sometimes do you ever just want to

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Lisbon Treasures
From the album CARRIE & LOWELLBuy it: http://akrec.co/1y05i0MAvailable now Asthmatic Kitty Records More info: http://carrieandlowell.comVideo by http://www.w...
be my rest, be my fantasy
Orla marítima
“O tempo das suaves raparigas é junto ao mar ao longo das avenidas ao sol dos solitários dias de dezembro Tudo ali para como nas fotografias É a tarde de agosto o rio a música o teu rosto alegre e jovem hoje ainda quando tudo ia mudar És tu surges de branco pela rua antigamente noite iluminada noite de nuvens ó melhor mulher (E nos alpes o cansado humanista canta alegremente) «Mudança possui tudo»? Nada muda nem sequer o cultor dos sistemáticos cuidados levanta a dobra da tragédia nestas brancas horas Deus anda à beira de água calça arregaçada como um homem se deita como um homem se levanta Somos crianças feitas para grandes férias pássaros pedradas de calor atiradas ao frio em redor pássaros compêndios de vida e morte resumida agasalhada em asas Ali fica o retrato destes dias Gestos e pensamentos tudo fixo Manhã dos outros não nossa manhã pagão solar de uma alegria calma De terra vem a água e da água a alma o tempo é a maré que leva e traz o mar às praias onde eternamente somos Sabemos agora em que medida merecemos a vida” Ruy Belo | "Obra Poética de Ruy Belo" - Vol. 1, pág. 168 | Editorial Presença Lda., 1984
Hay un dicho que siempre se me pega Cuando vuelvo a pensar tu nombre Calles con filas de brazoz que nos abrazan Hasta que no podemos respirar Hay alguien que no me pega en la cabeza Las vueltas donde estuvimos se han borrado en la calle Pronto llegamos a ti Cejas con piel café Brincan de tu cara cuando yo te dije la verdad
Cejas con piel café Brincan de tu cara cuando yo te dije la verdad
“We are so lightly here. It is in love that we are made; in love we disappear.” —Leonard Cohen, Book of Longing, (McClelland & Stewart, 2006)
e, então, escrevo
da janela do santo antônio valverde, vejo um homem velho, vejo um homem velho vestido de palhaço - um enorme nariz vermelho, um chapéu, um sapato muito gasto em cada pé.
vejo, também, a cidade - a alagar lentamente. vejo o mormaço que anuncia ainda mais chuva e ainda mais umidade e mais narizes entupidos e mais medo da possibilidade dos sintomas gripais não serem, no fim das contas, simplesmente sintomas gripais.
penso sobre isso enquanto vejo o velho palhaço, até então imóvel do outro lado do semáforo. é quando a criatura, de repente, decide me mostrar a língua. assim: ele me olha nos olhos, vários quilômetros entre nós - os carros, o caos do trânsito em dia de chuva: e me mostra a língua. não é possível evitar o sorriso que se forma por baixo da minha máscara. e, ao mesmo tempo, me sinto tão pequena diante da língua ameaçadora do homem que sou tomada pelo impulso de me refugiar em algum ombro desconhecido, em algum ombro muito imediato, isto é, até mesmo no ombro desconhecido que viaja ao meu lado - e no qual, por necessidade de ser salva, eu sinto que caberia perfeitamente.
o palhaço me mostra a língua, através da cidade e da distância que nos separa. o palhaço, ao fazê-lo, me aproxima do ombro: e eu sei que, em algum momento, me afastei de mim, me afastei de mim como insisto em me afastar do ombro em que gostaria de adormecer: me afastei de mim e não sei quando conseguirei tomar o caminho de volta. não sei onde estou, não sei em que mapa, não sei em que constelação, em que esquina, em que meio de transporte, em que cidade, se na segunda ou na terceira parada. não sei quando foi a última vez que me vi, onde posso ter esquecido de mim. não sei dizer exatamente sequer onde estive pela última vez.
chego em casa e tenho certeza de que jamais voltarei a escrever.
digo isso a um amigo.
digo a um amigo que duvido até da escrita, agora, que a essa altura não acredito mais nem nisso - uma maneira de anunciar que estou um pouco mais morta do que costumava estar, quando acreditava. uma maneira de dizer que sinto medo. que me assusta de verdade quando não acredito. não digo nada a ele sobre o velho palhaço, muito menos sobre a língua ou sobre o ombro. talvez se eu tivesse dito ele não teria me perguntado desde quando a escrita é coisa em que se precisa acreditar.