“Hmmm então você é uma daquelas know-it-all type of person?” - Não era uma repreensão ou algo ruim e ele deixava isso claro com o risinho nasalado. “Me pergunto qual teria sido uma outra rara vez a qual estava errada.” - Ele provocou simplesmente por provocar, talvez quisesse testa-la ou ver até onde ela iria, se era arrogante ou não. Ele então ficou um pouco mais sério, fingindo confusão. “Por que? Não acredita que tenha um belo sorriso?” - O elogio havia sido sincero, e havia se aproximado com aquela cantada brega para fazê-la sorrir ou até mesmo rir. “Acredito no bom humor, acredito que uma vida sem humor é uma vida miserável. Seria uma pena se a senhorita apenas encarasse como cantadas baratas.” - Voltou a provoca-la, colocando os braços para trás do corpo. “E para ser sincero, quero sim. Eu não precisaria usar muitas palavras para corteja-la ou adora-la, chame como quiser.” - Seu tom era profundo e intenso mas ele se manteve distante com um ar um divertido. Alarik não era arrogante mas se garantia. Ele olhou para onde ela apontava descrevendo o canapé de queijo. “Eles são bons mas este aqui…” - Ele dizia sobre os que segurava para que ela provasse e quando ela o fez, ele não pode deixar de prender sua visão nos lábios dela, eram chamativos e delicados ao mesmo tempo, fazia com que ele quisesse prova-los e apenas o pensamento foi o suficiente para provocar um sorriso nos lábios do moreno. Não pode deixar de notar que o apelido parecia lhe irritar e ele teria gostado de provoca-la ainda mais, mas sua atenção estava em outra coisa. “Desafio aceito.” - Ele fingiu levar aquilo como seus nova missão de vida. “Que tal se…” - Ele começou fingindo pensar no que diria. “Eu lhe contasse algumas coisas que sei sobre seu possível futuro marido. Talvez assim lhe de alguma vantagem sobre as outra selecionada.” - Ele ofereceu, falando dele mesmo na terceira pessoa, mas ela não pr cosa a saber disse, certo? Não ainda pelo menos. “Posso lhe contar alguns segredos sobre ele, ou se tiver perguntas…” - Alarik tinha um sorriso convencido nos lábios. “O que me diz?” - Pegou outro canapé, dessa vez um doce feito de massa folheada, caramelo e nozes, então levantou na direção dos lábios dela, lambendo os dedos de uma forma provocativa e de certa forma sensual mas completamente não planejada.
“kinda yeah”, ela respondeu com um movimento de cabeça acompanhando, enquanto no canto dos lábios podia ser notada a formação de um sorriso convencido. Longe de Selene ser convencida, mas ela realmente julgava que sabia quase tudo. Era uma leitora voraz, adorava aprender e decorava fatos como ninguém que ela conhecera antes. Por muito tempo na infância, os amigos costumavam chamá-la de espertinha ou sabichona, e no lugar de se irritar com eles sobre isso, ela apenas deu razão aos apelidos e virou uma espertinha de marca maior. “bem, quando eu achei que não pisaria nesse palácio nem que me pagassem.”, resolveu sanar a duvida dele, dando de ombros ao final. Ela estava sendo paga de alguma forma, mas não foi ali pelo dinheiro e era bom que ficasse claro. Na verdade, ela nem sabia o motivo de estar ali realmente, só estava. “Oh não, não não! Eu acredito sim no meu belo sorriso e todo o resto, meu caro. Só não acredito que não esteja me cortejando.”, replicou dando-lhe um sorriso ainda mais largo, mas ele logo se desfez diante da continuidade das palavras do homem, fazendo com que ela adotasse uma expressão mais séria e pensativa. O tinha generalizado demais? Interpretado errado ou coisa assim? Odiava quando faziam isso com ela, e não podia acreditar que tivesse feito com outra pessoa. Estava prestes a se desculpar, quando ele finalmente falou que sim, queria cortejá-la de alguma forma. E por mais estranho que isso parecesse, uma pequena fagulha se acendeu dentro de Selene, e queimou em direção as suas bochechas, corando-as outra vez. “Sabe, posso afirmar seguramente que você é sim bem-humorado, cheio de gracinhas, e talvez um pouco adorável.”, confessou a impressão que lhe tinha naquele instante. “Mas se me permite um conselho, não acho que seja bom me cortejar. Pode acabar se encrencando por isso.”, completou num meio sorriso, sem entrar em detalhes e sem confessar que fazia parte do grupo de selecionadas. Ela sabia muito bem o que acontecia com quem quebrava as regras, e por mais que quisesse acreditar na bondade do príncipe, ela mal o conhecia, então não iria arriscar um flerte com um desconhecido assim. E como quem estava lendo sua mente, depois daquela provocação para manter sua companhia, o homem oferecera algo que era mais valioso do que ouro naquele meio, informações sobre o então príncipe. Foi involuntário o riso largo que a mulher deu, assim como o desviar de olhar, afinal ela precisava pensar no que queria saber, qual curiosidade quitar com aquele estranho. “Tem algo que me importa, talvez até mais do que qualquer outra coisa.”, ela começou um tanto pensativa ainda, “ele costuma ser bondoso? Digo, realmente bom no seu coração.”, indagou apenas notando depois o quão aquilo poderia parecer estupido. “desculpe, duvido que consiga me responder algo tão intimo assim.”, concluiu num breve suspiro, deixando para lá qualquer questionamento que passasse em sua mente, e focando no doce que lhe era oferecido. Aceitou assim como o primeiro, lábios entreabertos para o aperitivo e uma vez dentro da boca, o saboreou com curiosidade. E por mais leve que a massa fosse, ela não pode evitar o seco que se formou na garganta da Hadley ao seguir os movimentos alheios, os próprios dedos, os lábios, os detalhes da barba. A máscara escondia tão bem seu rosto, mas não sua boca. Talvez fosse proposital assim.