz.
Mas Verstappen chegou em Vettel primeiro. E claro, saiu faísca. E Verstappen se deu melhor e deixou o alemão um pouco pra fora da pista, mas num movimento correto. E logo foi pra cima de Sainz. E não tomou conhecimento do espanhol.
Estava realmente empolgante esse momento. Verstappen havia ganho a torcida que lotava o autódromo.
Pérez estava a 3 segundos de Verstappen, e era o terceiro colocado. Faltavam 4 voltas para o final.
E o garoto foi tirando, tirando, até chegar em Pérez. E, por fora...na pista molhada, Verstappen passou Pérez, e levantou a torcida, que aplaudia. Que momento. Uma masterclass.
E pra acabar, Vettel ainda passou Sainz e Hulkenberg e Ricciardo também foram pra cima do espanhol.
Hamilton cruzou a linha de chegada para a sua primeira vitória em Interlagos.
Rosberg cruzou em segundo e Verstappen, ovacionado pela torcida, em terceiro.
O quarto lugar ficou com Pérez, o quinto com Vettel, o sexto com Sainz, o sétimo com Hulkenberg, o oitavo com Ricciardo, o nono com Nars (os primeiros pontos da Sauber na temporada, e logo dois pontos), e o décimo Alonso.
Bottas foi o décimo primeiro, Ocon o décimo segundo, Kvyat o décimo terceiro, Magnussen o décimo quarto, Wehrlein o décimo quinto e Button o décimo sexto.
Não completaram: Gutiérrez, Massa, Palmer, Raikkonen, Ericsson e Grosjean.
Foi sensacional a corrida em Interlagos. E a decisão do título ficou para a última prova da temporada, em Abu Dhabi.
E quem leva? A vantagem ainda está com Rosberg, mas Hamilton vem com toda a motivação.
Imagens: @scarzhe, @f1, @redbullracing