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@sempreazul
Eu rio de piadas sem graça, não me importo com tanta coisa assim... Às vezes eu lembro de relacionamentos que tive que só não eram perfeitos porque eu não quis!Porque eu podia fazer de tudo! E porque eu perdia o interesse tão rápido... não sorria com coisas bobas! Lia poemas escritos em paredes nas ruas e não pensava em nada, ninguém. Não suspirava, não imaginava... ou menos, imaginava! Imaginava que bom mesmo era estar sozinha, sem me sentir presa. Sem me sentir dentro de uma gaiola, sem poder cantar por aí enquanto estou voando. Eu podia ter aberto essa gaiola eu mesma e levado quem fosse junto comigo, mas não... eu queria toda aquela liberdade só pra mim. E então, alguém me prendeu e escondeu a chave. Me adestrou, mudou meus costumes, me ensinou truques... Me recompensava somente quando eu fazia tudo certinho... Não gostava quando eu mandava coisas engraçadas de vez em quando - piadas, imagens fofas, lugares, fotos minhas fazendo careta. Me xingava se eu dizia uma palavra equivocada sem querer. Dizia o tempo todo que era tudo em torno de mim... Que eu não a entendia, que eu nem mesmo me esforçava pra isso! Criticava minhas roupas quando eu me arrumava só pra ela, dizia que não gostava da maneira que eu fazia as coisas... e eu mudava. Sempre mudava... Quando me dei conta, me olhava no espelho e estava usando praticamente a mesma roupa a uns 3 dias. Que meu quarto estava sempre fechado... Que havia papéis da faculdade jogados por todo o lado, textos escritos com marcas de lagrimas e palavras riscadas. Que eu estava sempre querendo ser coisas diferentes do que eu realmente era. Chorava e brigava com tudo e todos. Me afastei de parentes, amigos... O mundo estava em preto e branco, com estática, e com a antena parabólica quebrada! Dizem que passarinho que vive em gaiola pensa que voar é doença... E eu, que achava que controle, chantagem, violência, era proteção? O que eu queria? Eu me iludia com a ideia de que eu havia ganho o amor de alguém que não amava... Que eu era tão especial para alguém que não se importava nem com a própria vida! Era um castelo de puro gelo, e eu acreditava ser aquela pequena chama viva e aconchegante... mas eu era mesmo aquele observatório, na torre mais alta, onde dava pra ver todo o mundo, mas não podia ir a lugar algum pois acreditava que havia algo que precisava descobrir... Burra! Ou talvez apenas jovem... inocente, esperançosa... Talvez burra eu fosse, se não fosse inocente, esperançosa. Sinceramente, hoje, eu não sei o que me faz continuar sendo como eu sou. Talvez eu simplesmente deva parar de acreditar nas coisas que eu quero. Cada vez eu me convenço mais de que, se vale a pena, vão ter que me provar... Aos poucos a gente vai perdendo a capacidade de acreditar por si só.
Gabriela Schneider
A minha paciência é em clima de brincadeira, de pensamentos e de alguns suspiros dos quais alguns eu me arrependo. Eu faço que "não" com a cabeça com um sorriso tão irônico... mas será que eu faço pra você ou pra mim mesma?
Gabriela Schneider
Eu queria ir contigo pra algum lugar bonito, com ar de antigo, e com sol que põe bem perto. Com aquele céu que fica alaranjado e quente... pode ser verão, a gente vai a algum restaurante ao ar livre com comidas diferentes, perto de algum centro ou perto de um lago. Também pode ser inverno, com folhas secas no chão, um tantinho assim de brisa, e a gente vai numa cafeteria daquelas bem antigas com vista pra alguma ferrovia. Mas se eu te levasse assim, eu pediria um favorzinho só... não pensa em mais ninguém, nem na volta, nem no longe. O único olhar distante que eu quero ver, é o da sua cabeça pensando em poesia.
Gabriela Schneider
Eu odeio injustiça e crueldade. Mas eu amo aquela parte minha que não faz sentido nenhum, que é egoísta, e até um pouco cruel. Que empurra as pessoas até o limite... que quer ver aonde tudo vai dar, não importa o fim. E que sorri de uma maneira estranha quando tudo dá certo de acordo com a minha vontade...
Gabriela Schneider
Chega a ser cômico, e sempre que acontece eu me convenço mais e mais de que aquelas frases clichês são verdade: Tem épocas que todo mundo me quer. E tem épocas que eu faço parte do "todo mundo" de alguém! E estar nas duas situações ao mesmo tempo... É estar vivendo os dois lados da mesma moeda - uma "cara ou coroa" indecisa e traiçoeira e mentirosa. Até que ela pare de girar no ar, caia no chão, e então alguma coisa seja decidida. Por enquanto, somos duas crianças olhando para cima esperando que uma decisão seja tomada por alguém que não nós.
Gabriela Schneider
Dog Best Friends That Can’t Be Separated
Eu não sei se eu me conheço, mais. Ando tendo desejos, vontades e ideias que parecem loucura... mas ao mesmo tempo, é uma tentação. Ou talvez eu seja assim mesmo, rodeada de tentações - a diferença é que antes eu não me rendia nem permitia.
Gabriela Schneider
Querido Fabrício,
Como vai? Eu estou bem, na medida do possível. Estou, neste momento sentada em uma sala em frente a uma mesa, com uma caneta de tinta preta na mão e um caderno de folhas de gramatura 160g... Adoro a sensação dessas folhas! De onde estou consigo ver a rua, o movimento, e alguns apartamentos que parecem um pouco antigos. Ah, e estou bem quentinha, com um cachecol e um casaco tão aconchegantes que parecem nuvens. O ambiente aqui é iluminado na medida certa - um pouco escuro, parece tudo meio sépia - para me inspirar a escrever algo para você.
Tento pensar e lembrar quais palavras eu usarei aqui - seria tão mais fácil se fôssemos máquinas instantâneas nas quais saíssem memórias e sentimentos para quem quiséssemos... Imagine, colocar em imagens o que sentimos? Nesse momento, acho que sairia uma folha daquelas um pouco amareladas, pra combinar com o ambiente e com aquela coisa antiquada e “vintage”, com uma mancha de café enorme no meio (porque é bem a minha cara derramar café em qualquer lugar, e eu faço isso toda manhã), mas apesar de ser uma mancha “acidental”, sairia bem bonito! Imagine só, quantas formas, quantos tons daquele marrom no papel sairiam? Parece até um lago visto de cima... em um filme antigo! Daqueles de rolo e projeção na parede em restaurantes, chapéus Fedora, paletós e mulheres de vestido longo e colares caros. E o aroma, também. Ficaria com a textura meio áspera daqueles mapas antigos... para mim isso é muito relaxante e até confortável.
Ah... tenho tanto a falar, e tantas histórias a contar... Tantos sentimentos que querem sair, exatamente como a mancha de café no papel. Mas já que vou lhe enviar esta carta, farei um experimento. Vou tentar reproduzir essa imagem da mancha e uma folha e a enviarei junto, e então você me diz qual é a sensação. Espero logo uma resposta e talvez uma visita. Caso queira, posso te esperar naquela estação bem antiga com a cabine de fotos, e podemos procurar pelo “homem misterioso que na verdade é o técnico” do filme da Amélie Poulan. Quem sabe, né? Acho que toda estação de trem tem Amélie, Nino, um Hipolito e um “homem misterioso da cabine de fotos”. E quem sabe a gente não fique lá sentado imaginando a vida de todo mundo que passa, né?
Aguardo resposta, Gabriela Schneider. 04/05/2015
by oer-wout.
Aquela sensação que te faz cerrar os olhos e tentar entender exatamente o que está acontecendo, quando tudo faz sentido demais, mas por alguma razão parece mais é blefe.
Gabriela Schneider
Me conta como é, olhar pro céu e não saber quantas estrelas estão lá ao mesmo tempo? Como é escrever tantas palavras, como é dizer aquilo que nunca pensou q fosse? Como é não saber o que se passa aqui... Nem na minha volta, nem na minha cabeça!
Gabriela Schneider
Eu não sei mais o que fazer, o que sentir, ou o que dizer... Eu só sei que eu queria que, por alguns dias, só existisse eu e o universo todo, e que eu pudesse brincar de qualquer coisa.
Gabriela Schneider
O que eu quero?
Eu não preciso de muito dinheiro. Não preciso de status, não preciso de uma casa muito grande nem de presentes caros. Não quero alguém que cozinhe toda noite, nem ter que cozinhar toda noite pra ninguém. Não ter que ficar sentada no sofá de casa, sem saber o que fazer, onde ir, ou o que está acontecendo. Somente... Eu preciso de um olhar de paz com um sorriso, quero sussurros, quero risos, quero aconchego e proteção. Quero um colar e um anel simples que tu viu pra vender em um lugar qualquer e lembrou de mim. Quero uma flor colorida bem comum mas que signifique algo. Quero um abraço quando eu estiver prestes a chorar para que eu desabe em um lugar acolhedor. Quero piadas internas, quero palavras ditas erradas e tirar sarro delas. Quero bilhetes com pequenos desenhos engraçados ou até fofos, dizendo que me adora. Não quero alguém que me suporte. Quero alguém que me cuide. Quero alguém que me dê doce na boca pra brincar, que me abrace na rua, que não tenha vergonha de nada que eu faça. Que não tenha problemas com as minhas músicas estranhas e minhas cantorias aleatórias em locais públicos. Que saiba que lugares que dão eco exigem que eu solte a minha voz. Que eu gosto de interpretar musicais, e que eu mudo a minha voz para parecer que sou outro personagem no meio da música! Que saiba que às vezes eu uso roupas que não combinam com nada. Que eu invento moda. Invento coisa, o tempo todo. Que quando você menos esperar eu vou imitar o som de algum animal, simplesmente porque estou afim. E que saiba que não existe drama em mim, eu faço o que eu sinto. Se eu chorar e eu quiser sentar no chão e me encolher, eu vou fazer isso. Que alguém me pegue pela mão e me dê ideias inusitadas. Quero alguém que, assim como eu, esteja disposta a qualquer coisa.
Manhã.
Hoje começou tudo estranho. Tudo bom. Surpresa! Quando a gente menos espera a gente acorda alegre. Quase perdi meu ônibus, mas nunca me preocupo com isso. Sempre tem mais. Assim que ele chegou, vi dois rostos familiares ali dentro - uma amiga, e outra pessoa que conheci recentemente. Não sei porque, mas quando conheci ela, a achei… Diferente. Daquelas pessoas aparentemente normais que a gente olha na rua, e sente. Nada em especial… E hoje o que realmente marcou minha manhã foi a chegada do trem. A amiga havia ficado na fila do caixa, eu e a “conhecida” descemos. No meio da escada rolante, ninguém ia pra frente. Lembro que da outra vez q estavamos lá ela simplesmente caiu na escada! Rimos o trajeto todo. Dessa vez o trem, das 07:25, chegou mais tarde, e eu havia dito a pouco que era difícil eu pegar o trem que vem vazio - E lá vinha ele! Ela começou a pedir licença incessantemente na escada, porque ela também se irrita que ninguém anda, na fila. Me pegou pela mão e disse "vamos por aqui" e me levou pelo outro lado, até chegarmos onde tinha menos gente. Paramos para entrar no trem, e ela não soltou minha mão. Pegou meu braço como querendo se esquentar, e eu estava com frio. Deixei, era confortável. Quando abriu a porta, ela me puxou de novo e sentamos. E eu fiquei pensando sozinha que alguns dias são pra ser mais alegres.
Será que se eu te contar o que eu fiz, você vai me odiar? Uma vez me disseram que as pessoas gostam e desgostam pelos mesmos motivos. Uma birra engraçadinha depois vira coisa de gente mimada. Aquela bagunça descolada depois vira irresponsabilidade... Aquele sorriso provocador e perigoso que faz derreter, vira motivo de raiva. A gente vê tudo com outros olhos, de início, mas só quando quer. Depois vira fato incontestável... Depois vira monstro debaixo da cama que não te deixa dormir direito. Por esses motivos já cansei de tanta gente - perdi a paciência. Hoje até amigo eu mando se calar por falta de tolerância por coisas que eu mesma ria antes. E cansar faz a gente querer ser livre. Pode até ser frio e egoísta, mas só até certo ponto - se eu cansar eu vou deixar o vento bater no meu rosto e me sentir livre e solta. Mas enquanto eu não canso - e não sei nunca quando nem se vai acontecer - eu fico louca, por tudo! E quero tudo, e só pra mim. Ah, se existisse lista do que tenho e do que tive... De quem eu tenho e de quem eu tive. Teria data antiga sem término de contrato, e data nova que acaba no mesmo dia. E uns nomes que ainda não possuem data nenhuma.
Olhando lá de baixo O luar quebrado no mar Reflexos ainda parecem os mesmos para mim Como antes de eu afundar E é pacífico lá no fundo Uma catedral onde não se pode respirar Não é preciso rezar, não é preciso falar Mas agora estou embaixo Embora a pressão seja difícil de aguentar É o único jeito que eu consigo escapar Parece uma escolha dificil de se fazer Mas agora estou embaixo E está arrebentando sobre mim Mil milhas no fundo do mar Achei um lugar para descansar minha cabeça
Florence + the Machine