Farto, que preenche e ocupa,
que destrói e dilacera o corpo,
toma conta da alma e mói o amanhã.
Sinto o pó moído a fugir-me pelos dedos
é espalhado pelo vento desta minha inexistência caustica.
Estou de cabeça perdida mas não solta,
sinto-a pesada sobre os ombros
e traz-me constantemente para a realidade
de que tento escapar a todo o custo.
O amor chega e foge com o pó,
sente-se em nós não ficando em mim.
Tudo o que rodeia prende mais, não liberta,
não dá azo a períodos de acalmia.
tenho necessidade deles como deste ar
que me alimenta e dá vida...
Desassossegado constantemente... E farto...
Falemos então de memórias, as presentes e as passadas.
Falemos de todos aqueles soprares de vela juntos
Falemos daqueles transpirar de corpos celestes
que fundiram e agora explodiram.
Falemos do primeiro contacto de lábios,
o cruzar e prender dos nossos olhares,
do sorriso despoletado e da cumplicidade acrescida.
Falemos desse amor que nos levou
e que agora é apenas levado por nós.
Falemos de todas as cores
que pareceram mais luminosas, mais fortes e quentes
e não do cinzento que eliminou até o mais negro dos negros.
Falemos das memórias, falemos apenas,
porque (re)vivê-las é pura e simplesmente impossível.
Fala-me nas memórias porque já não passam disso…