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ooc: indo assistir the dreamers pela milésima vez só pra lembrar o quanto o louis é transudo
Detention Sucks | Flashback | Severus x Emmeline
Nada de magia, em uma sala com um Slytherin. Seria como pedir para cair na pancadaria, isso se fosse qualquer outro Slytherin mais idiota que Severus, cujo qual provavelmente não tinha a cara que batia em garotas, ou que seus braços eram fortes o suficiente para tais feitos. O garoto só parecia usá-los para mover sua varinha, como se fosse outra parte de um mesmo corpo. Nunca em sua vida, Emme havia passado por uma situação como aquela. Nunca nem ao menos havia levado uma detenção, aquela era sua primeira. Uma detenção para uma Ravenclaw chegava a ser indignante, logo os corvinos que representavam as pessoas mais justas e inteligentes o suficiente para não adentrarem em nenhum tipo de confusão. Mas as coisas estavam mudando em conjunto com a era da tecnologia, e nem os mais sábios eram capazes de negar isso, e até mesmo não sofrer alterações. Era como uma reação em cadeia, quando um cai todos caem. Quando a sociedade delimita os valores e a inutilidade das coisas os seres humanos de classes mais baixas não conseguem ser capazes de abrir uma frecha nesses valores. Então preferimos nos adaptar. Adaptamo-nos a tudo, ao tempo, a neve, as secas, os maremotos… Conseguimos garantir nossa subsistência apenas nos adaptando.
Sabia que ele não a acompanharia, tinha certeza. Era orgulhoso demais. Às vezes Emmeline comparava as pessoas de Hogwarts com pessoas de livros, ou com partes de livros. A mesma já se considerava uma membra da facção da Erudição quando se tratava de Divergente (Livro que havia lido a apenas uma semana atrás), ultimamente tem recebido alguns livros de seu pai. Livros famosos (o mundo trouxa) e extremamente interessantes. Romances, investigativos, terror, aventura, todos os gêneros conseguiam a surpreender de um modo bom. Simplesmente se envolvia com as histórias e passava horas rindo e chorando em meio a livros e mais livros literários. Eram ótimas as tardes em que tirava pra uma determinada saga ou trilogia, poderia estar em qualquer lugar de Hogwarts, mas estaria envolvida o suficiente para não ligar para o que acontecia ao seu redor. Entrou na sala no momento em que Filch dava sua advertência, com Snape ao seu lado. Polir troféus. Trabalho braçal para uma dupla de jovens que mal haviam se recuperado do último incidente. Maravilhoso. Assim que o zelador ranzinza trancou a porta, Emme olhou rapidamente para o Slytherin antes de pegar as coisas pra polir os troféus. – Quanto antes começarmos, mais rápido terminará. Ainda preciso terminar de ler um livro hoje – Resmungou andando até uma prateleira com pratos de prata com diversas gravuras distintas.
Ele olhou para ela com a cara fechada, com certeza aquele comentário era desnecessário, claro que ele queria também sair o mais rápido possível dali, mas sabia que seu desejo não iria se concretizar assim tão rapidamente. Pegou as coisas para polir os troféus e andou para o lado oposto ao dela, não respondeu a ela, estava tentando ao máximo não começar um bate boca, e sabia que se falasse alguma coisa seria isso que iria começar. Ele tirou alguns troféus bem grandes da prateleira e colocou os mesmo no chão, seria muito mais fácil polir aquilo sentado. Não parecia, mas o garoto era um preguiçoso, sua vontade de sempre ser o melhor nunca deixou ele transparecer aquilo, mas quando alguém via ele resolvendo um problema dava para perceber que ele sempre tomava o caminho mais pratico.
Sentou-se encostando suas costas na parede e começou a limpar e polis os troféus, suas costas viviam doendo e ele sabia que aquela posição não iria ajudar em nada as suas dores. Os professores realmente havia tocado em seu ponto fraco quando colocaram o garoto para fazer aquele trabalho, ele não adepto de nenhum trabalho braçal ou exercício físico, logo aquilo seria um sofrimento em dobro para ele. Filch parecia ter pegado toda a poeira do castelo e ter colocado a mesma naquela sala, não importava o quanto ele esfregasse, sempre parecia que a prata queria mais. Sua mão extremamente fina logo começou a sentir, ele terminou o primeiro troféu o deixando ali de lado, olhou para as suas mãos que normalmente eram brancas, e agora estava vermelhas, como se estivessem prestes a estourar.
— Ótimo.— resmungou ele pegando o segundo, que tinha algumas pontas, ele não entendeu muito bem a anatomia no troféu, então começou a ler o que estava escrito no mesmo, era do totneio tribruxo. Não perdeu tempo e começou a polir resmungando algumas coisas bem baixo, por alguns segundos que ele ficou esfregando sem prestar atenção no que estava fazendo seu dedo passou com toda força sobre uma das pontas. O liquido carmim logo se juntou com a cera, ele passou o dedo sangrando na calça, seu dia não teria como ficar pior. Colocou a mão no bolso para pegar sua varinha, mas a frase dos professores ecoou em seus ouvidos. "Nada de magia."
SLYTHERIN DO IT BETTER || Flashback || POV
Snape havia passado o dia correndo pelo castelo entregando livros a biblioteca e juntando suas coisas que estava espalhadas na masmorra, era seu ultimo dia em Hogwarts, quando voltasse finalmente faria o seu sétimo ano. Ele ainda não sabia exatamente como se sentir em relação a isso, por um lado era ótimo estar terminando o colégio, e por outro aterrorizante o fato de sair de Hogwarts, afinal la fora tudo era muito incerto. Jogou-se na sua cama, quase tudo já estava empacotado, olhou para o relógio na carede a sua frente, o mesmo marcava 18: 30, de 19:30 seria o anúncio de qual casa havia ganhado a Taça das Casas. Sonserina estava muito na frente, então todos os alunos da masmorra já tinham a vitória como certa, mesmo assim ele ainda estava ansioso para ver a cara dos alunos das outras casas, principalmente os grifanos.
Snape se levantou sabendo que não tinha tempo a perder, começou a enfiar alguns livros dentro de seu malão e suas veste, estava com fome e o irritava o fato de ainda faltar uma hora para o jantar. Sabia que ainda estava esquecendo alguma coisa, mas não tinha muito mais tempo para pensar, correu para o banheiro para tomar um banho rápido, vestiu um moletom largo e uma calça jeans surrada. Enfiou a varinha no bolso da calça e se lembrou do que faltava. Ajoelho-se olhando para debaixo da cama, tateou com a mão até encontrar a caixa, colocou a mesma em cima da cama, abriu uma fresta para ter certeza que ela ainda estava la dentro, e depois a jogou dentro do malão. Dentro da caixinha estava a varinha de Bellatrix que ele havia tomado no dia que fez a garota beijar Tilden, ele teria que dar um fim aquela varinha, afinal se alguém o visse com a mesma seria uma prova que foi ele que fez aquilo com a garota, e crimes perfeitos não deixam suspeitos.
Ele iria para casa e la poderia esconder todas as suas coisas, fechou o malão deixando algumas coisas miúdas para colocar dentro da sua mochila, colocou seu relógio de punho e puxou a manga do moletom para cima do mesmo, se sentou na cama e calçou os tênis. Faltava cinco minutos para o jantar começar, ele chegaria mesmo na hora, como sempre gostava, saiu do dormitório quase assobiando, e se juntou a massa Sonserina que saia da masmorra e seguia para o salão principal. Todos estavam quase dando pulinhos devido ao fim das aulas, Snape não estava exatamente feliz em relação a isso, afinal o garoto adorava o castelo, se fosse por seu querer não teria férias, a única coisa que o animava era que sua casa iria receber a Taça das Casas. Apesar da massa de alunos estar grande, logo o garoto chegou até o salão principal, afinal todos estava se movendo para o mesmo lugar, e isso ajudou na locomoção, Ele seguiu para a mesa de Sonserina e sentou no meio da mesma, onde poderia ver de camarote a cara dos grifanos.
Escutou o discurso de Dumbledore contando os segundos, até que o diretor anunciou que Sonserina havia ganhado a taça, além de uma surpresa, que a casa ganhadora havia ganhado um cruzeiro, e a decoração do salão ganhou as cores verde e prata. A mesa de Sonserina se resumia a festa, até o garoto deu alguns risinhos enquanto começava a comer seu jantar, que naquela noite tinha um gosto melhor que nos outros dias do ano. Quando terminou o jantar já não tinha espaço para a sobremesa, seus olhos estava pesados, e ele já não via motivos para ficar no salão, a mesa de sua casa de resumia a conversas, ele não estava incluindo em nenhuma das mesmas. Afagou seus estômago e se levantou caminhando até a saída do salão, a noite havia sido especial por eles terem ganhado a taça, e o humor dele estava especialmente diferente. Ele pensou em seguir direto para a masmorra, mas pensou melhor e seguiu até a saída do castelo. Os jardins estava vazios, todos os alunos ainda se encontravam no salão jantando, sentiu a brisa da noite em seu rosto, sabendo que seria a última vez que sentiria a mesma em algumas semanas.
Ele poderia passar muito mais tempo ali nos degraus da entrada do castelo, mas seus olhos estavam começando a pesar, e amanhã teria que acordar cedo para pegar o trem de volta para casa. Seguiu para a masmorra, falou a senha e foi direto para seu dormitório, sua cama ainda estava cheia de coisas miúdas, ele tirou os tênis com os calcanhares e fastou as coisas pra as pontas da cama. Puxou o lençol sobre o seu corpo e não demorou muito ate que pegou no sono. Uma noite sem sonhos, ele acordou ainda sonolento, ainda achando que seria uma dia normal como qualquer outro no castelo, até que olhou de lado e viu seu malão, puxou o punho do seu moletom. O relógio marcava onze horas, em meia hora o trem estaria partindo e ele ainda estava deitado, pulou da cama pegando sua mochila e enfiando as coisas que estavam em cima da sua cama dentro da mesma, pegou sua escova de dentes e correu para o banheiro, não se preocupou em desamassar o rosto, apenas escovou os dentes e correu para seu dormitório novamente, calçou os tênis, passou a alça da mochila em suas costas, e saiu do dormitório arrastando a malão o mais rápido que conseguia.
Pegou a última carruagem na saída do castelo, na mesma se encontravam, apenas dois alunos de Corvinal, que pelo tamanho e a cara de criança deveriam ser primeiristas. A viagem até a estação era rápida, o trem estava cheio e o garoto demorou até encontrar uma cabine, para a sua sorte achou uma no final do trem que estava vazia. Ele odiava ficar naquelas cabines com estranhos, se jogou na poltrona escutando seu estômago reclamar, afinal ele não havia tomado café da manhã. Encostou sua cabeça na janela esperando a mulher que vendia doces no trem passar, mas ele acabou por pegar no sono, afinal a viagem era longa e entediante. Acordou com o sinal do trem, ele estava começando a entrar na estação, ele olhou pela janela e viu vários rosto felizes, pais que esperavam seus filhos. Seus pais não tinham o costume de o esperar na estação, ele esperava que isso mudasse agora que o tirano do seu pai estava morto. Seu desejo se concretizou ao ver sua mãe acenando timidamente, algo parecido com um sorriso se formou em seus lábios, sua relação com sua mãe nunca havia sido das melhores, mas agora ele esperava que algo mudasse, ele acenou de volta para ela, e pela primeira vez em seis anos se apressou em sair do trem e encontrar sua mãe.
Detention Sucks | Flashback | Severus x Emmeline
dispensados, Emme sentou-se ajeitando o abotoado da camisa. A gravata azul e prateada, juntamente com seu sutiã e a capa, estava pendurada ao lado da maca, esperando pela garota que estava sentindo-se exausta, como se tivesse feito uma grande corrida e depois mais cinco metros rasos. Com um grande suspiro de exaustão, ela se levantou e torceu para que os cortes não se abrissem de novo. Seria mais angustiante ficar naquela enfermaria por mais alguns dias. Emmeline não tinha o costume de ir à enfermaria durante os anos que passara em Hogwarts. Raramente ia parar ali, não passava muito tempo envolvida em brigas ou acidentes extremos para ter que estar aos cuidados de Madam. Mas imaginou que, com Snape era diferente, já que era vítima de diversas azarações, isso se ainda não é. Sofria o que na atualidade chamamos de Bullying, por ter o cabelo um pouco ensebado e um nariz adunco notável por qualquer pessoa que possuía a visão. Aquilo não era bons argumentos, o capitão da Griffyndor, James Potter, tinha mais coisas nas linhas subliminares como a aparente amizade que Severus e Lily tinham há alguns anos atrás. Claro que todos no castelo sabiam que James era apaixonado pela ruiva desde que bateu os olhos na mesma.
Com um pouco mais de esforço, Emme se levantou para ir embora. Mas quando ainda pensava em dar os primeiros passos em direção à porta, viu o pequeno Flitwick e Slughorn adentrarem no recinto. Pareciam um pouco impacientes, então a garota não se deu ao luxo de se sentar novamente. Permaneceu de pé, com os braços cruzados rente ao peito e o olhar impaciente e cansado. Queria sair dali. Queria a torre da Ravenclaw, seu dormitório, sua cama, e músicas. Ouviu a longa advertência dos dois antes de Flitwick anunciar que deveriam cumprir a detenção juntos já que “Se odiavam o suficiente para fazerem feitiços proibidos, e estarem bem dispostos a receber uma detenção.” – Droga – Pensou a morena enquanto trocava o peso para a perna direita.
Deram o número da sala e o andar, não falaram o que era para fazer. Mas deram a dica que saberiam quando estivessem lá. E a detenção deveria ser cumprida no momento em que os dois saíssem pela porta. O olhar penoso de Madam dividia-se entre seus dois pacientes, pelo visto a curandeira sabia do que se tratava. E também sabia que depois os dois deveriam estar ali de volta. – Ótimo – Sussurrou pegando suas coisas, e sua bolsa na escrivaninha. Jogou suas roupas na bolsa, enfeitiçada para que houvesse mais espaço e menos peso, colocou a em seu ombro, ela cruzava-se de modo que ficava apoiada na cintura de Emme. Sem esperar por uma deixa, assim que os professores saíram pela porta de Mogno, a garota andou logo atrás, levando uma advertência de Pomfrey para que tomasse cuidado.
Snape escutou a longa advertência dos professores contando mentalmente os segundos, e alternando o olhar entre os rostos deles e seus próprios pés, ainda tinha um fiapo de esperança que iria pelo menos cumprir a detenção sozinho até ouvir por fim que ele e Emmeline teriam que cumprir a mesma juntos. Aparentemente eles sabiam que isso seria realmente um castigo, suspirou fechando os olhos por um segundo enquanto escutava o andar e o número da sala em que eles iriam cumprir a detenção. Snape viu os dois professores dando as costas e começou a se mover em direção a porta, até que ambos se viraram ao mesmo tempo e praticamente gritaram. —E nada de magia!— Ele ficou calado e esperou ambos saírem para poder ele mesmo dar o fora dali. Snape que pensou em um modo de usar magia até escutar aquele grito, de certo eles colocariam alguém para vigiar ambos, alguém que os vigiasse sem ser visto. Ele não estava disposto a tomar outra detenção, então estava conformado em cumprir qualquer que fosse a tarefa que ele tinha pela frente, apensar de saber que a mesma deveria ser bastante dolorosa a jugar pelo olhar que Madame Pomfrey usou enquanto os dois professores estavam na enfermaria.
Ele seguiu pelos corredores com a mão no bolso cortando caminho para chegar a tal sala mais rápido, não esperou pela garota, afinal já teriam que passar a detenção juntos, não era preciso se odiarem também no caminho para a mesma. Os corredores estava quase vazios, todos os alunos deveriam estar em suas aulas, e o garoto agradeceu a Merlin por isso, não sabia se estava preparado para os novos olhares que iria começar a receber. Ele tinha certeza que a notícia do duelo correu por Hogwarts, mas não tinha certeza como os alunos havia recebido a mesma, de certa não havia sido com bons olhos. O garoto passou a mão sobre a camisa sentindo as novas ataduras, esperava que seus feridas não se rompessem, mas sabia o quanto as mesmas ainda estavam sensíveis, afinal uma havia se rompido apenas com seu toque mais profundo hoje mais cedo. Entrou no corredor avistando a sala que Flitwick e Slughorn haviam falado, a porta da sala se encontrava Filch com aquele sorriso seboso que era apenas visto quandoos alunos se metiam em encrenca. Snape passou pela porta que Flitwick segurava e seus olhos se arregalaram quando viu o que se encontrava dentro da mesma. Pelo visto o faxineiro havia trazido todos os troféus de Hogwarts para a sala. — Quero ver todos brilhando.— falou ele ao ver o espanto do garoto. — Vou trancar vocês pelo lado de fora e só vou abrir quando terminarem.— O garoto abriu a boca para reclamar, mas fechou imediatamente, não iria dar o gosto a Filch de escutar suas lamurias.
You must run || Flashback || @Talkalot
Seus olhos pousaram na porta enquanto o garoto entrava como um furação em seu dormitório. Por algum motivo que ela desconhecia, ela relaxou ao olhar a expressão do mesmo. Era como se ela já tivesse vivido aquilo antes, como um deja vu. Riu sozinha com esse pensamento, largando na cama os ingredientes que ainda se encontravam em sua mão. Lucy já tinha pego as coisas de Snape uma ou duas vezes no passado, mas só quando ela realmente precisava. Não conseguia entender a razão de todo aquele drama vindo da parte do moreno. Que mal há em ajudar uma amiga? — Bela entrada. — Falou devagar, ainda com os olhos um pouco abertos pelo susto, temia que a porta tivesse quebrado. Colocou a mão no bolso do casaco, constatando que a varinha ainda estava ali, caso o outro sacasse a própria varinha e proferisse um “avada”.
— Seus ingredientes? Eles estão bem, acredite em mim. — Deu um sorriso amigável, dando dois passos na direção do moreno. Ele não parecia muito feliz, muito pelo contrario. Parecia que a qualquer minuto ele pularia no pescoço dela e a estrangularia até a morte, mas aquilo não abalara o sorrido da morena. Se ela estava com medo? Um pouco, mas ela conseguiria terminar o trabalho, disso ela tinha certeza. — Testemunha? — Arqueou as sobrancelhas em duvida. — Qual é, Severus, não seja assim tão violento. Você confia em mim, não confia? Seus ingredientes estão em boas mãos, acredite. — Entortou a cabeça levemente para o lado esquerdo, continuando a se aproximar do outro.
— Você não faz o tipo melodramático, Snape. Pode parar com esse drama. — Revirou os olhos ao ouvir o garoto falando exageros e gritando sem necessidade. Mudou seu semblante, abaixando levemente a cabeça e tornando seu olhar ameaçador. — Você não está entendendo, Severus. Eu preciso dessas coisas e preciso agora. — Sua voz era baixa e rouca. Tinha certeza de que estava parecendo minaz, mas não tinha certeza se estava convencendo o garoto, uma vez que ela não se sentia minaz, mas estava disposta a fazer de tudo por aquele trabalho.
— Não tente mudar de assunto.— falou ele debochadamente. Ele não tinha paciência para joguinhos, e Lucinda o conhecia muito bem para saber disso. — Eu sei que parte esta ai, eu quero todos.— falou com o olhar baixo. Ela poderia aprender a pedir as coisas quando ela queria, ele não estava dando a garantia que iria dar tudo que ela pedisse, mas pelo menos podia pensar no caso. Ao pé que se ela continuasse a roubar as coisas dele, ele nunca daria a ela nem um copo de água, quanto mais alguma de suas coisas. — Sim uma testemunha, achei que você fosse mais que uma ladra Talkalot.— Continuava a olhar fixamente para ela, enfiou uma das mãos no bolso da calça, queria terminar logo com aquilo para poder voltar a fazer suas coisas.
— Eu confiar em você? Você tem a cara deslavada de me roubar e ainda pedir pra eu confiar em você Talkalot?— Não adiantava dar mais sermões em Lucinda, ele simplesmente esconderia melhor as suas coisas para evitar que ela sequer chegasse perto das mesmas, tinha um lugar em mente que serviria para o gasto. Estendeu a mão em direção a ela. — Vamos me entregue logo.— falou seriamente e de um modo que dava ao entender que ele não aceitaria um não como resposta. — Não faço o tipo melodramático, mas o caso aqui é que eu perdi a minha paciência com você já.— franziu o canto da boca. Olhou para ela sem acreditar na ameaça que enxergava em sua expressão. Espero que saiba que eu não tenho medo de você. — Vamos me entregue a caixinha, estou vendo que não tem mais jeito com os ingredientes que aposto que você já tirou de dentro dela. —
Balaclava || @Skeeter
— Não tinha esperanças de que você contasse alguma coisa… mas não custava tentar né? — Ela sabia que Snape dificilmente iria falar qualquer coisa sobre alguém daquela masmorra, mas como ela disse, não gustava tentar. Sempre que tinha a oportunidade tentava arrancar segredos das pessoas, às vezes, sem que elas percebessem. Alguns menos experientes já teriam deixado escapar alguma coisa sem querer, mas Snape parecia ser imune a qualquer tentativa de manipulação, enrolação e afins. Ele não sabia disso, mas garota o achava simplesmente incrível. E assustador, porém incrível. — Tentarei não levar isso para o lado pessoal e não me sentir ofendida. — Apesar de estar levando na brincadeira, ficava pasma com a habilidade do Sonserino de cortá-la sem mais nem menos. Se ele não fosse assim com os outros do castelo, ela realmente se sentiria ofendida, mas como era o jeito dela… não havia porque. Enquanto ela falava demais, ele falava de menos. Enquanto ela tentava se comunicar com todos, ele não fazia esforçou algum para tal interação. E ainda tinha algumas diferenças que poderia citar. Diferenças que poderiam comprovar que ele não gosta dela.
Se ele não queria contribuir, depois ela procuraria outra pessoa naquela casa que pudesse lhe ser útil. Snape não era útil como fonte… mas até que estava gostando de “conversar civilizadamente” com ele. Até então não tinha sido torturada, e não era como se ela não tivesse dado um motivo para que ele o fizesse. De toda forma, agora estava mais do que curiosa para descobrir os segredos que ele disse saber. Não seria fácil, mas uma hora ela conseguiria… ou talvez não.
— O garoto sem sonhos… — Murmurou mais para si do que tudo. Simplesmente não entendia por que Snape não podia acreditar que ele era sim importante para alguém naquele castelo, ou no mundo inteiro. Porque se fosse para pensar de tal forma e ser realista… ela também não tinha ninguém que se importasse com ela de verdade. Além dos pais. Mas ela preferia acreditar que mais pessoas se importavam, que era querida por alguém além de seus progenitores. Talvez fosse, talvez não… quem saberia? — Agora sim me sinto ofendida, poderia morrer sem saber que todo mundo me acha idiota. — Comentou fazendo uma careta. Estava sendo dramática, ela sabia muito bem o que todos pensavam dela e o que todos pensavam dos outros também. E talvez “idiota” fosse apenas um dos adjetivos maldosos que atribuíam a ela. Via isso como uma forma de retribuir tudo que ela falava no jornal de Hogwarts. E na maior parte do tempo, nem se importava com o que diziam, mas as vezes ficava um tanto quanto magoada.
— Você parece conhecer ele muito bem. — Disse distante se referindo ao ódio que Snape nutria por James. Provavelmente ele já deveria saber da história entre Potter e Evans, e não devia estar gostando nada disso. Afinal, eles eram amigos e meio que se afastaram. Ao que parece ele chamou ela de sangue-ruim e foi um drama só. Ela não sabia muito bem da história. Mas deduzia que era isso pelo que as pessoas falavam. — Não, eu não te odeio Snape. E nem tenho motivos para tal. — Disse convicta. — Não sei se você reparou, mas seu nome é um dos únicos que ainda não foi parar na berlinda. — Deu enfase no ainda, deixando claro que aquela situação poderia mudar a qualquer momento. Ela não tinha o que falar de Snape. Ele não era o tipo de garoto que caçava confusão, e se fosse ela não ficava sabendo.
Skeeter riu do comentário dele. — Snape, meu caro… parece que você conseguiu chegar no ponto exato. Minha vida não tem lógica alguma. — Era verdade. Por que todas as coisas deveriam ter lógica? Para Skeeter, as coisas não precisavam fazer sentido. Não fazia sentido ela continuar investindo em James quando ele era apaixonado por outra. Não fazia sentido estar ali conversando com Severus, mas ela estava. — Isso sim me parece uma lógica da vida. — Ela podia ter entendido aquilo como uma indireta, dele não gostar de pessoas ao redor dele, mas apenas ignoraria, assim como costumava fazer vez ou outra. Mas até que fazia sentido o que ele falava. Talvez se ela fizesse o mesmo, evitaria algumas decepções da vida. Acima de tudo, ele não era uma pessoa sozinha por ninguém gostar dele, era uma pessoa sozinha por opção. Bem, era isso que ela tinha entendido. Aquilo era estranho, muito estranho. Talvez Snape fosse mesmo esquisito. Mas de uma forma diferente.
Enquanto falava sobre o que pensava de Snape observava as reações do Sonserino, e quando ele finalmente falou, começou a rir. — Você não se suporta? Isso, com certeza, é uma novidade para mim. — Não conseguia entender pessoas que não tinham amor próprio. Não conseguia entender Snape. — Você é um gênio, devo admitir. — Era bem raro Skeeter elogiar outra pessoa a não ser ela mesma. Mas sentiu a necessidade de dizer aquilo a Severus porque bem, porque ela queria e só. Assentiu com o que ele disse e se ajeitou no sofá.
O ódio do sonserino pelos marotos e vice-versa já era conhecido pelos quatro cantos do castelo. E eles nem se preocupavam em esconder aquele fato. Ela queria dizer o que pensava da situação toda, mas se conteve… Teria que dizer em voz alta que estava do lado do moreno sentado ao seu lado, e assim sentiria que estava traindo James. Mas era verdade, ela dava razão a Snape. Os quatro estavam sempre perturbando o garoto, arrumando algum jeito de infernizar a vida dele. E a loira reconhceia que deveria ser uma droga.
— Acho que eu te entendo… quero dizer. Te dou a razão. — Disse simplesmente. Deixou a frase solta o suficiente para que ele pudesse interpretá-la de qualquer forma, já que ela não especificara a que parte da conversa ela estava se referindo.
— Não, não custava nada.— Era notável que ela já esperava aquela reação de Snape, e mesmo assim ela não exitou em tentar tirar alguma informação do garoto, isso dizia muito a respeito dela, pelo visto ela não se dava por vencida facilmente, e muito menos desistia das coisas que queria fazer. Isso ele considerava uma qualidade plausível em qualquer pessoa, e achava bom ter alguém assim ao seu redor. — Se você fosse se sentir ofendida com as coisas que falo não estaria sentada ao meu lado.— Ele se perguntava o motivo daquilo, não estava acostumado a ter longas conversas com as pessoas, e muito menos ter alguém deixando seus afazeres para ficar tentando conversar com ele. Talvez ela estivesse realmente muito empenhada em descobrir alguma coisa sobre os habitantes da masmorra, essa era a única explicação que o garoto encontrava para ela ainda estar ali ao seu lado. Sabia muito bem que não era a melhor pessoa para ficar tentando puxar assunto, até porque ele normalmente não gostava disso, agora estava percebendo que não gostava daquilo porque a maioria dos habitantes do castelo eram cabeças de vento que sempre tentavam fazer gracinha sobre alguma coisa ao seu respeito, e a garota até agora não fizera nada do tipo.
Reconhecia que talvez estivesse sendo duro demais com a garota, mas simplesmente não conseguia baixar a guarda, talvez ela estivesse esperando exatamente isso, era o que seu cérebro gritava, era muito difícil para o garoto confiar em alguém, mesmo que aquela confiança se estendesse apenas para ter uma conversa saudável. Escutou as palavras da garota, mas não tentou corrigi-la, ele tinha sonhos, apenas não saia os colocando em um panfleto e o entregando para os alunos. Os sonhos do garoto eram coisas simples em sua maioria, coisas que ele queria desde que se entendia por pessoa, poucas coisas ousadas, no fundo apenas uma vida que fizesse sentido fora do castelo, e sabia que ai que residia a maior dificuldade, ele não se sentia bem fora do castelo, mas sabia que logo teria que aprender a sentir-se assim. Ela não parecia acreditar nas palavras deles sobre ninguém ligar para ele, o porque ele não conseguia identificar, pois era uma afirmação óbvia em sua cabeça. Ele não tinha amigos, e sempre tivera uma relação conturbada com os seus pais, agora que seu pai estava morto ele esperava relacionar-se melhor com sua mãe, mas não criava muitas expectativas ao redor de tal possibilidade.
— Não são todos, mas achei que não ligasse para o que os outros falam ao seu respeito.— alfinetou ele com uma expressão de deboche. Ela parecia crescida e com a mente feita, mas tinha um claro problema quanto a opinião pública, parecia se importar muito com isso. Snape havia aprendido com o tempo que aquilo era um problema, pois você deixa de fazer o que quer, para fazer algo bom aos olhos alheios quando se importa com a opinião dos que o rodeiam. — Melhor do que o castelo pensa que o conhece.— Snape não via nada daquele grandioso James que todos no castelo faziam questão de falar, o que ele via era um idiota que gostava de gozar não só da sua cara, mas de todos do castelo. E o culpado por ele e Lily não se falarem mais, e talvez esse fosse o motivo mais forte para ele odiar o Potter. — As pessoas nunca precisaram de motivos para isso, basta escutar o que os marotos falam sobre mim e já esta tudo feito.— falou com a voz arrastada. Era exatamente isso que acontecia na maioria das vezes, pessoas que ele nem conhecia fazendo cara feia para ele nos corredores, essas com certeza eram as pessoas que ele odiava, e ansiava para dar motivos reais para elas o odiarem.
— Não foi para na berlinda porque quem parira para ler um jornal com notícias sobre mim?— perguntou cético. — Somente um idiota, além do mais, eu não faço coisas aparentes como os idiotas que param na capa do seu jornal, não te dou motivos para estar la.— falou convicto. Ele não dava motivos para ser capa do jornal na Skeeter, tudo de errado que fazia era muito bem escondido, e esperava que ela soubesse que se um dia ela fizesse isso ele iria torcer o pescoço dela, não precisou verbalizar isso pois ela já parecia esperar o pior dele. — Estou presenciando isso.— falou se referindo a ela estar muito bem sentada no sofá de um salão comunal que não era o dela, conversando com um garoto estranho que dava medo nela. — Ótima logica, foi construída baseada em experiências reais.— falou ironizando, ele tinham muita experiência no que estava falando. Não esperava que ela entendesse sua lógica, pois diferente dele, ela parecia gostar de ser o centro das atenção e estar sempre rodeada de pessoas, enquanto isso parecia o céu da garota, aquilo era o inferno particular de Snape, tinha fobia de lugares cheios.
— Talvez eu seja chato demais.— falou sorrindo. Ver o garoto sorrindo era uma fato tão raro quando um dragão voando perto da sua casa, mas ele simplesmente não tentou se controlar, era estranho verbalizar aquilo, mas as vezes era verdade. — Mas estou aprendendo.— falou se recompondo. — Eu sei.— falou assentindo. Humildade não era uma das qualidade do garoto, não via o motivo para as pessoas não aceitarem suas qualidade por medo de serem rudes. Normalmente ele só escutava elogios de seus professores, a maioria dos alunos apenas o subestimavam, e outros tinham medo dele para falar alguma coisa. Ele não era conhecido por sair torturando as pessoas como Bellatrix, e particularmente não via motivos para as pessoas terem medo dele. — Me entende?— arqueou a sobrancelha. — Acho difícil.— Ninguém seria capaz de o entender, apenas talvez se alguém passasse o mesmo que ele. — Me da razão? Isso sim e uma novidade plausível.— Na maioria das vezes as pessoas apenas ignoravam a versão do garoto sobre os fatos, então ele não estava muito acostumado com alguém lhe dando razão.
Fluorescent adolescent || @Alecto
Alecto agora se questionava o que ela estava fazendo ali. Naquela altura, ela nem sabia o que fora procurar na torre de Astronomia. Com toda a certeza não fora atrás da companhia de Snape, já que esta conseguia ser mais azeda do que aquela cara mal lavada dele. Por mais que conhecesse o ranhoso a alguns anos, ela não conseguia se acostumar com aquela coisa que ele chamava de rosto. Ok, ele não era tão feio assim mas alguém precisava avisar a ele que de vez em quando não faz mal a ninguém pentear o cabelo ou até mesmo sorrir um pouco. Nem mesmo a própria Alecto era de sair por ai distribuindo sorrisos, mas não era tão ranhosa quanto Severus e isso era um ótimo sinal. Podia ser considerada uma ótima companhia. Ela piscou algumas vezes, tentando se concentrar no que o moreno havia dito. Agora, ela sabia o que estava fazendo ali. — Nops. — Deu de ombros.
Ela estava ali na tentativa de encontrar alguém para fazer seus deveres mas estava começando a perceber que isso não seria possível. Não estava mais disposições para sair pelo castelo caçando alguém, agora estava com muita preguiça. — Não vou lhe incomodar. Nunca incomodo. — Riu baixo consigo mesma. Claro que aquele papo de não incomodar, era mentira. Incomodar as pessoas era o que ela fazia de melhor, principalmente quando estas estão tentando fazer algo que parece importante. Como uma pessoa que não tem mais o que fazer, a Carrow poderia ser definida de várias formas mas nenhuma delas poderia ser realmente boa. E como uma pessoa explêndida que era, não deixava que nada passasse despercebido, nem ao menos um tom de irritação ou desaprovação. O último item que fora citado, era o que mais a excitava. — Para qualquer um, tipo você, caro Snape. — Colocou uma mecha do cabelo para trás da orelha, como se dissesse “eu disse alguma coisa?”. Por mais que não gostasse de fofocas e por esse motivo, na maioria das vezes estava amaldiçoando o jornal da Skeeter, principalmente com estava nele, Alecto estava se saindo uma ótima compartilhadora de notícias. Esse era mais um modo de defini-lá.
Sorriu de canto ao ver a reação do outro quando se aproximou. Alecto seria mesmo capaz de empurrá-lo, mas como já disse, ela estava com um pouco de preguiça. Deixaria para matá-lo uma outra ocasião. Como se estivesse se aproximado apenas para ver uma coisa, ela passou a mão que mantinha esticada no ar, como se estivesse limpando-o e logo em seguida deu meia volta, dando uma risadinha. Voltou a se sentar aonde estivera, passando a mão pela testa. — Você tem visto o Evan por ai? — Perguntou apenas para que o silêncio fosse quebrado. Esse na maioria das vezes, a irritava, por este motivo estava sempre procurando discutir com alguém.
Alecto parecia estar fazendo fazer força para pensar, ele achou que deveria ser normal para ela, afinal ela não parecia usar muito seu cérebro. Ouviu a resposta dela meio pasmo, sabia muito bem que ela não fazia as atividades, mas achava que ela havia adquirido aquele costume com o tempo, e ali estava ela falando que nunca havia feito suas atividades. Não era atoa que ela parecia fazer esforço para pensar, realmente era uma cabeça de vento, pior que seu irmão talvez. — Nunca incomoda?— perguntou sarcasticamente. — Acho que você deveria rever seu conceito de incomodo Carrow.— Ela só não incomodava mais que quando estava junto do seu irmão, unidos eles eram imbatíveis, mas ela sozinha já incomodava o garoto o bastante para querer amarrar ela de cabeça para baixo no salgueiro lutador.
Revirou os olhos, não estava nenhum pouco afim de discutir com a loira, iria deixar ela soutando suas farpas sozinha. Sabia muito bem que discutir com Alecto era como discutir com uma parede, ela era tão cabeça dura que não importava o que a pessoa falasse, ela sempre iria achar outro argumento, mesmo que ele fosse idiota, simplesmente não si dava por vencida, era algo admirável, e ao mesmo tempo irritante. Manteve os olhos meio baixos como forma de deboche a aquela brincadeira dela, sabia que ela era capaz de o jogar dali sem pestanejar, mas enquanto ele estivesse com a varinha não iria morrer com algo tão simples. Ela estava sendo uma Carrow fazendo gozação dele, suspirou quando ela passou a mão no vácuo, segurou o sorriso, ela era louca, talvez conseguisse provar isso e interna-la no St Mungus se tivesse gravado aquela situação em que ela parecia querer limpar o nada.
Seus olhos acompanharam os movimentos dela voltando para onde estava antes, e a medida que ela se afastava ele tirava lentamente a mão de cima do bolso onde guardava a varinha. — Ele estava na masmorra um dia desses.— deu de ombros. O Rosier havia sumido assim como Rabastan, Lucius e Amycus, mas a Snape havia visto o garoto a uns dias atrás. — Vi ele de longe.— deu de ombros.
Detention Sucks | Severus x Emmeline
O céu ao alvorecer poderia ser lindo, mas o vento perturbava o corpo quente de Emme que se revirava em baixo dos finos lençóis. Ainda usava a saia da batalha, mas as ataduras em seu dorso estavam à mostra, deixando a clavícula descoberta para que recebesse o vento da manhã. Tremeu levemente e voltou a fechar os olhos, ignorando a dor que sentia em baixo dos seios. Era estranho ter estado inteiramente cortada há algumas horas, e agora estar quase curada. Tudo aconteceu muito rápido no instante em que desmaiou. Mas não reclamaria das dores, nem comentaria sobre o feitiço de Snape. Nunca foi de ficar queixando-se pelos corredores sobre dores ou até mesmo coisas que algumas pessoas faziam a ela. Seu pai havia a educado daquela maneira, e assim seguia por toda a vida.
Emmeline apenas ouviu o garoto deitar-se na maca novamente e Madam Pomfrey adentrar no recinto. Abriu os olhos apenas quando ouviu sua voz. “Ela ainda está dormindo…?” Imediatamente a curandeira tratou da paciente mais grave no momento. Fechou a cortina que separava as macas e trocou as ataduras ainda um pouco ensanguentadas. Ajudou-a colocar a blusa e abriu a cortina. Madam falou algo de serem liberados daqui a pouco e concentrou-se no garoto por um tempo.
Enquanto a curandeira estava cuidando do garoto, Emme olhou pela enfermaria e passou a mão pelo cabelo. Passou bastante tempo desacordado e o uso de sua voz era falha por um momento. Notou um copo de água ao lado da maca e o tomou entre as mãos enquanto sentava-se, com um pouco mais de esforço bebeu o líquido até que sua garganta não parecesse mais tão seca e defasada. Não achava que havia se humilhado ao pedir desculpas para Severus, era melhor assim, isso é um sinal que vencera o orgulho e confessou o próprio erro. Também não esperava ser retribuída, sempre soube que Snape não gostava de ser desafiado ou humilhado. Estava impresso em sua cara, pelos anos que passou nas mãos dos Marauders. Uma pessoa que passou por aquele tipo de coisa não deveria ser uma das melhores do mundo, e provavelmente julgava os outros. Isso era a conclusão que Emme chegava depois de seus anos de “investigação”.
Por um par de minutos a Raven permaneceu entretida em seus próprios pensamentos, queria saber logo o resultado do duelo. E além de tudo, qual seria a detenção. Não gostaria de nada que se resumia em trabalho braçal, como varrer as masmorras ou limpar a sujeira do campo de quadribol. Já estava toda picotada, ter que fazer esforço físico era pior ainda. Caso fosse Dumbledore que repassasse as devidas detenções, estaria tudo bem, por que o coração do velho era mole o suficiente para não deixar que os dois alunos a cumprisse em um estado tão debilitado. Mas quem decidia tudo no presente momento eram Flitwick e Slughorn, cujos quais não eram conhecidos por “pegarem leve” com as detenções.
Enquanto Madame Pomfrey cuidava da garota Snape manteve-se quieto em sua maca olhando para o teto, uma pequena parte de si queria ter pedido desculpas a garota, mas a maior parte apenas deseja ignorar a existência dela, afinal seria melhor não criar mais vínculos que os já haviam sido criados contra a vontade de ambos. Seria capaz de sair dali pulando assim que fosse liberado, se não soubesse que uma detenção severa o estava esperando logo que ele respirasse o ar fora da enfermaria. Não esperava nenhuma misericórdia para com ele, talvez a garota tivesse sorte e acabasse pegando uma detenção mais leve devido ao seu estado atual, nunca havia testado aquele feitiço em uma pessoa, ela fora a primeira. Mas ele pode notar muito bem quais foram as consequências do feitiço no corpo dela, o corpo da garota parecia uma folha de papel fina, enquanto o feitiço agira como uma afiada tesoura picotando-a.
Assim que a curandeira terminar de cuidar da garota e veio para a maca de Snape ele escutou ela falando sobre a liberação de ambos, sorriu de canto. Ele queria sair dali, mesmo que tivesse que cumprir uma detenção, mas pelo menos depois da detenção ele estaria livre para fugir para bem longe da garota e fazer algo de seu interesse. Madame Pomfrey perguntou o que ele havia feito com aquela ferida que a mesma estava sangrando, ele se manteve calado com a culpa estampada em seu rosto. A curandeira revirou os olhos murmurando alguma coisa sobre ele ser muito cabeça dura, e não saber onde ele pretendia acabar com aquilo. Ele não ligava muito para os sermões dela por já ter levados muitos, na maioria das vezes que era pego em algumas das pegadinhas dos marotos ele acabava na enfermaria, então já tinha o que podia se chamar de uma relação longa de cumplicidade com Madame Pomfrey.
Alguns minutos e ele estava com uma nova atadura limpa, Madame Pomfrey disse que ambos estavam dispensados e ele pulou da cama vestindo sua camisa. Mas quero que voltem aqui para trocar as ataduras. Snape revirou os olhos olhando para baixo enquanto abotoava a camisa. — Claro.— falou ironicamente, ela deveria saber que ele não iria voltar ali apenas para isso. Quando ele se virou em direção a porta viu Flitwick e Slughorn entrando na enfermaria, o que fez com que ele baixasse os ombros derrotado, agora eles eram os responsáveis pelas detenções, e pelo visto não estavam querendo perder tempo.