Aquele pequeno gesto do garotinho fizera reacender a saudade que a Cho sentia de seu pai. A falta que o mais velho fazia na vida da bruxinha era imensa, especialmente porque ela sentia falta da proteção do mesmo, bem como do amor que ele lhe dava. A garota sempre fora demasiado apegada aos seus pais, e talvez fora esse o motivo que acabara por fazer com que a coreana fosse completamente abaixo com a morte do seu progenitor. Seu coração latejava a cada segundo, quase como se o sangue bombeando fosse uma espécie de dor completamente agoniante. E, sem dúvida, que Misun já deveria ter amenizado aquela maldita dor, porém era quase impossível tal fato, afinal praticamente tudo lhe fazia lembrar seu pai, como fora o caso daquele pequeno gesto feito pelo mais novo. Contudo, uma vez mais, a ex-corvina mascarou sua dor colocando um sorriso em seu rosto. A menina sempre odiara demonstrar suas fraquezas, afinal isso poderia ser um jeito de a derrubarem mais ainda. Ou pelo menos era isso que ela pensava. Ao escutar as palavras do garoto que se encontrava ao seu lado, a coreana voltou suas íris na direção do mesmo, não conseguindo deixar de lado o quanto não haveria gostado do comentário alheio. Ela rolou seus olhos enquanto soltava um breve suspiro, afinal ela não poderia esperar muito de uma pessoa como aquele menino, ou pelo menos era isso que ela pensava desde que tivera oportunidade de trocar algumas palavras com o mesmo. — “ Me perdoa a questão, mas como você pode falar que não foi nada de especial? ” — acabou por questionar, visto que não conseguia entender as atitudes alheias. — “ Sabia que gestos como esse são raros hoje em dia? ”
Myung olhava com desdém a garota na sua frente, de braços cruzados sobre o peito e sobrancelha erguida perante o questionamento alheio. A sua postura e ar de superioridade contrastava completamente com o seu real complexo de inferioridade, algo que sempre o fazia sentir necessidade de rebaixar e humilhar as outras pessoas ou as atitudes das mesmas. Era quase automático e tornou-se num mecanismo de defesa ao longo dos anos, rendendo-lhe muitas inimizades e zero relacionamentos, fossem eles de amizade ou amorosos. --- Por que eu não achei nada de especial? --- inquiriu retoricamente, rolando os olhos e descruzando os braços no processo. Por mais que ele até tivesse se sentido tocado com o gesto do pequeno garoto perante a sua mãe, jamais o admitiria em voz alta e o julgaria para assim reforçar a sua posição de homem insensível. --- Não perca o seu tempo tentando justificar os atos das outras pessoas e tentando convencer alguém a concordar com a sua opinião ridícula, essa porra é irritante. --- acrescentou, ríspido como sempre, dando costas e indo embora.