(Flashback, 2021) Such a thrill of a lifetime | Ava & Sebastian
avanott:
Lidar com Sebastian requeria muito tato e uma grande dose de paciência, atributos que Avalon felizmente desfrutava de nascença – muito provavelmente proveniente do lado grego de sua árvore genealógica já que, a julgar por Theodore, o clã Nott não fazia muito o tipo paciente, assim como os Dolohov e as outras inúmeras famílias que Ava conhecera na Inglaterra. Não conseguia lembrar-se exatamente qual fora a primeira vez que cruzou com o rapaz, mas Pansy havia lhe dito que o conhecera ainda criança. A madrasta da garota também costumava comentar que Sebastian Dolohov sempre fora uma criança mimada pela família que ele próprio tanto se esforçava em desmerecer. E o que faltava em Ava nesse quesito, transbordava no rapaz.
Desde o primeiro momento ela fora avisada de que não seria nada fácil. Mas, verdade seja dita, ele não precisava nem ao menos ter se dado ao trabalho de dizer a ela que ele era complicado, Ava era capaz de sentir que o caminho que começariam naquele momento não seria nada fácil. E mesmo assim aceitou toda a loucura que Sebastian oferecia. “Tem certeza que quer continuar isso? É melhor você saber que eu sou complicado”, Avalon podia quase ouvir as palavras dele logo no inicio de tudo ecoando em sua mente, como se aquela conversa tivesse acontecido há apenas alguns dias e não há mais de um ano. Georgina costumava chamar a melhor amiga de maluca por ter aceitado o rapaz mesmo sabendo todos os problemas dele e estando ciente de que muito provavelmente não daria certo – por mais que tentasse se enganar, as probabilidades eram claras e não trabalhavam nenhum pouco a favor da esperança de Ava.
Mas a relação deles havia seguido na contramão das opiniões de todos à volta deles e se solidificado com o tempo. A relação era bem instável, tudo era motivo para Sebastian surtar com Ava ou o contrário. Era quase como se fosse um jogo: quanto mais discutiam, mais o bonding crescia – e o desejo também, o que era completamente compreensível para um casal de dezesseis anos no auge da explosão hormonal. E Sebastian poderia jurar que fora apenas a dita explosão que os levara até aquele momento totalmente inédito para eles, mas Ava sabia que não era só isso, mesmo que ele tentasse negar – e ele tentaria, classic Sebastian move – a garota nunca se esqueceria da maneira carinhosa com que ele deslizava os dedos por suas costas ou como a tratara tão carinhosamente na primeira vez deles.
Por mais que conhecesse a instabilidade daquele relacionamento, Avalon sentia que nada poderia estragar aquele momento, nada conseguiria apagar o que havia acabado de acontecer, o que ela sentia por ele. A cena serena de Ava deitada sobre o peito de Sebastian rapidamente transformou-se quando ela o beijou e logo em seguida fora repentinamente colocada embaixo dele. Sua pele nua em contato com a dele naquele momento mais íntimo que partilhavam era algo que ficara para sempre gravado em Avalon. O beijo fora interrompido para que ele pudesse mudar seu foco, distribuindo beijos mais leves por toda a extensão de seu maxilar e pescoço. A cada novo elogio que ele direcionava a ela a garota sentia seu coração parar e logo recomeçar a bater, completamente descompassado. Linda. Inteligente. Incrível. Aquelas palavras plantaram um largo sorriso na face da garota. Delicadamente segurou o rosto de Sebastian em suas mãos, acariciando a maçã do rosto do rapaz. Avalon o olhava diretamente nos olhos, aquela era provavelmente a primeira vez que ele não tentava fugir do contato visual se ela bem lembrava. Talvez tomada pelos elogios, talvez pela atmosfera do momento, Ava nem ao menos notou o que dizia antes de, enfim, dizer. “Eu te amo.” Seu coração mais uma vez parou. Se antes ela sentia que nada poderia estragar o momento, agora ela repensava isso. Conhecia Sebastian o suficiente para saber o que aquelas três palavras causariam.
Para alguém que era tão apático o tempo todo, Sebastian certamente estava sentindo muitas coisas naquele momento. E como a pessoa racional (demais) que era, gostaria muito de parar e analisar todas as coisas que estavam borbulhando dentro de si. Seu avô havia lhe ensinado isso desde muito cedo, parar e avaliar as coisas, não deixar que elas se tornassem grandes demais, dar nome ao que estava acontecendo. Mas com Avalon embaixo dele, e o corpo dela se contorcendo debaixo do seu, fazendo seu sangue correr mais rápido e o fluxo de seus pensamentos embaralhar, ficava difícil ser racional sobre qualquer coisa. Mas vovô Antonin o perdoaria por aquilo, ele tinha certeza. Continuou seu trabalho, agora um pouco mais incisivo, mais urgente, mais faminto, sua boca deslizando pelos mesmos lugares que havia estado alguns minutos antes. Só a lembrança do que haviam feito naquela noite, de como seus corpos se encaixaram, de como ela havia olhado para ele. Ele precisava ver aquilo mais uma vez. Tirando seu rosto da curva do pescoço de Avalon (a muito custo pessoal), ergueu sua cabeça ficando com o rosto frente ao dela. God, he was a lucky boy. Sebastian não era ingênuo, sabia que era muito sortudo em linhas gerais. Havia nascido na família certa, no lugar certo, com o sobrenome certo. E a garota certa estava ali, acariciando seu rosto, o segurando como se sua vida dependesse daquilo.
A fala de Avalon, a priori, não fizeram o menor sentido. Sebastian a encarou com as sobrancelhas franzidas. Não era algo que ele estava acostumado a ouvir, ou que sequer havia ouvido em sua vida. Era como se ela tivesse falado em outro idioma, um novo idioma. E então devagar, muito devagar para alguém tão inteligente, seu cérebro traduziu aquelas palavras. Oh, fuck. Ele não podia dizer de volta. Ele sabia que aquele era o protocolo, sabia que era o que deveria ser feito, sabia que ela o que era queria ouvir... Sebastian engoliu em seco, as palavras flutuando em sua boca, mas sem conseguir sair. Não era que ele não sentisse algo sobre Avalon. Era mais do que claro que ele sentia. Muito. Ele só não sabia o que era e não iria arriscar dizer algo que não sabia, não ia arriscar machucá-la. E na falta de palavras, ou das palavras certas, Sebastian preferiu falar com ações.
Então ele a beijou. De novo. Com um pouco menos de gentileza do que havia feito das outras vezes naquela noite, e com um pouco mais daquilo que estava sentindo no mais profundo de seu ser. Em cada beijo, cada centímetro de pele pelo qual sua mão agora deslizava, cada ofego e cada som, cada reação da qual ele tinha e não tinha controle, Sebastian tentava dizer algo. E ele sabia que não era assim que as coisas funcionavam, que Avalon merecia mais do que apenas aquilo, mas era aquilo que ele podia dar naquele momento. Era o seu melhor -- I can't-- -- Sebastian arfou contra o ouvido de Avalon, sentindo um nó formar em sua garganta novamente -- I can't say it... -- Continuou, dolorosamente tentando fazer com que as palavras fizessem sentido. Tateou pela cama a procura de uma das mãos de Avalon e quando conseguiu encontrá-la no escuro, puxou-a em sua direção -- But... I... -- Colocou, com os braços ligeiramente trêmulos, a mão de Avalon sobre seu peito, onde batia seu coração descontrolado -- That's what you do to me. I-- I never felt that before.














