salvatorexdamiano:
Salvatore não queria ir. Por que raios ele precisava? Tinha mais uns outros, sei lá, dez caras ali. O apresentadorzinho parecia bem o suficiente para acompanhar a moça teimosa. Diabos, ela parecia bem o suficiente para ir sozinha!! Não se sentia minimamente disposto a gastar suas energias naquela hora, especialmente após tanto tempo sem comer. Mas a velha chata continua insistindo que D’Amiano deveria ser seu acompanhante, já que estava prestes a escurecer e ele era bastante forte e serviria de ajuda. Sem dúvidas que ele era forte, músculos como os seus não cresciam por milagre (há!) e as tantas horas nos aparelhos da academia montada em seu porão atestavam que ele estava muitíssimo bem preparado fisicamente. Mas puta que pariu, não queria ir!! Agnes tomou a palavra outra vez, dizendo que seria também muito mais rápido e que haviam algumas pessoas que precisavam muito de comida. A pequena criança era um exemplo, bem como a enfermeira e o médico que passaram o dia de um lado para o outro auxiliando todos os feridos. “A senhora tem razão, assim será mais rápido e efetivo” Falou, engolindo toda a preguiça, já que não podia se dar ao luxo de exibir aquele seu pecado por hora. Ainda não conhecia todos, e precisava utilizar a vantagem que o cargo trazia. “Sim, senhorita” Concordou, com uma expressão neutra que nada condizia com seus pensamentos. Primeiro: ela era muito folgada. Quem pensava que era para falar assim dele? Segundo: ela era muito sexy. Porque havia mesmo um contexto em que ele não teria problema algum em obedecer suas ordens. Havia pegado emprestado uma camiseta que era justa demais ao corpo, mas aliviava a brisa que começava a soprar com o cair da noite. O braço esquerdo seguia dolorido e enfaixado apenas para garantir, mas se quisesse já tinha a mobilidade de volta para movê-lo. Caminhou atrás dela sem qualquer preparação ou instrumento. “O que acha que podemos achar por aqui? De comida? Frutas, animais…? Não gostaria de precisar comer um coelho”
Não sabia se estava feliz ou aborrecida que o padre concordara em ir. Feliz por finalmente ter finalizado essa discussão irritante que lhe tirava do sério e tirava o foco do que realmente importava: a comida. Aborrecida, porém, porque preferia que ele tivesse dado um piti e simplesmente não ido junto dela. Já bastava ter que lidar com o fato de estarem em uma ilha deserta, sem qualquer ajuda ou amparo, ainda teria de aguentar o homem. Não que ela tivesse algo contra ele especificamente, mal o conhecia no fim das contas, mas algo nele a incomodava, alguma sensação esquisita. Além disso, ela não gostava de padres no geral. Quer chama-la de herege? O próprio anticristo? Fique a vontade, palavras nunca a incomodaram tanto nesse sentido. Não acreditava no que padres falavam, achava que nem mesmo eles acreditavam nas merdas que pregavam. Acreditava que boa parte deles gostava de uma cena e a corrupção rodava solta dentro da tal pura igreja. Já presenciara isso no passado, dentro de países cercados de guerra, onde a igreja se dizia em paz, mas instigava o fogo que acontecia ao redor. Não conhecia o padre Salvatore, mas seu conceito sobre ele já não vinha com os melhores dos pré conceitos. Passo após passo, foram adentrando a mata. As árvores compridas tapavam parte do céu. A sargento Gallagher analisava bem o caminho que faziam. Não precisava deixar trilha alguma, a memória fotográfica lhe ajudava muito naquele sentido, tinha uma facilidade gigante em decorar. Quando olhou para o homem atrás de si, ela deu um sorrisinho. Ele estava brincando, não é? “Você sabe que coelhos são animais, certo?” Optou por alfinetar, dando mais uma bela olhada nele, tentando entender qual era a dele. Leyla era a otimista que chegava a ser boa demais. Flora era a preocupada e abnegada, que se escorçava para agradar todos. Rose era a irritante e pouco se importava com os outros - nem parecia perceber que sofreram um acidente. Patrick era o egocêntrico mas gostava de manter a boa imagem e ajudava por isso. Ela era a fechada ou carrancuda, que preferia tomar a frente das coisas. Agora Salvatore era o que? O padre, certo, mas o que além disso? Alexandra não gostava que os outros a lessem, mas detestava não conseguir lê-los. Arqueou as sobrancelhas na direção dele. “Vamos comer o que precisarmos. Fique de olho nas árvores, nos galhos pequenos, sim? Ali vamos achar frutas e talvez pequenos animais. Coelhos e esquilos, se formos sortudos.” Ela voltou a se virar para a frente, caminhando a alguns passos dele, sem olhar para trás. “Você já passou fome, padrezinho?” Perguntou enquanto se esticava para alcançar um arbusto alto que tinha algumas amoras no topo. Perfeito. Começou a cata-las e jogar dentro da mochila vazia. “Me ajude aqui” mandou, sem pedir por favor ou nem mesmo dar um sorrisinho

















