Eu queria muito entender o que tem em você.
Quando você aperta os olhos pra sorrir depois que faz graça, porque sabe que eu vou me render com um riso na sequência.
Quando você conta sobre o que já te fez chorar, nos seus cinco segundos de seriedade, porque o humor é o escudo que a vida te deu pra seguir mantendo os olhos secos todos os dias.
Quando você estava focado na sua ação me envolvendo através dos seus olhos em uma angústia que até agora me aperta o peito.
Quando você fala o que pensa descontroladamente sem se importar se está usando as palavras certas ou se estão te aplaudindo.
Quando você fica sem graça porque alguém conseguiu encontrar as palavras que você queria ter expressado.
Quando você me abraça demorado, mesmo que for pra uma rápida despedida, me fazendo sonhar que poderia ser de propósito porque talvez seja o único momento que você se permite criar uma conexão com alguém.
Quando nesse mesmo abraço eu encosto meu nariz no seu rosto e acabo assaltando um trisco do seu cheiro.
Quando você usa suas mãos pra me acalmar, de um surto ou porque viu graça em como eu fiquei tímida/nervosa com algo que acabei de fazer.
Quando você tenta me elogiar em momentos que minha autoestima falha e mesmo nunca me convencendo na hora, a sua tentativa já é o suficiente pra me fazer repensar.
Quando você riu comigo pela primeira vez, sem a gente nem saber o nome um do outro, porque estávamos em uma situação constrangedora juntos.
Quando você fala das mulheres da sua família como sendo suas próprias divindades e eu consigo enxergar o brilho que elas cultivaram em você, mesmo você não acreditando que ainda o possui.
Quando você observa o ambiente pensativo e abre aquele sorriso torto que denuncia a próxima gracinha que vai dizer e só está esperando o silêncio pra soltar no timing perfeito.
Quando eu consigo usar o seu feitiço de constrangimento contra você mesmo e te faço perder a pose.
Quando você cobre o rosto com a camiseta para gargalhar, pedindo desculpas porque não quer deixar as pessoas desconfortáveis sendo que elas riem de você o tempo todo.
Quando você fala besteira, sabe que está errado e começa a criar argumentos ruins só para irritar quem está discutindo com você.
Quando você diz que “me ama” depois de ser irritante, mesmo reafirmando o tempo todo que tem aversão a esse sentimento.
Quando você tenta vestir o personagem despreocupado que só quer curtir a vida, mesmo a gente sabendo que você está o tempo todo pisando em ovos com medo de que a paixão te encontre outra vez.
Eu queria muito entender o que tem em mim que me faz gostar tanto dos seus “quandos” porque eu já nem sei mais organizar os meus quando estou com você.