Entre segunda e terça, que você disse que tinha formulado algumas certezas, eu também tinha, mas na segunda e terças passadas. O que eu tinha entendido, por fim, é que eu podia mesmo ser o amor da sua vida. Sabe, não com aquela história de ser um casal apaixonado para sempre. Mas um casal que se encante pelo outro, sempre. E isto eu sinto: encanto por você. Aquele outra vez que eu disse, também, que você estava me vendo de um ângulo que eu nunca conseguiria me ver é que eu topei, pela primeira vez, que você me visse sem nenhuma maquiagem depois de dias sem dormir, de não-parar-para-muita-coisa, de inferno astrais, de tensões e tudo o que vem com a vida moderna, com a vida adulta, com essa vida que a gente não pede mas vem. E o jeito que você me via, seu olho ainda brilhava. A porta de entrada, pra mim, no coração das pessoas e a certeza de que é real, sempre senti nesse momento que o olhar me vê e ele sorri. Você me olha assim. E por isso, não vai embora. É, eu sei. Tem muito erro por aqui. Várias linhas – as suas e minhas – que se cruzaram e nós ainda não encontramos uma forma de que elas se amarrem e componham uma história toda bonita. Embora a nossa história já seja bonita. Eu não to com você por acaso. Não podia ser outro. Quase sete meses. Não, não é por acaso. Eu tô sendo feliz toda manhã e noite que te vejo dormir com o peito tão quente, às vezes as costas tão geladas, com expressão serena. Nesse instante em que abro os olhos e enxergo você aqui na luz meio fraca do início da manhã, sinto meu coração pleno e nosso amor inifinito. Toda vez que até quase 3h a madrugada eu estou acordada lhe falando um tanto na cabeça e você me tirando risadas. No outro dia tenho sono, mas trago um sorriso de quem se sente em paz. Nas vezes que você é só você mesmo – cantando, jogando, assistindo filme, comendo, dançando, bebendo, decidindo o que fazer com o cabelo, fazendo piadinha de mim – e eu sinto sorte de ser o canto que você escolheu sossegar. Lembro-me do momento que apenas dormi ao seu lado. Que não acordei assustada, nem tive medo de fechar os olhos e repousar em segurança. E aí acordei assustada porque não tinha acordado assustada e meu deus, algo de importante e especial acontecia. Olha, isso tudo não pode ser por acaso. De tudo aquilo que você é e não sabe, digo a sua capacidade de saber um tanto de coisa. Não porque isso seja uma característica que mereça grandes aplausos, mas sim porque se mostra relevadora do seu poder de interesse pelo o que lhe cerca e, inclusive, por quem lhe cerca. E da sua capacidade de ainda não saber um tanto de coisa. Não preciso de alguém bem resolvido, mas de quem reconheça que há muito por aí a se descobrir e provar. Esta sede de mundo, sabe? Esta sede que você traz e me deixa sentir um pouco quando me chama junto. Essas miudezas suas que me cativam e faz com que músicas romanticozinhas me remetam você, tal como textinhos, tal como fotos, tal como o coração em forma de pedra que vi na calçada dias desses. Epifanias. Você nem nota de como chega sempre sorrindo e conversa com quem quer que seja. Do seu jeito que me abraça e eu confio que posso lhe entregar o que há aqui dentro. Aí que tá. Eu entrego e apavoro. Eu lhe disse que demorava mesmo para mergulhar no amor porque depois dele eu não saía. E demoro também, porque eu sei de tudo que trago. Minha carga emocional é alta. “Então não se assuste se eu sofro um pouco mais”. Você também nunca vai conseguir ver a si próprio pelo ângulo que lhe vejo. Ver você chorando pela primeira vez me doeu feito fosse em mim aquela dor. Mas, ao mesmo tempo, dali eu soube que algo bonito acontecia entre a gente. Se mostrar tão frágil diante de alguém é porque eu não sou qualquer pessoa na sua vida. E você também não é qualquer na minha. Acho que tem aquilo tudo que você disse de me amar e não saber o que isso significa. Olha, as definições escapam mesmo pelos dedos. Os sentimentos, estes não. Estes fazem morada na alma da gente para abrigar pessoas. Fica mais um pouco, vai. Aí lhe conto mais de tudo que vejo em você e me fez querer você por mais um dia e mais um dia e mais um dia e me enrolando em todos os nossos fios que não se encontram e me ver, por estes fios mesmo, presa a você. E disposta e descobrir tantas coisas suas que ainda não sei. Seus tantos caminhos que pretende andar. Pode até não ser o jeito mais fácil de amar. Pode até ser que qualquer outra pessoa no mundo estivesse melhor aqui. Mas amor é. E por ele – e por você – eu sigo tentando ser a melhor pessoa para estar aqui. E antes de ir, um pedido: não solta da minha mão.