Morocco, 2023
Viver numa tela. Ser quadro.
Virar a almofada. Trânsito potencial um fenómeno ileso. Pintar-me em ondas e retas.
Curvar-me sobre o branco Sentir no ombro a inclinação da vida.
Viver numa tela. Ser quadro. Curvar-me sobre o branco e soprar gotas de tinta. Pela inspiração revestida expira-se um outro manto
Curvar-me sobre o branco Respirar a vida Tecer o mau tempo em boas linhas.
Curvar-me sobre o branco Ser tela Jantar sobre a própria perna Comer o que resta da vida.
Curvar-me sobre o branco sentir os pƩs descalƧos gelado, qual mar do norte Saber esfriar em orvalho.
Curvar-me sobre o branco nao ser pano de fundo Mergulhar em areia no chão torrado do velho submundo.
Curvar-me sobre o branco abrir os braƧos
perder rasto dos meus traƧos tropeƧar nos embaraƧos Unir todos os estilhaƧos Ocupar todos os meus espaƧos
Curvar-me sobre o branco perder a cor vencer a sorte
Curvar-me sobre o branco inclinação repetida monção prensada distraĆda por tanto saber encontrar o norte
Ser poeta de barcos Pintar nuvens no mar Curvar-me sobre o branco e sem dar conta navegar.
BƔrbara,
Serena Poesia











